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Como a sustentabilidade virou prioridade nas maiores empresas do mundo

Erik Paulussi
Ativista ambiental sueca Greta Thunberg durante painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça (Foto: AP Photo/Michael Probst)
Ativista ambiental sueca Greta Thunberg durante painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça (Foto: AP Photo/Michael Probst)

Quando o 50º Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, decide colocar como tema principal a discussão das mudanças climáticas como protagonista, é como se uma bola de futebol fosse alçada na área para o centroavante fazer o gol: as principais empresas do mundo começaram 2020 com olhares mais voltados à sustentabilidade.

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Além embate entre Donald Trump — um dos líderes que rejeita o aquecimento global — e a ativista ambiental Greta Thunberg, os painéis da principal conferência do mundo dos negócios evidenciam um movimento que grandes companhias aderiram no início deste ano.

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Para o professor José Roberto Kassai, membro da Superintendência de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo (SGE-USP), as mudanças climáticas já afetam a vida das pessoas — vide as queimadas na Austrália ou até mesmo as da Amazônia, em 2019.

"A gente vive uma fase que a questão de sustentabilidade não é mais algo romântico, como uma questão de princípios. Hoje é uma questão de inteligência. Quem não adotar uma mudança, ampliar a atuação das pessoas, empresas e governos não olhando só o econômico, está fadado a morrer", explica.

Com isso em mente, uma série de empresas acabaram de anunciar planos mais envolventes contra isso. A Microsoft, por exemplo, vai investir US$ 1 bilhão em tecnologias antipoluentes. A Nestlé prometeu US$ 2,1 bilhões para quem conseguir desenvolver plástico reutilizável no ramo alimentício. No Brasil, a Ambev anunciou o plano de acabar com o material em seus produtos até 2025.

Bons samaritanos?

Há outro fator que também adiciona mais vigor nessa corrida pela natureza: o dinheiro. Em 14 de janeiro, Larry Fink, CEO da investidora BlackRock e comandante de uma carteira de US$ 6,5 trilhões, escreveu uma carta onde afirmou que as mudanças climáticas são um risco de investimento.

Entre as medidas que sua empresa vai tomar, estão o corte de investimentos em companhias que se utilizam essencialmente de combustíveis altamente poluentes, como o carvão, e duplicação dos valores em fundos que agregam alto valor social.

Larry Fink, CEO da BlackRock, alertou para os perigos das mudanças climáticas aos investidores (Foto: LUDOVIC MARIN/AFP via Getty Images)
Larry Fink, CEO da BlackRock, alertou para os perigos das mudanças climáticas aos investidores (Foto: LUDOVIC MARIN/AFP via Getty Images)

"É realmente uma revisão deste sistema, olhando para aquilo que se apresenta no cenários das organizações e da sociedade. Uma percepção cada vez mais aguda do impacto das mudanças climáticas nos negócios e na vida das pessoas. Os efeitos do clima intensificado prejudicam acesso a insumos como solo, água….Questões que são relevantes para qualquer empresa em qualquer tempo", comenta Ricardo Voltolini, diretor-presidente da consultoria Ideia Sustentável, que trabalha com o tema nas principais empresas do pais há duas décadas.

Para o especialista, o aceno do mercado financeiro para questões verdes é como uma última trincheira de uma guerra para tomar ações mais poderosas em direção à realidade mais sustentável.

"Uma das ideias discutidas em Davos, trabalhada em alguns círculos acadêmicos na Europa, é essa ideia de propósito antes do lucro. As empresas deixariam de ser parte do problema e passariam a ser solução para dilemas de pessoas e do meio ambiente. Ela é muito disruptiva, muda muito a forma da empresa se ver", afirma.

Millennials podem ser a solução

A famosa geração Y, também conhecida como millennials, são pessoas nascida entre 1981 e 1996. Em estudos demográficos, essa faixa etária se mostrou mais consciente em relação a diversas causas — e inclusive pauta nela suas decisões de vida, como o consumo. Isso afeta diretamente o bolso das empresas.

Os millennials estão atingindo a faixa de 30 a 40 anos e, consequentemente, assumindo diretorias e cargos importantes nas empresas. Com a função, vem a mentalidade que vai transformando processos e introduzindo mais consciência na própria cultura empresarial — inclusive pensando em resultados positivos nos negócios. "Não adianta ter um fluxo de caixa hoje, mas adotar muita energia suja, ou poluir o meio ambiente. Uma empresa que não olha para isso, mesmo que esteja ganhando dinheiro naquele momento, perde muito valor no longo prazo", afirma Kassai, do SGE-USP.

Para Voltolini, essa conversão de fatores gera um grande otimismo para quem atua no setor ambiental. "Vamos começar a falar menos em sustentabilidade como ideia e mais como um novo propósito", diz.