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Títulos da Colômbia expõem dilema enfrentado por países pobres

Ezra Fieser, Andrea Jaramillo e Oscar Medina
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Em um mundo de estímulos fiscais desenfreados, a Colômbia é um dos poucos países preocupados com seu déficit.

Enquanto os EUA avaliam um nova ajuda de US$ 1,9 trilhão e a União Europeia planeja um pacote de 1,8 trilhão de euros (US$ 2,2 trilhões) sem queixas de seus respectivos mercados de dívida, a Colômbia faz de tudo para não incomodar os que vigiam de perto os títulos do país. Depois que um gasto relativamente modesto com a pandemia aumentou o déficit, autoridades planejam US$ 5 bilhões em aumentos de impostos e cortes de despesas, além de vender outros US$ 5 bilhões em ativos estatais. Também prometeram reduzir a ajuda fiscal, apesar de a Colômbia enfrentar sua pior crise econômica.

É parte de um grande esforço da Colômbia - que está em dia com a dívida desde a Grande Depressão - para convencer investidores de que fará o que for necessário para permanecer como um dos poucos países com grau de investimento na América Latina.

Até agora, isso não tem sido suficiente. Os custos de financiamento na Colômbia dispararam durante a pandemia e seus títulos agora são negociados mais como junk, ou grau especulativo, do que como grau de investimento. Os títulos denominados em dólares com vencimento em sete a 10 anos rendem cerca de 2,5%, quase meio ponto percentual a mais do que seus pares com classificação semelhante, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Os responsáveis pela política monetária estão na corda bamba porque tentam apoiar a economia e não agravar os riscos da dívida pública”, disse Nikhil Sanghani, economista da Capital Economics, em Londres. “Em um mundo ideal, a Colômbia seria capaz de fazer mais e apoiar mais a economia.”

A situação destaca o tratamento desigual que países em desenvolvimento recebem quando seus pares desenvolvidos têm a oportunidade de aumentar seus déficits. Embora governos ricos possam pedir crédito e gastar sem se preocupar com a reação de investidores, países já sobrecarregados com a pobreza endêmica são forçados a economizar centavos e limitar a tão necessária ajuda econômica.

Vitor Gaspar, diretor do departamento de assuntos fiscais do Fundo Monetário Internacional, diz que a situação pode alimentar uma maior divergência de perspectivas econômicas em países ricos e pobres.

“Há países como os EUA, com amplo espaço fiscal, que podem proporcionar alívio para a economia”, disse em podcast da Bloomberg Surveillance em 29 de janeiro. “No outro extremo, temos países de baixa renda que basicamente tiveram que enfrentar a emergência da Covid-19 alterando a composição dos gastos públicos.”

A dinâmica também está em ação em outros países em desenvolvimento. No Brasil, investidores criticaram o auxílio na pandemia, embora tenham reconhecido a redução da pobreza e impulso da economia por um breve período. O mercado começa a especular que o Banco Central terá que aumentar os juros no próximo mês para defender a moeda. Já o novo governo da Romênia busca apaziguar investidores com a redução do déficit fiscal ao mesmo tempo em que enfrenta uma crise de saúde que resultou em um dos maiores números de mortes no leste da UE.

Mas a Colômbia parece um exemplo particularmente incômodo, em parte porque é um dos poucos países que cumprem de maneira confiável com as obrigações em uma região com alta inadimplência. Mesmo durante a década perdida da América Latina na década de 1980, quando mais de uma dezena de países entraram em moratória, a Colômbia pagou as dívidas.

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