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Sublinhagens BQ.1.1 e XBB da ômicron podem gerar nova onda de covid-19 no mundo

Entre as boas notícias em relação ao novo coronavírus, nem a chegada do inverno no hemisfério norte e a disponibilidade mista de vacinas aumentaram o número de infecções: casos de covid-19 e mortes em sua decorrência só descem. Na semana que se encerrou em 23 de outubro, havia 15% menos casos do que na semana anterior, e 13% menos mortes. Um novo grupo de subvariantes, no entanto, começou a se alastrar pela Ásia e África.

E há previsões para que tais variantes cheguem aos continentes americano e europeu. Até agora, as variantes seguiam de linhagem em linhagem, como da delta para a ômicron, uma destronando a outra. Mas a tendência de subvariantes e misturas entre elas começou a se assentar, empilhando mutações genéticas e criando um genoma cada vez mais diverso para o vírus.

Embora os casos e mortes por covid-19 venham baixando, novas subvariantes começam a dominar alguns países, escapando melhor da resposta imune (Imagem: Vladimirzotov/Envato Elements)
Embora os casos e mortes por covid-19 venham baixando, novas subvariantes começam a dominar alguns países, escapando melhor da resposta imune (Imagem: Vladimirzotov/Envato Elements)

Evolução do vírus e a BQ.1.1

Nossa alta imunidade, apesar de muito benéfica, acaba impondo uma pressão evolutiva às variantes, que precisam fugir do nosso sistema imune com mais eficiência caso queiram sobreviver, dizem os especialistas. Entre as mais eficientes atualmente está a BQ.1.1, uma descendente da BA.5 e sua subvariante, a BQ.1. Entre 3 a 5 de outubro, a BQ.1 e suas sublinhagens representaram até 6% das sequências de SARS-CoV-2 reportadas ao banco de dados GISAID, aparecendo em 65 países.

Na frança, a BQ.1.1 já figura em metade dos casos sequenciados, tendo chegado provavelmente um pouco antes do que no restante do continente. Os casos da subvariante dobram a cada semana, em média. A maioria das infecções na África já é pela BQ.1.1, identificada pela primeira vez no continente em julho, na Nigéria. É provável que ela se espalhe tão bem por conta de 6 mutações na proteína espícula (spike), usada para penetrar as células. É nela que as vacinas agem.

As primeiras pesquisas indicam que as mutações da variante permitem que ela neutralize a resposta dos anticorpos gerado por vacinas e infecções anteriores: é mais provável que sua vantagem não venha de uma melhora na habilidade de infectar células, mas sim de escapar da nossa resposta imune.

Bancos de dados mundiais da covid-19, como o GISAID, vêm notando o aumento das subvariantes e estudando o que as torna mais infecciosas (Imagem: Pressmaster/Envato Elements)
Bancos de dados mundiais da covid-19, como o GISAID, vêm notando o aumento das subvariantes e estudando o que as torna mais infecciosas (Imagem: Pressmaster/Envato Elements)

Mais uma variante: a XBB

Na Índia, outra subvariante é prevalente, a XBB, responsável por 1/3 de todas as infecções reportadas no país. Ela veio de uma recombinação entre duas descendentes da BA.2, que infectaram as mesmas células e trocaram material genético, gerando 7 mutações-chave para escapar do sistema imune, mais do que qualquer variante em circulação atualmente.

Do país, a variante foi para Cingapura, onde, com a descendente XBB.1, gerou uma onda de infecções com pico em meados de outubro, se dirigindo, agora, para o restante da Ásia. De 3 a 9 de outubro, a XBB representou 1,3% das sequências computadas pela GISAID, sendo detectada em 35 países.

Não é claro, ainda, se uma infeção por BQ.1.1 protege contra a XBB ou vice-versa, já que suas mutações diferem muito. Especialistas acreditam que a primeira deve conceder boa imunidade contra variantes mais antigas do vírus, como BA.2 e BA.5, relacionadas à BQ.1.1, mas a XBB é bem diferente. Não foram identificados casos mais severos de covid-19 por essas subvariantes até o momento. Embora exista "competição", os cientistas veem cenários onde as duas variantes possam acabar se espalhando e coexistindo.

Fonte: Canaltech

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