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Sufoco de crédito piora para empresas chinesas com aperto do Fed

(Bloomberg) -- O mercado de crédito corporativo da China não consegue uma folga.

Primeiro foi a crise de dívida imobiliária, depois os lockdowns que arrastam a economia, e agora o aperto monetário do Federal Reserve que eleva o dólar e ameaça tirar mais dinheiro de mercados emergentes.

Indicadores de títulos em dólar chineses mostram o sufoco: os ativos tiveram perda recorde de cerca de 9% este ano, de acordo com um índice da Bloomberg. A emissão de títulos chineses caiu 38% em 2022 para o menor nível em seis anos. A participação dessas vendas no mercado de títulos em dólar asiático encolheu para mínima desde 2013, de 46%.

“Os investidores estrangeiros têm menos opções no mercado de títulos em dólar de alto rendimento da China devido à atividade de emissão reduzida”, disse Shuncheng Zhang, da Fitch.

Os tomadores de grau mais especulativo provavelmente recorrerão a cartas de crédito garantidas por bancos, e isso significará rendimentos mais baixos, de acordo com Zhang.

O epicentro dos problemas tem sido o mercado imobiliário, que sofre com a repressão do governo à alavancagem excessiva e uma série de inadimplências em incorporadoras, incluindo a gigante Evergrande. Esses problemas foram agravados mais recentemente pela inflação global, que levou vários grandes bancos centrais a aumentar as taxas de juros e reduzir o estímulo monetário.

Os movimentos subsequentes nos mercados de câmbio e juros intensificam a ameaça às notas corporativas chinesas.

O yuan caiu recentemente para seu nível mais baixo em relação à moeda americana desde 2020, um risco para empresas chinesas com dívidas em dólar se não tiverem hedge.

A moeda local mais fraca aumenta os custos efetivos para os tomadores pagarem o serviço da dívida denominada em dólar e aumenta os riscos de refinanciamento.

Mesmo assim, o yuan mais fraco não é um fator negativo para todas as empresas e deve beneficiar os exportadores, tornando os preços de seus produtos mais competitivos globalmente.

“Olhando para um horizonte de tempo de alguns anos, a depreciação do yuan até agora é bastante limitada, então ainda não é uma grande preocupação para os emissores”, disse Wu Qiong, diretora executiva do BOC International. Se a depreciação se tornar mais significativa, poderá impactar as finanças de outras empresas, “mas ainda não chegamos lá”, disse.

Mas outros riscos aumentam. O prêmio de rendimento da dívida do governo chinês em relação a dos EUA ficou menor, diminuindo o apelo de comprar ativos chineses mais arriscados.

Isso tudo também complica os planos das empresas chinesas que estavam pensando em levantar dinheiro no mercado externo. Alguns emissores recentemente abandonaram esses planos devido à volatilidade da taxa de câmbio, especialmente aqueles sem ativos no exterior como hedge natural, de acordo com Ben Wang, chefe de mercados de capitais de dívida offshore chinesa no Deutsche Bank.

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