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Suíça produz primeiro chocolate artificial cultivado em laboratório do mundo

·4 minuto de leitura

Pesquisadores da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique (ZHAW), na Suíça, desenvolveram uma técnica capaz de produzir chocolate em laboratório. Essa é a primeira vez que os cientistas conseguem recriar o desejado doce de forma correta dessa maneira.

A equipe é liderada pela professora Regine Eibl, que chefia a divisão de cultura de células no ZHAW. Eibl trabalha com Tilo Hühn, um conhecido cientista alimentar no mundo do chocolate e do vinho, que teve a ideia de tentar extrair culturas de células de grãos de cacau para produzir polifenóis, um composto saudável para o coração abundante em chocolate amargo.

É claro que uma invenção como essa só poderia vir da terra do chocolate, afinal os suíços são famosos por seus incomparáveis produtos. O país é pequeno, possui território montanhoso e clima frio durante parte do ano, condições estas que inviabilizam o cultivo de cacau na região.

Como é produzido o chocolate artificial

O chocolate de laboratório é feito a partir do fruto do cacau. É realizada a extração da semente da plantada, a qual é repartida em quadro pedaços. Cada segmento desse é incubado em um ambiente completamente escuro, em temperatura de 29 °C, desenvolvido pelos cientistas para essa finalidade.

O processo começa com a semente do fruto do cacau, reprodução de culturas celulares até a confecção do chocolate em barra (Imagem: Reprodução/Zurich University)
O processo começa com a semente do fruto do cacau, reprodução de culturas celulares até a confecção do chocolate em barra (Imagem: Reprodução/Zurich University)

Embora pareça improvável algo nascer neste local, o ambiente faz surgir uma espécie de crosta na parte cortada da semente, fruto da proliferação celular. Cerca de três semanas depois, o material é raspado e colocado em um biorreator para ocorrer a multiplicação.

Concluído esse processo, o produto é drenado e o material dentro dele é seco e torrado, transformando-o em pó. Essa é uma etapa usada para produção do chocolate regular, mas a diferença aqui é que ele foi gerado a partir de ¼ da fruta. Nesse ponto, você tem um pó que pode ser misturado a outros ingredientes para produzir barras de chocolate.

O processo de multiplicação no biorreator pode ser repetido indefinidamente a partir desse primeiro pedaço de material. Assim, é possível ter matéria infinita para a produção de chocolate sem precisar de novas extrações ou de cultivos imensos.

Ainda faltam ajustes

Para quem já estava se deliciando com a novidade, saiba que o chocolate cultivado em laboratório ainda não está pronto para as prateleiras das lojas. Ele ainda precisa de melhorias para deixá-lo exatamente como o produto consumido aos montes em praticamente todo o planeta.

O biorreator faz um processo similar ao empregado em vinhos (Imagem: Christian Raaflaub/swissinfo.ch)
O biorreator faz um processo similar ao empregado em vinhos (Imagem: Christian Raaflaub/swissinfo.ch)

Quem experimentou o chocolate artificial disse que o sabor ainda não está igual ao chocolate tradicional, pois ele é doce e frutado demais, enquanto o produto natural é amargo e mais intenso. Segundo os pesquisadores, o aroma também não está idêntico ao do chocolate comum, por isso serão necessários mais estudos para aprimorar o processo.

O valor, por enquanto, ainda é muito elevado, tendo em vista o complexo processo de criação. Cada 100 gramas do “chocolab” custa cerca de US$ 20 (cerca de R$ 100), muito mais do que o produto original, orçado em US$ 3 (R$ 15).

Problemas da indústria do cacau

A produção em laboratório pode ser uma solução viável também para quem é contra o desmatamento e os demais impactos ambientais causados pelas indústrias. Se tudo avançar como o esperado, não seria mais necessário destinar milhares de hectares de terras para a atividade cacaueira. Cerca de 70% do cacau mundial é cultivado na África Ocidental, mas a crescente demanda por chocolate faz com que os agricultores desmatem cada vez mais terras para plantar novas árvores de cacau.

As semestres do cacau são moídas e tostadas antes de virar chocolate (Imagem: Etty Fidele/Unsplash)
As semestres do cacau são moídas e tostadas antes de virar chocolate (Imagem: Etty Fidele/Unsplash)

Além disso, existe o problema de uso de mão de obra infantil na indústria de extração do fruto. Estima-se que hajam até 2 milhões de crianças envolvidas em condições de trabalho perigosas ou análogas à escravidão em Gana e na Costa do Marfim.

O chocolate é uma indústria em constante expansão, com uma movimentação anual estimada em US$ 138 bilhões no mundo. Para se ter uma ideia, especialistas acreditam que o mercado poderá ultrapassar a barreira dos US$ 200 bilhões em 2028.

Futuramente, ao que tudo indica, a indústria chocolateira deve se dividir entre produção artesanal, como é feita hoje, e produção laboratorial. Se o gosto for o mesmo, dificilmente alguém vai deixar de comê-lo apenas por sua origem ter a ver com jalecos e tubos de ensaio, ainda mais se souberem dos benefícios que essa nova cultura trará para a sociedade mundial.

Fonte: Canaltech

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