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Surto de gripe: Rio receberá 160 mil doses da vacina até o fim da semana

·9 min de leitura

RIO — O Rio deve receber até o fim da semana mais de 160 mil doses de vacinas contra a gripe. A imunização contra a doença está suspensa na capital desde a última sexta-feira pela falta de doses. Nas últimas semanas a cidade do Rio vive um surto da Influenza, que causou um aumento de 400% no número de atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do governo estadual.

Segundo o Ministério da Saúde, a pasta está remanejando doses da vacina influenza de outros estados para atendimento da demanda do Rio.

De acordo com a secretaria estadual de Saúde já foram vacinadas mais de 4,4 milhões de pessoas em todo o Rio, mas deste total apenas 58,4% da população do público-alvo da campanha receberam o imunizante.

Com um surto de gripe, a cidade do Rio registrou, em um intervalo de duas semanas, mais que o dobro de pessoas com sintomas respiratórios leves. Dados do Painel Covid da prefeitura do Rio apontam que, na semana 45, entre os dias 7 e 13 de novembro, foram quase 12 mil casos. Já na semana epidemiológica 47, entre 21 e 27 de novembro, 25,7 mil cariocas começaram a ter sintomas de gripe, um aumento de 115%.

O Ministério da Saúde define como casos de síndrome gripal aqueles em que o paciente relata ao menos dois dos seguintes sintomas: febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos.

O recorde semanal de pessoas apresentando um quadro respiratório leve foi no fim de agosto, ainda no inverno carioca, quando quase 57 mil pessoas foram diagnosticadas com síndrome gripal. O índice estava abaixo de 25 mil casos há sete semanas seguidas e agora volta a ficar no mesmo patamar que no fim de sembro.

Com o aumento de pessoas que buscam as unidades de saúde por atendimento com medo de estarem infectadas com a Covid-19, o número de testes para coronavírus também cresceu na cidade no mesmo intervalo. Na última semana foram 18.438 testes para diagnosticar a Covid-19, mas apenas apenas 1% deram positivo para a doença.

De acordo com a secretaria municipal de Saúde, o mapeamento viral aponta que, entre os casos de Síndrome Gripal não-covid, 95,5% são causados pela influenza A (H3N2).

Segundo a prefeitura do Rio, os bairros com maior número de casos são Rocinha, Vila Kennedy, Barra da Tijuca, Alemão, Ilha do Governador e Tijuca. Não há registro de óbitos pela doença.

Um dia após pacientes descontes impedirem que uma médica deixasse a UPA de Rocha Miranda ao fim do plantão, quem procura a unidade na manhã desta terça-feira é orientado por funcionários a procurar outra unidade da rede. Como não há médicos no local, a recomendação é que pacientes se dirijam aos postos de Marechal Hermes, Irajá, Madureira e até Costa Barros, também na Zona Norte. O GLOBO esteve na unidade às 8h40 e ficou até 10h. Ao menos 20 pacientes relataram sintomas como febre, dor no corpo e tosse e não tiveram atendimento.

Um dos pacientes foi o vendedor Carlos Albetto Ferreira de Vasconcelos Júnior, de 27, anos. Morador de Tiriaçu, a pouco quilômetros da UPA de Rocha Miranda, ele foi o local em busca de assistência médica. Depois de ser informado que não tinha atendimento, ele quase desmaiou e foi auxiliado pela irmã.

— (Estou sentindo muita) Dormência no corpo e comecei a suar frio agora de manhã. Eu estou assim há cinco dias. Com febre, dor no corpo e pressão alta. Agora não sei o que fazer. Vou ter que ir a Marechal Hermes para receber atendimento. É muito triste isso — desabafou.

A merendeira Ana Cristina Rodrigues da Silva, 38 anos, também esteve no local. Ela lembrou que a UPA está vazia porque não tem médicos. O GLOBO foi informado por funcionários do local que há pelo menos uma semana não há médicos em número suficiente.

— Eu vim tentar atendimento porque estou com dor no corpo, febre, cansaço, mas cheguei aqui e não tem atendimento. A UPA está vazia e não há funcionário.

A situação é triste. O sentimento é de tristeza e imponência. Vou ter que ir para Marechal e espero que tenha atendimento — disse a mulher, que completou:

— Eu acho que estou com influenza.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde (SMS), mais de 21 mil pessoas foram atendidas e diagnosticadas com crime nas últimas três semanas na capital fluminense. Por sua vez, a Secretaria estadual de Saúde (SES) diz que a média de atendimento de pacientes com suspeita da doença saltou de 189 por dia, entre 16 e 21 de novembro, para 1.000 diariamente na semana seguinte. Isso equivale mais de 400% de aumento.

Já a técnica de enfermagem Adriana Cristina Fomes da Silva, de 43 anos, tem peregrinado desde cedo em busca de atendimento para o filho de 13 anos que está com sintomas de gripe. O adolescente não consegue andar.

— Ele está com muita dor de garganta , febre, náusea e prostrado. Fui à UPA de Irajá e não havia pediatria. Vim aqui na esperança de conseguir atendimento para ele e nada. Me mandaram lá para Madureira ou Costa Barros. É revoltante e triste ver isso, já que sou da área da saúde. Estou peregrinando com o meu filho de carro. Meu irmão está levando a gente. E se ele não tivesse carro? Teríamos que gastar muito dinheiro de passagem. O sentimento é de impotência. Vou a Madureira e, se não achar, terei que levá-lo a uma clínica particular.

Quem procurou atendimento no espaço de saúde para a filha de 2 anos foi a autônoma Márcia Rayane Bernardes Gonçalves Silva, 25. Ela diz que Jasminny Gonçalves Silva está com febre, tosse e dor de garganta. A criança não recebeu atendimento.

— Vou para casa esperar meu irmão chegar para levá-la na UPA de Madureira. Infelizmente, não há médico.

A auxiliar de serviços gerais Renata de Jesus, de 46 anos, chegou à UPA de Rocha Miranda pouco depois das 9h30. Reclamando de muita dor no corpo, ele chorou e apelou por atendimento. Ela também esteve ontem no local e ainda não conseguiu uma consulta médica. Por mais de 19 horas ela tentou atendimento no local. Com uma amiga, ela conseguiu uma carona e foi para a UPA de Irajá.

— Estive aqui ontem, mas não havia médico. Cheguei de manhã e fiquei até 12h. Uma médica ontem teve que sair. Mandaram que eu voltasse à noite, mas continuou sem médico. Agora também não. Estou no limite, não estou aguentando mais. Sinto muita dor no corpo. Me ajudem.

Procurada, a direção da UPA de Rocha Miranda disse que um médico está fazendo o atendimento nesta terça-feira. No entanto, pacientes negam a informação.

Após chegar à UPA de Irajá, Renata, que mora em Coelho Neto e desde cedo peregrina por atendimento, foi informada que nesta terça apenas um médico está na unidade. No entanto, ele precisou sair em uma ambulância para fazer atendimento. Os funcionários teriam dito que não existe previsão de volta do profissional nem de atendimento.

— O médico saiu, sem previsão de volta. Vou ficar porque não estou aguentando. Há muita gente lá dentro. Tem umas 60 pessoas na minha frente. Me deram uma pulseira para eu aguardar.

Mirian Nascimento da Silva Azevedo, 39 anos, e a filha de 1 ano conseguiram atendimento. Ambas chegaram antes das 7h30 e foram atendidas antes que o médico deixasse o local.

— Eu cheguei às 7h30 e só consegui atendimento depois das 10h. Tem vindo muita gente de fora para cá e por isso está demorando. Eu e minha milha estamos com gripe e teremos que nos medicar.

A aposentada Selma Luiz Coutinho, 64, esteve na UPA de Irajá para receber atendimento do marido que está internado. No entanto, foi informada que nenhum especialista poderá recebê-la para passar detalhes do quadro clínico do companheiro.

— Ontem estava muito cheio e hoje também. Meu marido está internado aqui e não eu consegui falar com o médico porque ele não está. Quero informações para transferi-lo, mas a direção me disse que, por conta da gripe, os hospitais estão lotados e ele terá que ficar aqui.

Nem nas tendas montadas pela Secretaria estadual de Saúde em UPAs para os casos de gripe estão dando conta da demanda. De acordo com pacientes, a sala de espera está lotada e as pessoas esperam a vez do lado de fora.

A açougueira Daniella Dias Letra, 32, foi com a mãe até a UPA de Marechal Hermes após passar por pelo menos outras três unidades em busca de atendimento para si e as filhas. Sentindo muita dor no corpo e febre, ela usava um cobertor para se aquecer.

— Sinto dor no corpo há alguns dias e piorou ontem. Procuro médico há cerca de uma semana e não tenho encontrado médico. Fui no (Hospital estadual) Getúlio Vargas, na UPA de Rocha Miranda e no PAM de Irajá e nada. Hoje consegui aqui. Mas tem muita gente. Muita gente mesmo — Daniella.

O bombeiro hidráulico Alexandre Astolfo de Oliveira, 46, voltou na UPA de Marechal Hermes nesta terça para acompanhar o filho de 21 anos que está com suspeitas de influenza. No último sábado, ele diz que já havia estado na unidade de saúde para acompanhar a filha de 20 anos que foi diagnosticada com gripe.

— Minha filha veio no último sábado, não foi atendida e voltou para casa porque estava muito cheio. Veio ontem e deram apenas um remédio para gripe. Não fizeram exames e nem nada. Agora eu vim com o meu filho que também está com os sintomas. Ele está na fila esperando para ser atendido. Na última vez, a minha filha demorou mais de duas horas para ser atendida — destacou.

A Secretaria estadual de Saúde reforçou o atendimento da gripe com tendas nas UPA de Botafogo, de Marechal Hermes e Tijuca. Existem expectativas de serem instaladas tendas nas seguintes unidades: Penha e Jacarepaguá. As UPAS da Penha e do Engenho Novo também estão recebendo uma alta procura por atendimento.

Alexandre Teles, presidente do Sindicato dos Médicos disse à TV Globo que “a questão da falta de médicos nos hospitais de urgência e emergência e nas unidades de pronto atendimento não é uma questão nova”.

— Agora com a pandemia e com o surto da gripe isso (a falta de médicos) se torna mais evidente. Profissionais da rede municipal não têm planos de carreira e os plantões estão superlotados. Em locais que deveriam ter seis , sete pessoas, estão sendo contratadas duas três vagas.

Em nota, a Secretaria municipal de Saúde afirmou que há 14 UPAs administradas pela pasta na cidade. "Nesta terça-feira (7), há dois médicos atendendo na UPA de Rocha Miranda. No momento, a Empresa Pública de Saúde (RioSaúde) está com inscrições abertas em processos seletivos para a contratação de médicos para todas as UPAs sob sua gestão, incluindo a de Rocha Miranda", diz a nota.

A Secretaria de Estado de Saúde informa que hoje há 28 UPAs sob responsabilidade da SES. "Nesta terça-feira, havia três clínicos e um pediatra atendendo na UPA Irajá. Foram registrados, das 8h até as 16h, 117 atendimentos, sendo 22 por síndrome gripal. As equipes médicas também se dedicam ao atendimento de sete pacientes internados na sala amarela e dois na sala vermelha da unidade", diz a pasta, em nota.

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