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Pare de achar que o sucesso só depende de você

Desencane um pouco do sucesso: nem sempre é uma questão de merecimento (Foto: Getty Images)

Por Eliete Oliveira

Você já parou para pensar que se o Bill Gates tivesse nascido em outro país, possivelmente ele não seria Bill Gates? Se ele tivesse nascido, por exemplo, na Índia, provavelmente teria tido muito sucesso, mas talvez não chegasse a ser quem ele é.

Pense comigo: Bill Gates foi inovador? Sim. Teve uma visão que muitos não tiveram? Sem dúvida. Mas, não podemos negar, ele nasceu no lugar certo e sob condições bastante propícias para conseguir tudo o que conseguiu.

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Mas você pode dizer: “ah, já vi pessoas nascerem em condições extremamente difíceis e tornarem-se milionárias”. Sim, isso pode acontecer, mas o que quero mostrar, é que existem inúmeras variáveis ao longo do caminho e que nem tudo depende somente da nossa força de vontade.

Existem diversas circunstâncias, a maioria das pessoas não percebe, que podem ser determinantes para o rumo que nossa vida irá tomar. Na verdade, podemos dizer, que muito do que conquistamos depende não somente das nossas competências internas, como também de fatores externos (meio no qual fomos criados, lugar onde nascemos, oportunidades que temos ao longo da vida, etc...).

A vida não é como uma fórmula matemática que já sabemos o resultado que vai dar

Mesmo nascendo em um lugar pobre e em condições adversas, você poderá conseguir muita coisa. Você poderá dedicar horas e horas ao estudo, melhorar sua comunicação, aprimorar competências comportamentais, técnicas e com isso chegar muito longe.

Porém, é importante dizer: você só pode ter certeza sobre aquilo que está ao seu controle. Você nunca conseguirá saber, se fazendo tudo isso, chegará a fazer parte do grupo de 1% de pessoas mais ricas do mundo.

Agora, se existe algo que podemos afirmar, é que o fato de você nascer com menos oportunidades, fará com que você precise cada vez mais das pessoas para te ajudar nesta caminhada.

Algo acontece quando passamos a ter consciência do outro

Desde o momento que nascemos, até o momento de nossa morte, sempre precisaremos de alguém. Ao nascer, uma pessoa dará nosso primeiro banho e muito provavelmente, antes de morrermos, alguém cuidará de nós. Para que possamos trabalhar, precisaremos que um profissional decida nossa contratação, ou, se formos donos de nosso próprio negócio, que um cliente compre nossos produtos ou serviços. No final, tudo se resume em “pessoas”.

Você pode aprender a melhorar sua comunicação e suas habilidades sociais, mas quando falamos em de relações humanas, estamos lidando com algo imprevisível. Por isso, vale lembrar, que estes fatores não estão ao nosso controle.

Todas as diversas crises econômicas que vivemos, demonstraram o quanto não temos certeza sobre o que pode acontecer nossa vida e o quanto dependemos de fatores externos. Na Crise de 1929, por exemplo, milhares de pessoas perderam tudo o que conquistaram em pouco tempo e os índices de suicídio triplicaram naquele ano.

A verdade é que vivemos um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, ou o que hoje chamamos de VUCA, um acrônimo muito utilizado para definir a imprevisibilidade dos tempos atuais.

Ser bem-sucedido é ser feliz

Toda essa imprevisibilidade contradiz o que muitos anúncios de cursos milagrosos prometem: que se você tiver determinação, poderá chegar onde quiser.
Muitas vezes, por apresentarem exemplos de pessoas que conseguiram um sucesso quase inatingível, causam a sensação de que se não conseguimos, é porque não nos esforçamos o suficiente.

O fato é que nossos modelos de sucesso precisam mudar, afinal, não precisamos mais viver a frustração em não ter o sucesso do Bill Gates.

Aliás, sucesso pode ter uma definição diferente para cada um de nós, mas está muito mais relacionado ao quanto nos sentimos realizados na nossa vida pessoal e na profissão que escolhemos, do que com nível social ou status.

Ter consciência disso já um grande passo.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.