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Super-ricos buscam hipotecas gigantes de olho em crédito barato

Ben Stupples
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- A cobertura no 15 Central Park West tem tudo o que alguém esperaria de uma propriedade de US$ 88 milhões: mais de 625 metros quadrados de espaço, um terraço que contorna o apartamento e vistas deslumbrantes de Manhattan.

Desde junho, o apartamento da família do bilionário russo Dmitry Rybolovlev tem um recurso extra disponível apenas para os super-ricos: uma hipoteca de US$ 42,5 milhões do JPMorgan Chase. Com juros de 2,9%, os pagamentos são de cerca de US$ 177 mil por mês.

Rybolovlev - que não quis comentar por meio de uma porta-voz - comprou o apartamento de Sandy Weill há cerca de uma década para sua filha Ekaterina. A família tentou vendê-lo alguns anos depois, quando os preços de imóveis caríssimos na cidade começaram a cair. Em vez disso, decidiram alavancar o ativo.

Embora a enorme hipoteca seja uma das maiores contratadas nos últimos meses, está longe de ser a única. Instituições têm aumentado a oferta de crédito a clientes importantes depois que bancos centrais cortaram as taxas de juros para proteger a economia dos efeitos da pandemia de Covid-19. Isso permite que os ultrarricos façam empréstimos para investir no mercado acionário, criptomoedas ou imóveis, mesmo com o desemprego persistente, que leva a inadimplência aos níveis mais altos desde 2010.

“Os juros estão baixos e, portanto, os clientes buscam tirar vantagem com alguma forma de dívida para ter acesso a dinheiro barato”, disse Casey S. Kriedman, consultor financeiro do Broad Group, uma unidade do UBS Global Wealth, em Nova York.

A tendência também é percebida nos dados dos meramente ricos. Após a forte queda durante os primeiros dias da pandemia, o número de empréstimos imobiliários gigantescos de US$ 766 mil ou mais aumentou mais de dois terços em agosto em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação de Bancos Hipotecários dos EUA. Outros fatores que impulsionam a tendência: mais pessoas compram imóveis maiores em áreas rurais ou mais distantes dos centros urbanos em busca de refúgio; proprietários optam pelo refinanciamento; e o mercado acionário está em alta.

“A ponta mais alta do mercado de hipotecas está muito focada nos retornos dos mercados financeiros”, disse Michael Fratantoni, economista-chefe da associação. “Isso tem fornecido recursos.”

Nova York é uma das poucas grandes cidades a divulgar publicamente dados de hipotecas. O magnata de outdoors Drew Katz obteve uma hipoteca de US$ 15 milhões em agosto para uma cobertura em Nova York que comprou há quatro anos por US$ 22 milhões, mostram os documentos. Em abril, o fundador de hedge fund Dan Och obteve uma hipoteca de US$ 50 milhões para um imóvel no Billionaire’s Row, em Manhattan, que adquiriu no ano passado. No mês seguinte, uma empresa dos EUA controlada pela herdeira mexicana Karen Virginia Beckmann - parte da família por trás da tequila José Cuervo - conseguiu uma hipoteca de US$ 19 milhões para um apartamento comprado há três anos na mesma área.

Um representante de Och e Beckmann não quis comentar, enquanto Katz não respondeu a um pedido de comentário feito por meio da fundação de sua família.

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