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A técnica que ajuda a deixar os exercícios físicos mais fáceis

·5 minuto de leitura
Silueta corredor cansado atardecer
Silueta corredor cansado atardecer

Por que costuma ser tão difícil atingir nossos objetivos de saúde e boa forma?

Isso é o que a cientista comportamental da Universidade de Nova York Emily Balcetis vem tentando entender nos últimos 20 anos.

"O problema não é necessariamente a nossa motivação, porque mesmo quando estamos motivados ainda assim é difícil", diz ela.

Sua pesquisa sugere que parte do problema é a maneira como vemos o mundo ao nosso redor.

"Não percebemos que nossos olhos, que achamos nos dizerem a verdade sobre como o mundo realmente é, são na verdade parte do motivo pelo qual não estamos caminhando o suficiente ou correndo o quanto gostaríamos e que estamos desistindo de nossos objetivos antes de alcançá-los", diz Balcetis.

Por que as pessoas acham mais difícil fazer exercícios do que outras tarefas?

"Enquanto tentava descobrir isso, conversei com um grupo de atletas olímpicos e perguntei: 'para que você está olhando quando corre rumo à linha de chegada?'"

"Achei que eles seriam grandes 'consumidores' de seu mundo visual, prestando atenção nas pessoas contra as quais estão competindo, olhando para frente e para trás... mas me enganei. O que eles fazem é manter o foco na linha de chegada", diz z pesquisadora.

"E me perguntei: podemos nós, que não somos atletas olímpicos, aprender a fazer o mesmo e isso pode nos ajudar a melhorar a qualidade de nossos exercícios?"

O teste

Linha de chegada
Foco visual na meta pode, segundo Balcetis, ajudar na prática de exercícios físicos

Balcetis elaborou então um estudo em que dois grupos de voluntários tinham que caminhar rapidamente para uma meta com pesos nos tornozelos.

O primeiro era um grupo de referência. Eles eram orientados a andar normalmente.

O segundo era o grupo de intervenção, que foi treinado para manter os olhos focados exclusivamente na linha de chegada.

"Dissemos a eles que tentassem não olhar em volta, que eles imaginariam que havia um holofote brilhando bem na linha de chegada, como se você tivesse uma venda ao lado dos olhos e tudo o que você pudesse enxergar é para onde está tentando ir", explicou a cientista.

Antes do teste, os dois grupos foram solicitados a estimar a distância até a linha de chegada.

O grupo de intervenção calculou que a distância era 30% mais próxima do que a estimada pelo grupo de referência.

A corrida foi concluída, e o grupo de intervenção chegou mais rápido.

"O ritmo deles aumentou 23% e, mais importante, eles disseram que não doeu tanto, 17% menos."

"Não houve nada diferente no teste, o que mudou foi a sua mentalidade", afirma Balcetis.

Enfoque mental

O estudo de Balcetis indica que o foco visual e o foco mental estão conectados. Isso significa que a percepção das pessoas sobre os exercícios pode ser alterada para tornar as tarefas mais fáceis.

"Ao focar estreitamente sua atenção visual, as pessoas pensaram: 'Este exercício não será tão difícil. Sou capaz de chegar ao objetivo muito rapidamente. Eu acredito em mim mesmo'."

"Essa mudança no foco visual levou a uma mudança em seu foco mental e a uma autoavaliação de sua capacidade de completar este exercício."

"O legal é que essa tática pode funcionar independentemente de as pessoas já estarem em forma ou não", diz a pesquisadora.

Yoga
Yoga

"Quando você pratica balé ou ioga, para conseguir se equilibrar ou para ser capaz de manter posições que não são naturais, é muitas vezes aconselhado a focar visualmente em um determinado ponto."

"Se você não fizer isso no balé, vai ficar tonto enquanto gira. Se você não fizer isso na ioga e não se concentrar em um ponto, vai cair", diz ela.

Há muitos casos em que praticamos esse tipo de abordagem visual e descobrimos que isso melhora nosso desempenho.

Mas manter o foco visual por longos períodos pode ser difícil.

Esta não é uma estratégia que funcione durante, digamos, toda uma corrida de 5 km, porque também pode ser algo exaustivo.

Balcetis diz que "na verdade, o que descobrimos é que existe um ponto ideal para usá-la: quando você está cansado, naquele momento em que está prestes a decidir entre jogar a toalha e seguir em frente, e quando você precisa daquele último empurrão para literalmente cruzar a linha de chegada."

"Alguns dos que correm mais rápido ou mais longe alternam entre um foco visual amplo e um foco visual mais estreito. Quando precisam de um pouco mais de energia, estreitam o foco."

"Esse foco de atenção é uma ferramenta", ela diz.

Mas para que essa ferramenta funcione, a pessoa tem que querer se exercitar.

"Para quem estava sem rumo, cuja motivação estava no chão, essa tática não funcionou", Balcetis alerta.

A importância da mente

Quando se trata de estar em forma, sua mente pode ser tão importante quanto seus músculos.

"Isso foi muito estudado" explica a pesquisadora. "O trabalho que meus colegas da Universidade de Nova York fizeram mostra que, quando acreditamos que algo é impossível, há mudanças reais e legítimas em nosso corpo."

Mulher fazendo exercicio
A atitude é crucial para o desempenho na atividade física

"A pressão arterial sistólica cai. A pressão arterial sistólica é um marcador fisiológico de nossa mentalidade psicológica. Quando estamos nos preparando para fazer algo difícil, a pressão arterial sistólica aumenta antecipadamente."

"Quando começamos a dizer a nós mesmos 'isso é impossível', a pressão arterial sistólica cai: aquele indicador fisiológico da disposição de nosso corpo para agir está desaparecendo."

"O estado mental positivo, aquela fagulha de excitação e ânimo, pode nos dar a energia necessária para um desempenho melhor", diz Emily Balcetis

Então, você só precisa literalmente ver as coisas de maneira diferente?

"Com certeza", ela responde. "É possível mudar a forma como vemos o mundo. Podemos fazer isso simplesmente pensando conscientemente: "para o que estou olhando nesse exato momento?".

"Você pode aprender a fazer isso sozinho e pode ter resultados realmente fantásticos", diz ela.

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