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Surto de gripe: média de atendimentos diários em UPAs estaduais no RJ sobe de 189 para mil em uma semana

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Abatido, Alysson Patrick Gonçalves, de 21 anos, aguardava atendimento médico, no início da tarde desta terça-feira, deitado em frente à UPA Copacabana, na Zona Sul do Rio. Morador de São João Meriti, o tatuador foi trazido de lá por sua ex-namorada, Fernanda Sibral, também de 21 anos. Ela resolveu buscar ajuda para Alysson depois de percorrer outras unidades, como a própria UPA de São João de Meriti e as de Duque de Caxias, e vê-las abarrotadas, com filas se estendendo rua afora.

Mas o cenário encontrado em Copacabana não foi diferente. Ao longo do dia, pessoas tossindo e espirrando se aglomeravam dentro e fora da unidade. Algumas resolveram ir embora, queixando-se de desorganização e de profissionais desatentos. Quem resolveu (ou precisou) permanecer teve de enfrentar uma bateria de desafios, como o desconforto — muitos esperaram a consulta em pé ou sentados no chão — e, claro, a longa espera, que em alguns casos chegava a seis horas.

— Nem dormimos, porque ele estava passando muito mal. Chegamos às 10h30 por enquanto só passamos pela etapa de classificação de risco — contou Fernanda ao GLOBO por volta das 13h. — Ele está com febre, dor de cabeça, tontura, enjoo, catarro e vertigem. Acreditamos que seja Influenza, porque ele já está vacinado com as duas doses contra a Covid-19, mas não contra a gripe — completa a mulher, que também contraiu a Influenza, mas, ao contrário de Alysson, estava vacinada e acabou desenvolvendo sintomas leves.

A UPA Copacabana compõe a rede estadual de UPAs, na qual foi registrado um aumento de 429% de casos de síndrome gripal nos últimos sete dias, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). No período de 16 a 21 de novembro, a demanda de atendimentos diários teve uma média de 189 registros. Na semana seguinte, de 22 a 28 de novembro, o indicador subiu para 1.000 atendimentos por dia, a maioria em adultos.

Embora entre os pacientes haja infectados pela Covid-19, pesquisas laboratoriais sugerem que a explosão de casos em todo o estado decorre do surto de gripe, notado primeiramente na capital. De 16 a 22 de novembro, a taxa de positividade para testes de RT-PCR para Influenza, colhidos por amostragem e feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, o Lacen-RJ, foi de 7%. O indicador saltou para 41% no período de 23 a 28 de novembro.

Autoridades consideram o aumento de casos da doença atípicos para esta época do ano, já que a Influenza tem maior circulação durante períodos mais frios, como o inverno. Por isso, o governo estadual atribui o fenômeno à baixa cobertura vacinal dos grupos prioritários (crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes, puérperas, idosos e pessoas com comorbidades ou com algum comprometimento do sistema imunológico).

Segundo a SES, das quase 4,5 milhões de pessoas vacinadas contra a gripe em todo o estado pela atual campanha, apenas 58,4% fazem parte do público-alvo, mais vulnerável aos efeitos da Influenza. Apesar disso, frente ao surto que se alastra pelo Rio, a Gerência de Imunizações da SES resolveu abrir a força-tarefa de vacinação para todas as idades, independentemente do perfil clínico, até que os estoques se esgotem.

Na capital, isso já aconteceu. Nesta terça-feira, a campanha de imunização do município foi suspensa por falta de doses. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde (SMS), a situação deve ser regularizada até amanhã, com a chegada de novos frascos. Nesse meio-tempo, alguns não vacinados foram ao posto tentar a sorte.

Pouco após o anúncio da interrupção na campanha, a fila no posto próximo à UPA Copacabana, no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, por exemplo, fazia voltas. A unidade ainda distribuía algumas doses restantes, que foram disputadas. Embora na multidão houvesse também quem procurasse a vacina contra a Covid-19, a maioria dos presentes desejava se imunizar contra a gripe.

Era o caso de Jaqueline Gomes, de 60 anos, que também precisava tomar a dose de reforço da vacina contra o coronavírus.

— Fiquei apreensiva com esse surto. Acho que todo mundo tem que se cuidar. Soube da suspensão, mas resolvi tentar mesmo assim, até porque também preciso tomar a vacina da Covid — diz ela.

Os servidores do posto distribuíam fichas coloridas para diferenciar quem iria se vacinar contra a Covid-19 de quem iria se vacinar contra a gripe. Membro do segundo grupo, a empreendedora Vanessa Morais, de 33 anos, chegou ao local antes que a suspensão da campanha fosse anunciada, a tempo de receber a sua fichinha. Ela foi pega de surpresa pela notícia:

— Fico aliviada por saber que vou conseguir me vacinar. Minha mãe teve sintomas, mas, como estava vacinada, foi mais tranquilo — diz. — Deu um medo esse surto. Mas, tomando a vacina, a gente fica mais seguro.

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