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Subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron geram temores de nova onda de covid na Europa

Dois novos membros da família ômicron: BA.4 e BA.5, parecem ser os culpados - junto com a flexibilização das medidas de higiene - pelo aumento das infecções por coronavírus em vários países.

Maioria na África do Sul e em Portugal, essas mutações provocam incerteza diante de uma nova onda de covid-19 nos próximos meses.

- Onde estão presentes? -

Identificadas no início de abril por pesquisadores de Botsuana e África do Sul, estas novas subvariantes da ômicro provavelmente apareceram entre meados de dezembro e início de janeiro.

Após se tornarem majoritárias entre os novos casos na África do Sul e em Portugal, agora protagonizam as novas ondas da pandemia.

Na África do Sul, "onde BA.4 e BA.5 foram detectados pela primeira vez, sendo BA.5 a mais presente neste momento, o pico da pandemia terminou em meados de maio, e seu impacto foi moderado. BA.5 é a principal em Portugal, um país onde a incidência está aumentando, embora em níveis inferiores, por enquanto, do que durante a onda anterior", explicou na sexta-feira a Agência de Saúde Pública francesa.

E o aumento dos casos ameaça agora outros países.

Na Europa, as cepas BA.4 e BA.5 são cada vez mais frequentes na França e devem superar a BA.2, a principal desde o início do ano. A agência de saúde francesa confirmou a aceleração de casos em seus últimos números semanais, assim como o aumento dessas duas subvariantes.

Situação semelhante à vivida na Alemanha e no Reino Unido.

Segundo especialistas, o fim das medidas de controle sanitário favorece esse aumento de infecções.

- São mais contagiosas?

As duas subvariantes parecem se espalhar ainda mais rápido do que as mutações anteriores da ômicron.

"BA.4 e BA.5 podem se espalhar mais rápido que BA.2 por causa de uma dupla vantagem: seu fator de contágio e a queda na proteção imunológica. Portanto, BA.4 e BA.5 desencadeiam uma onda mais rápida do que BA.2 ", explica à AFP Mircea T. Sofonea, professor da Universidade de Montpellier, no sul da França.

Na Europa, o verão (hemisfério norte, inverno no Brasil), quando se passa mais tempo a céu aberto, pode ser um freio para o aumento de casos. Mas este epidemiologista prefere ser cauteloso: “Podemos contar com o verão deixando uma incidência menor do que o inverno, mas não é um fator que possa, por si só, evitar uma onda de infecções, como já se viu com a delta em julho de 2021”.

- São mais perigosas?

Até agora, não há sinais de alerta de que BA.4 e BA.5 sejam mais graves do que as subvariantes anteriores, apontam cientistas. Mas, “ainda é cedo para saber”, esclarece Mircea T. Sofonea.

Mas o que se viu na África do Sul e em Portugal faz alguns especialistas pensarem que os riscos de hospitalização e morte são menores.

"Na África do Sul, a onda BA.4/5 não se traduziu em mais hospitalizações e mortes, porque havia mais imunidade na população", tuitou Tulio de Oliveira, virologista da Universidade de Kwazulu-Natal, na África do Sul, onde a ômicron foi detectada no outono de 2021. "Mas não sabemos os efeitos a longo prazo..."

Em Portugal, com uma maior taxa de vacinação, mas uma população mais envelhecida, as internações atingiram níveis da onda anterior.

Mas ao contrário de outros países, África do Sul e Portugal não foram afetados pela BA.2.

A presença de BA.2 em um país "poderia dar maior proteção contra BA.4 e BA.5", já que "são geneticamente próximos", disse a Agência Francesa de Saúde Pública em maio. Embora isso seja algo que ainda não foi confirmado.

De qualquer forma, a proteção imunológica diminui com o tempo.

"Embora a proteção proporcionada por ter sido infectado com ômicron ou ter recebido a terceira dose da vacina ainda seja importante cinco meses depois, principalmente contra as formas graves, ela diminui contra qualquer infecção", destacou Sofonea.

Vários países, como o Brasil, já recomendam uma quarta dose para as pessoas mais vulneráveis.

E, embora não seja obrigatório, especialistas continuam recomendando o uso de máscaras em diferentes situações.

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