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Títulos europeus afundam com aposta em aperto recorde do BCE

(Bloomberg) -- O mercado aposta na possibilidade de um aumento de juros sem precedentes do Banco Central Europeu e isso levou os títulos da região a despencarem.

Os operadores do mercado monetário precificaram pela primeira vez uma chance de 50% de um aumento de juros de 0,75 ponto percentual na reunião do BCE de setembro, que seria a maior alta de todos os tempos e levaria a taxa básica da zona do euro a 0,75%, o nível mais alto desde novembro de 2011. A virada seguiu uma reportagem da Reuters de que algumas autoridades querem discutir um aperto dessa magnitude.

Os rendimentos dos títulos alemães de dois anos - que são os mais sensíveis a mudanças na política monetária - subiram para 1,05%, o nível mais alto em mais de dois meses. A moeda comum subiu até 1,2%, para US$ 1,009, antes de reduzir seu avanço.

A alta dos preços de energia com os cortes de fornecimento de gás russo alimentou as apostas de que o BCE pode ter que tomar medidas mais agressivas para conter a inflação que já atinge níveis recordes. O Bundesbank da Alemanha disse que a inflação no país pode chegar a cerca de 10% no quarto trimestre.

Além disso, o euro permanece próximo do menor valor em relação ao dólar em duas décadas, agravando as pressões sobre os preços, pois torna as importações mais caras.

Os traders precificaram cerca de 62,5 pontos-base de aumento de juros até setembro, de acordo com swaps vinculados às datas de decisões do BCE, o que implica uma chance de 50% de um aumento de 75 pontos-base.

Alguns formuladores de política monetária do BCE querem discutir um aumento de três quartos de ponto na taxa de juros no próximo mês, segundo a Reuters, que citou fontes. Um porta-voz do BCE não quis comentar, disse a Reuters.

O banco central elevou juros pela primeira vez em mais de uma década no mês passado, elevando sua taxa básica de -0,5% para 0%, e sinalizou que mais altas estavam por vir. No entanto, alguns analistas reduziram suas expectativas de quão alto o BCE acabará elevando o custo do dinheiro diante da desaceleração econômica.

A reprecificação de sexta-feira também coincidiu com comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que sinalizou que o banco central dos EUA continuará aumentando juros e deixara a taxa básica elevada por um tempo para conter a alta dos preços ao consumidor.

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