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Surface Duo: o celular com duas telas que pode ser revolucionário

Finanças Internacional
·5 minutos de leitura
Foto: Associated Press/Mark Lennihan
Foto: Associated Press/Mark Lennihan

O Surface Duo chegou. A Microsoft desenvolveu um celular Android dobrável com duas telas, e não existe nada parecido no mercado. É claro que já existem celulares dobráveis e celulares com duas telas, mas a Microsoft conseguiu combinar muito bem os dois conceitos, apesar de alguns contratempos.

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Por exemplo, o software ainda é um pouco temperamental, mas já melhorou bastante com uma atualização antecipada lançada pela Microsoft. Além disso, o desempenho é mais lento que o dos celulares líderes do mercado, e o sistema de câmeras não é lá essas coisas.

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No entanto, considerando que essa é apenas a primeira geração de um dispositivo criado para melhorar a produtividade, o Surface Duo tem tudo para ser uma grande revolução.

As telas do Surface Duo

O Surface Duo foi desenvolvido em formato de livro: a parte externa, coberta de vidro, funciona como capa quando está fechado. Em uma das extremidades, o dispositivo tem um leitor de impressão digital integrado e, na outra, uma dobradiça cromada brilhante que une as duas telas.

Foto: Dan Howley / Yahoo Finance
Foto: Dan Howley / Yahoo Finance

Quando está aberto, o Duo exibe as duas telas PixelSense de 5,6 polegadas. Juntas, elas formam a tela PixelSense Fusion de 8,1 polegadas, de acordo com a Microsoft.

Quando está fechado, o Duo surpreende porque é bem fino, só um pouco maior que o iPhone 11 Pro. Aberto, ele é ainda mais fino. Então, quem está apreensivo com o espaço que ele pode ocupar no bolso pode ficar tranquilo.

É estranho não ver a tela, mas também é um alívio não ficar recebendo notificações o tempo todo. Se preferir, o usuário pode deixar o Duo totalmente aberto com a dobradiça de 360 graus. Assim, as duas telas ficam sempre disponíveis.

O Surface Duo é surpreendentemente fino para um celular de duas telas. Foto: Dan Howley
O Surface Duo é surpreendentemente fino para um celular de duas telas. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)

Usar o Duo dessa maneira exigirá escolher um dos painéis. O software especial do celular detecta em que orientação ele está e ilumina a tela para a qual o usuário olha. Se isso não acontecer automaticamente, basta tocar duas vezes na tela desejada.

O Duo também pode ser usado em forma de "barraca" para ver filmes ou manter apps como o Slack ou o Teams abertos enquanto trabalha e não perder as mensagens dos colegas.

Uso de apps nas duas telas

As duas telas são impressionantes. Apesar de as telas terem uma pequena distância entre si, é possível arrastar e soltar conteúdo de uma para outra em vários apps. Por exemplo, é possível destacar um texto no Outlook em uma tela e arrastar para o Word na outra. Essa função ainda não está disponível em todos os apps, mas espero que a Microsoft trabalhe com os desenvolvedores para possibilitar isso.

Você pode usar dois apps diferentes em cada tela, e pode até fazer com que eles interajam em alguns casos. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)
Você pode usar dois apps diferentes em cada tela, e pode até fazer com que eles interajam em alguns casos. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)

Às vezes, o Duo não consegue definir em que orientação está. Ainda assim, não dá para ignorar os benefícios de usar vários apps em duas telas diferentes ao mesmo tempo. Por exemplo, eu consegui editar um artigo em um dos painéis e, ao mesmo tempo, responder mensagens no Slack no outro. Também olhei o feed do Instagram enquanto assistia a episódios antigos de "It’s Always Sunny in Philadelphia".

Há muitas vantagens em usar os apps dessa forma. Além disso, com o sistema operacional Android, do Google, o Duo dá acesso a milhões de apps na Google Play Store.

Também é possível expandir um só app para ser usado nas duas telas. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)
Também é possível expandir um só app para ser usado nas duas telas. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)

Também é possível expandir os apps para ocupar as duas telas. No Outlook, por exemplo, dá para visualizar a caixa de entrada na tela direita e ler as mensagens na tela esquerda.

Uso do Duo como smartphone

Quer saber como é usar o Duo como smartphone? Vamos começar pela câmera.

A câmera fica dentro do telefone e serve tanto para selfies quanto para fotos padrão. Então, é preciso abrir o Duo para começar a tirar fotos. Além disso, quando testei, o Duo teve dificuldades para definir se eu estava tentando tirar uma selfie ou uma foto de outra coisa, então acabei tirando vários closes da minha cara sem querer.

Esta foto tirada com o Surface Duo demonstra a dificuldade da câmera em capturar luz e detalhes. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)
Esta foto tirada com o Surface Duo demonstra a dificuldade da câmera em capturar luz e detalhes. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)

A qualidade das fotos é inferior à do iPhone 11 Pro Max, da Apple, e até à do $349 Pixel 4a, do Google. O Duo não consegue registrar tantos detalhes, então as imagens ficam borradas e fora de foco.

A mesma foto tirada com um iPhone 11 Pro Max mostra quão distantes os dois smartphones estão em termos de câmeras. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)
A mesma foto tirada com um iPhone 11 Pro Max mostra quão distantes os dois smartphones estão em termos de câmeras. (Foto: Dan Howley / Yahoo Finance)

No geral, o desempenho é bom, mas percebi uma certa lentidão na hora de tirar fotos. Isso é um pouco estranho, já que o Duo tem 6 GB de RAM e utiliza o processador Snapdragon 855 da Qualcomm.

A boa notícia é que a duração da bateria do Duo é impressionante. Ele aguentou o dia todo funcionando e ainda tinha bateria no dia seguinte.

Comprar ou não comprar?

Por US$ 1.399 e com bugs para resolver, o Surface Duo é como uma demonstração dos planos da Microsoft para o futuro no setor de smartphones. É uma estratégia parecida com a da linha Surface original: apresentar a ideia, aperfeiçoar com o tempo e só depois lançar um produto ótimo, à altura dos concorrentes.

Por enquanto, vai ser difícil vender o Duo. No entanto, a Microsoft merece ser reconhecida por assumir esse risco enorme. No futuro, isso pode valer a pena para a empresa, assim como aconteceu com o Surface original.

Daniel Howley

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