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Suzano está "cautelosamente otimista" sobre demanda em 2021, aplica reajuste na China

·3 minuto de leitura
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SÃO PAULO (Reuters) - As incertezas em torno de novas ondas de Covid-19 no mundo e seus impactos sobre a economia deixam a Suzano "cautelosamente otimista" sobre as perspectivas do mercado global de celulose em 2021, embora a empresa avalie que poderá elevar produção e seguir no processo de redução de dívida.

Executivos da maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, com capacidade para 11 milhões de toneladas anuais, afirmaram nesta sexta-feira que a Suzano conseguiu implementar neste mês aumento de 20 dólares na tonelada de celulose vendida à China, que voltou ao patamar de 470 dólares, após quedas em trimestres anteriores.

Mas o mesmo não ocorreu nos Estados Unidos e na Europa, onde a pandemia de coronavírus segue impactando as economias, afirmou o presidente da Suzano, Walter Schalka.

"Somos cautelosamente otimistas. Mas tem eleição (nos EUA) e as ondas da pandemia...Não sabemos se vai haver novos lockdowns, quando vacinas vão ser implementadas...Apesar de sermos cautelosamente otimistas, estamos olhando com muita granularidade para o que está acontecendo", disse Schalka.

No terceiro trimestre, a Suzano teve vendas estáveis de celulose ante mesmo período de 2019, as vendas de papel tiveram leve incremento e a companhia conseguiu reduzir sua alavancagem para 4,4 vezes dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

As ações da companhia eram uma das poucas que subiam nesta sexta-feira, a 3,85% às 12h23, junto com os papéis da rival Klabin, que tinham ganho de 1,4%.

O diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal, mostrou otimismo para demanda por celulose no quarto trimestre.

"Todas as regiões em que atuamos melhoraram a demanda no terceiro trimestre...Este trimestre vai ser forte em produção de papel na China e isso tem a ver com alta na demanda doméstica e aumento de exportações para a região, o que é um impulsionador para a celulose", disse Aníbal.

"Fechamos o mês (de outubro) e concluímos negócios com o novo preço (470 dólares). Tivemos sucesso em implementar o reajuste...O ano de 2021, por causa de menores paradas para manutenção, indica que vamos produzir mais que 2020", afirmou o executivo sem dar detalhes.

Nesta semana, executivos da Klabin afirmaram que a empresa aplicará reajuste de 20 dólares na celulose vendida à China em novembro, seguindo o reajuste da Suzano, e que viam demanda pelo insumo e por papel como forte no quarto trimestre.

Para os três últimos meses do ano, a Suzano espera conseguir manter seu custo caixa ao redor de 600 reais a tonelada, mesmo patamar dos últimos dois trimestres, disse Schalka.

O executivo afirmou que a empresa tem olhado para oportunidades de crescimento, mas segue firme no propósito de reduzir a avalancagem para "nível adequado", que seria algo entre duas e três vezes, podendo chegar a 3,5 vezes se a empresa embarcar em um projeto relevante de expansão de capacidade.

"Imaginamos que com a geração de caixa que temos e com eventual aumento de preços, dependendo do câmbio, poderemos chegar a um patamar adequado até o final de 2021", disse o presidente da Suzano. Segundo ele, a empresa vai investir em uma nova fábrica de celulose, mas não sabe ainda quando.

"Estamos olhando as oportunidades. Neste momento estamos sendo mais cautelosos na aprovação de investimentos para o próximo período". O orçamento da Suzano para 2020 é de 4,2 bilhões a 4,3 bilhões de reais, o valor de 2021 só será conhecido no próximo ano.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de Aluísio Alves)