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Suspensão temporária dos testes da CoronaVac pela Anvisa foi "impensada" e "unilateral", diz Dimas Covas

João Conrado Kneipp
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Butantan Institute Director Dimas Covas speaks during a press conference at Butantan's headquarters in Sao Paulo, Brazil, on January 7, 2021. - The Butantan Institute announced today that the effectiveness of the CoronaVac vaccine, developed in partnership with the Chinese laboratory Sinovac, is 78% against COVID-19, and that it has already initiated the request for emergency use of the immunizer by ANVISA (National Health Surveillance Agency). (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Em novembro, a Anvisa anunciou a paralisação temporária da CoronaVac após um "evento adverso grave"

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, classificou como “impensada” e “unilateral” a atitude da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de suspender temporariamente, em novembro de 2020, os estudos da fase 3 da CoronaVac, vacina contra Covid-19 encabeçada por São Paulo em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech.

“Aquela suspensão dos estudos da CoronaVac foi, em um primeiro momento, uma atitude impensada, unilateral. Nunca imaginei que isso poderia acontecer em um país que vive uma plenitude democrática, com instituições consolidadas, abertas ao escrutínio público”, afirmou Covas, em entrevista ao UOL, na manhã desta segunda-feira (11).

Na noite do dia 9 de novembro, a Anvisa anunciou a paralisação do estudo da CoronaVac por um suposto “evento adverso grave” ocorrido no dia 29 de outubro, sem dar detalhes do que seria.

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O anúncio foi comemorado pelo presidente Jair Bolsonaro, dizendo nas redes sociais ter “ganhado” uma batalha política contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) atestou posteriormente que o “evento adverso grave”, na verdade, era a morte de um voluntário por suicídio.

A suspensão do teste clínico pegou próprio governo paulista de surpresa. À época, Dimas Covas afirmou que era “impossível” a relação entre "evento adverso grave" e com a vacina. A retomada dos testes clínicos da CoronaVac só aconteceu no dia 11 de novembro, dois dias após a suspensão.

“Aquela suspensão, no meio da noite e que tomei conhecimento pela mídia, aquilo foi um baque enorme para mim. Me emocionou do ponto de vista da preocupação”, completou Covas.

A decisão, ainda de acordo com o diretor do Butantan, abriu espaço para questionamentos a respeito da independência da Anvisa.

“Seguiu-se a discussão (sobre a interrupção) e isso levou ao próprio questionamento da independência da Anvisa. Quer dizer, a Anvisa passou a ser, de fato, objeto de escrutínio público. E a Anvisa tem que demonstrar, de fato, que é objetiva, que tem independência, que é um órgão de estado e que não está a serviço de A, B ou C”.

CORONAVAC NO PLANO NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO

Na última semana, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou que todas as doses disponíveis da CoronaVac produzidas pelo Instituto Butantan serão incorporadas ao PNI, e declarou que a pasta assinou um acordo para compra de 100 milhões de doses — 46 milhões até abril e outras 54 milhões de doses até o fim do ano.

A utilização da CoronaVac, no entanto, depende que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) conceda autorização para uso emergencial da vacina. O pedido foi protocolado na sexta-feira (8) na agência, que agora terá um prazo de até 10 dias para analisar todos os documentos enviados pelo Butantan dos estudos da fase 3 dos testes da vacina no país.

Pazuello afirmou que compra só foi possível devido à MP (Medida Provisória) que autoria a aquisição de vacinas antes do obtenção do registro na Anvisa. O acordo foi assinado no mesmo dia em que Butantan anunciou que a CoronaVac teve eficácia de 78% nos estudos realizados no Brasil.

O governo ainda não fixou uma data para início da vacinação no Brasil. Segundo o ministro, a o Ministério da Saúde trabalha com três datas diferentes, que variam entre 20 de janeiro ou até mesmo no início de março.