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Suprema Corte britânica examina caso de jovem que se uniu ao EI

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A Suprema Corte de Londres começou a examinar, nesta segunda-feira (23), o caso de Shamima Begum, a fim de decidir se esta jovem que se juntou à organização jihadista Estado Islâmico (EI) pode retornar ao Reino Unido para apelar da retirada de sua nacionalidade britânica.

Begum, agora com 21 anos, partiu para a Síria ainda adolescente em 2015 com duas colegas de classe.

Ela está atualmente em um campo de refugiados naquele país onde, aos 15 anos, se casou com um simpatizante do EI de origem holandesa e oito anos mais velho.

As autoridades britânicas retiraram sua nacionalidade em fevereiro de 2019, alegando preocupações de segurança e justificando que Begum poderia solicitar outro passaporte devido à origem de seus pais em Bangladesh.

No entanto, Bangladesh afirmou que a jovem nunca solicitou a cidadania e informou que a negaria.

Seu retorno ao Reino Unido representaria "uma ameaça à segurança nacional", argumentou nesta segunda-feira o advogado do Ministério do Interior, James Eadie, no primeiro dos dois dias de audiências.

"Não é justificável nem apropriado (...) expor o público a um risco maior de terrorismo", acrescentou.

Eadie lembrou de uma entrevista que a jovem deu ao jornal The Times em fevereiro de 2019, na qual ela disse não se arrependia de ter partido para o país em guerra, garantindo que levava uma vida "normal" na Síria e que não havia ficado "nada perturbada" ao ver uma cabeça decepada em uma lata de lixo.

No mês de julho, Begum obteve uma vitória histórica quando o Tribunal de Apelação britânico decidiu que seu retorno ao Reino Unido era a única "maneira justa" de contestar a decisão das autoridades de privá-la de sua nacionalidade britânica.

Uma decisão justificada, disse seu advogado, Lord Pannick, nesta segunda-feira.

Mas duas semanas depois, o governo foi autorizado a apelar para a Suprema Corte.

A falta de arrependimento expressa por Begum ao manifestar seu desejo de retornar ao Reino Unido chocou a opinião pública britânica, marcada por uma série de atentados perpetrados em 2017 e reclamados pelo EI.

Depois de fugir com seu marido - atualmente detido em uma prisão curda - dos combates no leste da Síria, Begum se viu em um campo de refugiados sírios em fevereiro de 2019, onde deu à luz um bebê que morreu semanas depois de nascer. Seus dois filhos anteriores, nascidos enquanto ela estava na Síria, também morreram.

bur-acc/mis/mr