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Suíça vota no domingo sobre 'responsabilidade' das multinacionais

Nathalie OLOF-ORS
·2 minuto de leitura
Faixas da campanha a favor da aprovação da iniciativa das "multinacionais responsáveis"

Os suíços decidem no domingo (29) se as multinacionais com sede no país europeu devem se esforçar mais para garantir o respeito dos direitos humanos e do meio ambiente em suas atividades no exterior.

Chamada de "multinacionais responsáveis", a iniciativa tornaria obrigatório que as empresas verifiquem e adotem medidas para prevenir as violações dos direitos humanos. E as empresas poderiam ser levadas aos tribunais suíços por possíveis violações.

Os partidários da iniciativa organizaram uma grande campanha no país. Um dos cartazes mais emblemáticos mostra o rosto triste de uma menina no Peru diante de uma mina pertence a uma empresa controlada pela gigante Glencore.

Devido às emissões de metais pesados, quase 2.000 crianças da região apresentam sintomas crônicos de intoxicação, sofrem anemia, deficiências e paralisia, destacou o grupo favorável à iniciativa.

Os ativistas afirmam que existem múltiplos exemplos da práticas ruins, como os pesticidas proibidos há muitos anos na Suíça que são vendidos pela empresa agroquímica Syngenta, ou as emissões de partículas finas da empresa de material de construção LafargeHolcim na Nigéria.

Uma pesquisa recente do grupo Tamedia indicou 51% das intenções de voto a favor da iniciativa.

A ideia, que recebeu 120.418 assinaturas para ser levada à votação, tem o apoio de uma grande coalizão de deputados, professores universitários, sindicatos, 130 ONGs e organizações religiosas, como a Conferência Episcopal.

Para os partidários da iniciativa, embora o respeito aos direitos humanos seja uma evidência para a grande maioria das empresas suíças, as medidas voluntárias não são suficientes.

Eles exigem que a Suíça estabeleça leis claras para as empresas ativas no exterior, para que os grupos que não cumpram as regras tenham de responder por isso.

"Uma empresa com poucos escrúpulos não deve ter uma vantagem competitiva em relação às outras porque não respeita os direitos humanos", declarou à AFP Chantal Peyer, representante da organização de caridade protestante Pain pour le Prochain ("Pão para o próximo").

- Muito longe -

O Parlamento e o Conselho Federal (governo) consideram, porém, que a iniciativa "vai longe demais" e pedem aos eleitores que rejeitem a medida.

Nenhum outro país tem regras tão rígidas, afirma o governo. Aponta para "as ovelhas negras", mas afeta todas as empresas suíças, inclusive aquelas que "se comportam de modo correto".

A medida pode ser inclusive contraproducente, caso as empresas abandonem os países em que investem e criam empregos.

Para contra-atacar a iniciativa, o Parlamento apresentou um projeto alternativo com os mesmos objetivos, mas com regras "coordenadas em nível internacional". Será ativado caso os eleitores rejeitem a proposta original.

Várias organizações patronais defendem o projeto alternativo, pois consideram a intenção da medida original "boa, mas não a solução".

Os círculos econômicos temem que as empresas tenham que responder por danos causados pelas companhias que controlam, a menos que demonstrem que adotaram todas as medidas diligentes necessárias.

"Seremos supostamente culpados até que demonstremos o contrário", reclamou o presidente da Nestlé, Paul Bulcke.

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