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Suspeita de corrupção na Saúde, Covid, luz mais cara e reforma do IR empurram dólar de volta aos R$ 5

·4 minuto de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A CPI da Covid, a crise da Covaxin, a cepa delta do coronavírus, a conta de energia elétrica mais cara e a reforma tributária proposta pelo governo deixaram o mercado agitado e empurraram o dólar de volta para R$ 5 nesta quarta-feira (5).

Por volta das 14h50, a moeda subia 1,1%, a R$ 4,9970. Na máxima, foi a R$ 5,024, segundo dados da CMA. O Ibovespa recuava 0,54%, a 126.634,10 pontos.

A revelação pela Folha de S.Paulo na noite desta terça-feira (30) que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias -exonerado na terça, após a reportagem- teria pedido a um vendedor propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19 em troca de um contrato com o Ministério da Saúde contaminou ainda mais o cenário.

"Obviamente, está todo mundo acompanhando esta nova descoberta. Vamos ver como isso vai se desenrolar, mas causa um pouco de pressão no mercado", diz Vanei Nagem, responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos.

Investidores também aguardam dados sobre o mercado de trabalho americano, que podem influenciar a direção da política monetária do país e, consequentemente, o preço do dólar.

"O mercado brasileiro está sendo impactado pela reforma tributária e pela CPI da Covid, que traz informações bombásticas do governo federal. Apesar da Bolsa não enxergar muito para isso, deixa o ambiente mais pesado", diz Rodrigo Friedrich, diretor de renda variável da Renova Invest.

O ruído político em torno das denúncias pode contaminar as discussões que estão acontecendo no Congresso, como a reforma do Imposto de Renda, avalia Pietra Guerra, analista da Clear Corretora.

Beyruti, economista da Guide Investimentos, concorda. "Enquanto as incertezas quanto à reforma tributária seguem tirando fôlego dos ativos locais, a nova acusação de corrupção contra o governo na compra do imunizante da AstraZeneca promete manter tensões elevadas em Brasília", disse Beyruti.

Segundo especialistas, a notícia representa escalada nas investigações da CPI da Covid-19 no Senado. "A CPI ajuda a fragilizar a situação do Executivo", afirma Dan Kawa, diretor da TAG Investimentos. "As propostas de reformas vindas do Executivo devem 'custar mais caro' politicamente, assim como sua posição política perante a sociedade fica mais fragilizada à medida que o tempo passa."

O maior peso para o dólar nesta quarta, porém, é o da formação da Ptax (taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base na média do mercado) de fim de mês.

A taxa é usada como referência do câmbio. Ela é calculada diariamente pelo BC com base na média de compra e venda do mercado. A autarquia consulta esta média quatro vezes ao dia: entre 10h e 10h10; entre 11h e 11h10; entre 12h e 12h10; e entre 13h e 13h10.

Na última consulta, o dólar Ptax estava a R$ 5,0074, com a média desta quarta a R$ 5,0022, ambos na venda.

Investidores também olham para o impacto das mudanças propostas pelo governo federal no Imposto de Renda e para a crise hídrica.

Na terça (29), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) subiu em 52% o valor da bandeira vermelha nível 2, que passará a R$ 9,49 por cada 100 kWh (quilowatts-hora consumidos) e deve ter um impacto de 8,12% na conta del luz, Segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas).

"O aumento do custo preço da energia joga a inflação lá para cima, até porque boa parte da produção e consumo gasta muita energia elétrica, e tem um peso grande no aumento de preço medido pelo IPCA, podendo, sim, pressionar uma alta mais acelerada do aumento de juros", afirma Pietra.

O cenário interno conturbado é alimentado ainda pela variante delta do coronavírus, que pressiona os mercados globais. O índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,68%, a Bolsa de Londres recuou 0,7% e a da Alemanha, 1%. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 tem alta marginal de 0,05%. Dow Jones sobe 0,50% e Nasdaq recua 0,14%.

"O que está trazendo esse tom de cautela para o cenário internacional é a variante delta do coronavírus, que é indicada como aquela que tem a disseminação mais rápida e já trouxe medidas restritivas na Europa, Austrália também determinou lockdown em algumas cidades recentemente, e pode ser um desafio para a economia global", diz Pietra.

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