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Sul registra novo recorde de temperatura negativa, com -8,9 °C em SC

·5 minuto de leitura
***ARQUIVO***URUPEMA, SC, 14.06.2018: Termômetro de Urupema, em Santa Catarina, uma das cidades que se autointitulam ‘a mais fria do Brasil’. (Foto: Victor Parolin/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1806201615991355
***ARQUIVO***URUPEMA, SC, 14.06.2018: Termômetro de Urupema, em Santa Catarina, uma das cidades que se autointitulam ‘a mais fria do Brasil’. (Foto: Victor Parolin/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1806201615991355

CURITIBA, PR, RIO DE JANEIRO, RJ, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A forte massa de ar frio de origem polar que se espalha sobre vários estados brasileiros provocou geadas e temperaturas abaixo de zero em diversas áreas do país na madrugada e manhã desta sexta-feira (30).

Em Santa Catarina, o amanhecer congelante rendeu um novo recorde. Em Urupema, na Serra, os termômetros registraram -8,9 °C, às 7h. Segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram), essa é a menor temperatura do ano no estado e no Brasil.

A mínima mais baixa havia sido registrada na quinta-feira (29), em Bom Jardim da Serra, com -8,6°C. Ao contrário dos últimos dias, não houve registro de neve no Sul, mas as temperaturas caíram ainda mais.

Ao menos 29 municípios do Paraná amanheceram com temperaturas negativas nesta sexta-feira (30), segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). O cenário congelante foi mais extenso do que o registrado no dia anterior.

O recorde de temperatura negativa ocorreu em General Carneiro, no extremo sul do estado, onde os termômetros marcaram -7,3 °C. O distrito de Entre Rios, em Guarapuava, na região centro-sul, registrou -4,3 °C pela manhã.

Mesmo com médias mais amenas a depender da área, todas as regiões paranaenses registraram temperaturas menores do que 5 °C nas primeiras horas do dia - as mais altas só ocorreram no noroeste do estado.

Urupema (SC) registrou o recorde de menor temperatura do ano no país, com -8,9 °C Marleno Muniz Farias/Prefeitura Urupema Campo branco pela geada em Urupema **** Em Curitiba, pelo segundo dia consecutivo, a temperatura ficou abaixo de 0 °C, chegando a -0,6 °C. Pontos turísticos da cidade, como o Jardim Botânico e o Parque Tingui, amanheceram cobertos de branco pela geada forte.

Diante do frio extremo dos últimos dias, o governo do Rio Grande do Sul está promovendo um "cobertaço" nesta sexta-feira, com coleta de cobertores em um drive-thru montado em frente ao Palácio Piratini, sede do Executivo em Porto Alegre, entre 9h e 17h.

Segundo o governo, a campanha ocorre de forma intensificada, já que a procura por cobertores se intensificou e o estoque está reduzido.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou geada em dez pontos espalhados por todas as regiões do estado nesta manhã. Em Lagoa Vermelha e Santa Maria o fenômeno ocorreu de forma mais intensa, com os termômetros registrando temperaturas negativas.

As previsões apontam para o distanciamento da massa de ar polar da região sul do país nos próximos dias, com elevação gradativa das temperaturas a partir da tarde desta sexta.

"A massa de ar mais seca predomina sobre o Sul do Brasil e a condição é de tempo mais firme e estável. Esse final de semana ainda será de frio, especialmente nas madrugadas e amanhecer. No início da próxima semana também faz frio, mas não tão intenso como estes últimos três dias", informou o meteorologista do Epagri/Ciram, Marcelo Martins.

O frio intenso ultrapassou as barreiras do Sul e se espalhou para outras regiões brasileiras. Nos registros do Inmet, a geada apareceu até em Sorocaba (SP) e em Machado, no sul de Minas Gerais.

Belo Horizonte registrou nesta sexta-feira a menor temperatura do ano com 6,3 °C, superando a marca anterior para o período, de 7,6 °C, ocorrida no último dia 20.

Os dados são do meteorologista Lizandro Gemiacki, do Inmet na capital. Os 6,3 °C foram captados na estação Cercadinho, que fica no ponto considerado o mais frio do município.

Com a queda na temperatura na cidade, a prefeitura colocou em funcionamento plano de contingência para população de rua que vai vigorar até 5 de agosto.

Equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social vão, conforme o município, aumentar sobretudo no período noturno, as abordagens a quem vive nas ruas. O foco é tentar convencê-los a se dirigem a abrigos públicos.

Antes mesmo da temperatura na cidade bater novo recorde de baixa, o frio em Belo Horizonte já havia aumentado a procura por roupas de frio na rede de proteção a moradores de rua montada pela pastoral da arquidiocese da capital.

Na semana passada, conforme informações da entidade, ocorreu a entrega de 600 agasalhos, ante 400 na semana anterior. A pastoral recebe doações individuais e de grupos de apoio a pessoas carentes.

Já no Rio de Janeiro, a madrugada foi menos fria do que se esperava. Como várias capitais do Sul e do Sudeste, a cidade tinha chance de bater o recorde de menor temperatura do ano (8,4°C), mas atingiu a mínima de 12,6°C na região de Jacarepaguá (zona oeste), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Ainda assim, a prefeitura reforçou nos últimos dias as equipes que oferecem acolhimento às pessoas em situação de rua (mais de 60 aceitaram), criou vagas emergenciais em abrigos, retomou a campanha do agasalho e abriu pontos de apoio por 24 horas para distribuir alimentos, água, roupas e cobertores.

Desde terça (27), os cariocas também têm sofrido com a ressaca que atinge o litoral brasileiro de Santa Catarina até a cidade fluminense de Arraial do Cabo. Nesta quinta (29), o mar avançou sobre a avenida da praia no Leblon, na zona sul, por exemplo. Um trecho da via foi interditado, e a ciclovia ficou repleta de areia.

A Marinha emitiu um alerta dizendo que ondas de até quatro metros podem chegar à orla da cidade até a noite deste sábado (31). A recomendação é para que as pessoas evitem mergulhar, navegar ou praticar esportes e não fiquem em mirantes ou outros locais próximos ao mar durante esse período.

O motivo é um ciclone extratropical na costa do Uruguai e do Rio Grande do Sul que causa um vento forte no oceano, segundo o Climatempo. A lua cheia também ajuda a elevar o nível das marés e a altura das ondas. Como ela está alinhada com o Sol e a Terra, a força gravitacional é ainda maior.

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