Mercado abrirá em 5 h 18 min

Tóquio tem novo mercado de atum após fechamento do mítico Tsukiji

Por Karyn NISHIMURA-POUPEE
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Preparação de atum no mercado de Toyosu, em Tóquio.

O local mudou mas o espetáculo permanece o mesmo: atacadistas e outros compradores chegaram de madrugada desta quinta-feira ao novo mercado de Tóquio, dias após o fechamento do mítico Tsukiji.

Os primeiros leilões do mercado Toyosu também atraíram numerosos jornalistas, que observaram grandes atuns alinhados no chão, os gritos dos compradores e todo o ritual dos leilões de peixes, como ocorria no Tsukiji, exceto por algumas novidades.

"É um pouco menos fechado e será um pouco menos restrito do que se temia em um primeiro momento, mas nunca será a mesma atmosfera do Tsukiji", avalia Lionel Beccat, chefe do restaurante Esquisse de Tóquio.

"No plano estritamente profissional, talvez o Toyosu seja melhor, mas do ponto de vista sentimental, vence o Tsukiji. No final, a cabeça diz sim e o coração, não", disse Beccat.

Os boxes cobertos e limpos do Toyosu contrastam com os do antigo mercado, cujas antigas instalações estavam expostas ao tempo e onde persistiam técnicas ancestrais.

No Toyosu, a técnica moderna garantirá supostamente uma higiene excelente, mas com ela desaparecerá grande parte do conhecimento herdado em quatro séculos de mercado de atum, primeiro em Nihonbashi e depois no Tsukiji.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, prometeu escutar os vendedores instalados no Toyosu, que já assinalaram alguns problemas, como o difícil trânsito para se chegar ao novo mercado e a falta de estacionamento para os caminhões, entre outros.

Os comerciantes temem ainda alagamentos com águas subterrâneas contaminadas, já que o mercado está sobre um aterro no mar onde já funcionou uma fábrica de gás.

"É um paradoxo que tenham construído o maior mercado de produtos frescos do mundo em um local como este", lamentou Beccat.

"É uma loucura, infernal, ainda não estamos acostumados", declarou Masatake Ayabe, que atende um cliente enquanto outro aguarda.

Muitos passeiam pelo mercado com mapas na mão, mas a atividade parece a todo o vapor nos trilhos que percorrem o novo local, que eram um dos símbolos do velho Tsukiji.

Além das peixarias, a mudança também afetou vendedores de frutas e vegetais do Tsukiji.

O mercado ao ar livre, que consiste em minúsculos restaurantes de sushi e barracas onde se pode encontrar de tudo, desde café a algas marinhas, será o único vestígio de Tsukiji que restará, a cerca de dois quilômetros do novo mercado.