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Talibãs são um risco para setor têxtil afegão, dizem empresas britânicas

·2 minuto de leitura
O empresário britânico James Wilthew estabeleceu relações próximas com tecelões e vendedores de tapetes

Empresas internacionais que vendem tapetes coloridos feitos à mão, ou vidro soprado, procedentes do Afeganistão temem por seus fornecedores, devido à ameaça dos talibãs a todos aqueles que têm vínculos comerciais com empresas ocidentais.

O empresário britânico James Wilthew estabeleceu relações próximas com tecelões e vendedores de tapetes. Compra estes cobiçados produtos nas províncias do norte, lugar tradicional desta indústria.

Ele vende os tapetes em sua loja de Hebden Bridge em Yorkshire, no norte da Inglaterra, e calcula que 200 famílias recebem apoio de sua empresa, a The Afghan Rug Shop ("Loja de tapetes Afegãos", em tradução livre).

Parte de seu lucro é destinada à Afghanaid, uma organização britânica de apoio aos afegãos.

Agora, ele luta para retirar seus contatos do país. Teme que sejam alvo dos talibãs por sua relação com uma antiga base da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região.

"Como consequência, eles agora enfrentam um perigo iminente", porque não cumprem o critério do governo britânico para a retirada, explicou Wilthew à AFP.

O empresário diz que se sente frustrado com a resposta do governo britânico, apesar de um comovente debate no Parlamento sobre a crise afegã e dos pedidos urgentes de ajuda.

"Nada acontece, não houve nenhuma reação", lamentou. "A burocracia do governo levará à morte de milhares de pessoas", desabafa.

Wilthew, um ex-oficial da Força Aérea Real (RAF), trabalhou no Afeganistão em 2004 na equipe britânica de reconstrução provincial criada para apoiar projetos de desenvolvimento.

Questionado se os islâmicos atacariam aqueles que trabalharam com ele, devido ao seu passado militar, respondeu: "Sim, é óbvio".

Os tapetes são o segundo maior produto de exportação não-agrícola do Afeganistão, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os têxteis são, de longe, o principal produto afegão importado pelo Reino Unido, avaliados em US$ 3,3 milhões (2,8 milhões de euros) por ano, segundo dados oficiais.

O comércio de tapetes existia no antigo regime do Talibã, que governou o Afeganistão com mão de ferro a partir de 1996 até sua queda após uma invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2001.

A incerteza e o caos com o retorno dos islâmicos são "temporários", disse Wilthew.

"Durante o regime talibã, esse comércio [têxtil] vai continuar. Eles precisam dos impostos desse negócio, dos empregos", acrescentou. "É seu produto básico de exportação, é como geram lucro".

Outra empresa que vende produtos elaborados por artesãos afegãos é a Ishkar, em Londres, que oferece tapetes de estampas contemporâneas, vasos de vidro soprado, joias e roupa.

A diretora de criação da marca, Electra Simon, disse que tem contato diário com as pessoas no Afeganistão e "quase todos estão tentando sair".

"Eles basicamente querem sair, não podem deixar suas casas neste momento", mas sentem "um verdadeiro desespero" com a situação, comentou.

am/phz/mas/tjc/aa/tt

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