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Sustentabilidade é mais importante que lucro para a maioria dos brasileiros, diz Febraban

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO FÉLIX DO XINGU, PA, 25.08.2019 - Jatobá na Terra Indígena Trincheira Bacajá, em São Félix do Xingu, no Pará, que teve parte de sua área invadida e desmatada por grileiros. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1908261409772373
***ARQUIVO***SÃO FÉLIX DO XINGU, PA, 25.08.2019 - Jatobá na Terra Indígena Trincheira Bacajá, em São Félix do Xingu, no Pará, que teve parte de sua área invadida e desmatada por grileiros. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1908261409772373

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A maioria dos brasileiros (77%) acredita que a adoção de boas práticas de sustentabilidade por empresas e governos deve ser uma prioridade, mesmo que isso prejudique os lucros e o crescimento econômico do país.

Os dados constam de uma pesquisa feita pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) em parceria com o Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), que apurou o envolvimento da população com os temas ESG (sigla em inglês para os príncipios ambiental, social e de governança corporativa).

A pesquisa foi feita por telefone com 3.000 pessoas das cinco regiões do Brasil, entre os dias 2 e 7 de setembro. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com um intervalo de confiança de 95,5%.

Segundo o levantamento, apenas 16% consideram o desempenho econômico mais importante, ainda que sob o risco de comprometer as iniciativas sustentáveis do setor público e privado.

Para 51% dos entrevistados, os cuidados com o meio ambiente devem ser compartilhados por todos. No entanto, quando os segmentos são colocados isoladamente, a atribuição de responsabilidade recai mais sobre o setor público.

Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados acham que governos e empresas públicas são os principais encarregados de cuidar da parte ambiental, enquanto 24% consideram as famílias e cidadãos, e 21% colocam as empresas privadas como as responsáveis. Apenas 7% citam ONGs e o terceiro setor.

A necessidade de incorporar boas práticas ambientais, sociais e de governança é unânime: 98% acham muito importante ou importante que elas sejam adotadas por cidadãos e famílias, e 96% por governos e empresas (mesmo número para ambas).

Na visão dos brasileiros, o aumento da adoção de práticas sustentáveis nos últimos cinco anos tem sido maior nas corporações (46%) do que entre as famílias e cidadãos (35%).

Contudo, 39% dos entrevistados não perceberam mudanças na atuação das empresas nesse aspecto, enquanto 9% consideram que a adesão a essas práticas no mundo corporativo diminuiu no país.

Quanto aos setores empresariais que têm adotado melhores práticas com o meio ambiente, as respostas ficaram divididas. Em questão estimulada de múltiplas alternativas, o agronegócio e a indústria foram os segmentos mais citados como primeira resposta.

Se considerado o total de menções, o agro passa à frente, com 25% das citações, contra 22% da indústria.

Além da avaliação e expectativa das pessoas sobre o tema, o levantamento também investigou o que mais preocupa os brasileiros em relação à sustentabilidade. Para 42%, bem-estar, saúde e renda das comunidades são as questões que mais preocupam.

Os entrevistados também foram questionados sobre cada pilar da agenda ESG. Na área ambiental, o que mais preocupa é o desmatamento (61%), seguido de aquecimento global e mudanças climáticas (52%).

No pilar social, emprego e renda foram citados por 71% das pessoas, enquanto na governança corporativa a preocupação maior é com o combate à corrupção (71%).

A pesquisa também apontou que as pessoas estão mais conscientes na hora de consumir, deixando de comprar de empresas com históricos negativos.

Para 92% dos entrevistados, iniciativas socioambientais influem sobre suas opiniões acerca de empresas ou marcas. Mais de um terço (35%) disse já ter deixado de consumir produtos ou serviços de alguma empresa com episódios de desrespeito ao meio ambiente ou ao bem-estar das pessoas e animais.

Outros 34% disseram ter parado de consumir porque a empresa estava envolvida em alguma denúncia ou não adotava boas práticas de governança corporativa.

Quase oito em cada dez entrevistados (77%) esperam que a legislação seja mais dura com as empresas em relação à sustentabilidade.

Para 13%, as leis brasileiras atendem a contento, e apenas 5% acham que as regras sobre a atuação ESG das empresas deveriam ser mais leves.

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