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Suu Kyi é condenada a 4 anos de prisão; críticos repudiam junta de Mianmar

·2 min de leitura
Foto de arquivo da ex-líder de Mianmar Aung San Suu Kyi durante entrevista coletiva em Tóquio em 2018

(Reuters) - Um tribunal de Mianmar, governada por militares, condenou a líder deposta Aung San Suu Kyi a quatro anos de prisão nesta segunda-feira devido a acusações de incitação e violação de restrições do coronavírus, disse uma fonte que acompanha os procedimentos, um caso que críticos descreveram como "farsa".

O presidente Win Myint também foi condenado a quatro anos de prisão, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. A corte emitiu seus primeiros veredictos de vários processos contra Suu Kyi e outros líderes civis detidos pelos militares no golpe de 1º de fevereiro.

Mianmar vive em tumulto desde que o golpe contra o governo democraticamente eleito de Suu Ky, de 76 anos, desencadeou protestos e provocou preocupações internacionais com a interrupção de reformas políticas incipientes na esteira de décadas de controle militar.

Suu Kyi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, está detida desde o golpe, assim como a maioria dos líderes veteranos de seu partido Liga Nacional para a Democracia (NLD). Outros estão no exterior ou escondidos, e nenhum porta-voz do partido estava disponível para comentar.

"As acusações são absurdas, concebidas como retaliação contra líderes populares. Por isso, os veredictos de culpa e as penas de prisão não são nenhuma surpresa", disse Richard Horsey, especialista em Mianmar do centro de estudos International Crisis Group.

Um porta-voz dos militares não respondeu a tentativas da Reuters de contatá-lo para obter comentários sobre a pena, que foi amplamente noticiada na mídia nacional.

Os militares não deram detalhes sobre onde Suu Kyi está detida e não ficou claro de imediato se o anúncio da pena significa alguma mudança imediata em suas circunstâncias.

O julgamento na capital Naypyitaw foi fechado à mídia e os veículos de informação pública da junta não mencionam os procedimentos. Os advogados de Suu Kyi estão proibidos de se comunicar com a mídia e o público.

Suu Kyi enfrenta uma dúzia de processos que incluem diversas acusações de corrupção, além de violações de uma lei de segredos estatais, uma lei de telecomunicações e regulamentos contra a Covid-19 que comportam penas máximas combinadas de mais de um século na prisão.

Suu Kyi e o corréu Win Myint receberam penas de prisão de dois anos por incitação e o mesmo período por violações de protocolos contra a coronavírus. Eles negaram as acusações.

Países ocidentais exigem a libertação de Suu Kyi e criticam os episódios de violência testemunhados desde o golpe, no qual cerca de 1.300 pessoas foram mortas, de acordo com grupos de direitos humanos.

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