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Dinâmica em grupo? Nada disso. Startups inovam no recrutamento de pessoas

Foto: Getty Images

por Matheus Mans

Nada mais de dinâmicas e entrevistas repetitivas, interações que não fazem sentido e demora na entrega do resultado. Os processos de recrutamento e seleção estão passando por um intenso processo de transformação digital com startups que estão deixando as escolhas, dinâmicas e entrevistas mais transparentes.

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Essas startups, chamadas de HR Techs, começaram a surgir no país há cerca de quatro anos. Elas se inspiraram num movimento parecido nos Estados Unidos, que hoje tem um mercado de recrutamento que gira US$ 240 bilhões anualmente, segundo a Deloitte. No Brasil, enquanto isso, são cerca de 130 startups do tipo que buscam um espaço no setor.

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“O mundo todo está passando por uma transformação de comportamento. E isso reflete nas relações de trabalho”, afirma o professor de psicologia organizacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marcos Mendonça. “Trazer novos processos, digitalizar o contato com candidatos e facilitar a seleção já são prerrogativas.”

A primeira HR Tech do Brasil

A startup que deu o pontapé nas mudanças do setor de recrutamento foi a Revelo. Fundada em 2014, a empresa inverte a lógica da contratação. Os candidatos é que entram na plataforma, preenchem seus currículos e aguardam o contato de contratantes interessados. Para isso, usa-se inteligência artificial e um ranking de candidatos com perfis atraentes.

Lachlan de Crespigny e Lucas Mendes, os cofundadores da Revelo (Foto: Divulgação)

“O candidato vai para o centro do sistema e não repete os processos, como procurar vagas, enviar currículos ou preencher formulários. A ideia é evitar desânimo e impedir análises superficiais”, afirma Lucas Mendes, fundador da startup de recrutamento e seleção. “É um setor muitas vezes deixado de lado, com pouco investimento. Podemos trazer agilidade”.

Hoje, a Revelo já está com bons números. De 2014 para cá, mais de 390 mil candidatos já passaram por lá e a plataforma é acessada ativamente 3,5 mil empresas — entre elas, Ambev e Itaú. Além disso, foi ela que deu o pontapé dos grandes aportes em HR Techs: em setembro, levantou uma rodada de R$ 70 milhões de reais pelo IFC, do Banco Mundial.

Novos players no mercado

Com o pioneirismo da Revelo, muitas outras startups começaram a tomar o setor com processos diferenciado. A Biz.u, fundada em 2015, funciona como um “Tinder de recrutamento”. Ou seja: analisa a cultura da empresas e o comportamentos do profissional.

Se as coisas combinarem, a empresa faz o “match” e promove a contratação. A ideia é evitar a fuga de talentos para promover pessoas e empresas que tenham afinidade. Afinal, quando o vínculo é criado antes mesmo da contratação em si, há uma relação mais clara e tranquila entre as partes. Evita a fuga de talentos posteriormente.

Já a Kenoby, que tem esse nome em homenagem ao mestre jedi Obi-Wan, da saga Star Wars, começou a sua jornada entre 2015 e 2016. E seu mecanismo é inverso ao da Revelo: as empresas abrem as vagas e a startup encontra a pessoa ideal para a vaga.

“A questão da maior qualificação dos candidatos, por exemplo, por vezes ainda é enxergada como algo que atrasa um processo seletivo. E não é o caso. Ao usar uma ferramenta que possibilita automações, você inclui assertividade. Isso é bom para a empresa e para o candidato”, explica Marcel Lotufo, fundador da empresa.

Quanto ao futuro do mercado, as startups se mostram cautelosas. Lotufo, da Kenoby, chama a atenção para o uso moderado de inteligência artificial. “A chance de criar uma inteligência artificial com viés, favorecendo um ou outro grupo social, é enorme”, diz o empreendedor.

Já Lucas Mendes, da Revelo, chama a atenção para o lado positivo do processo — principalmente num país com 13 milhões de desempregados. “Muitas pessoas tem carreiras transformadas. Isso é incrível. Você não tá vendendo supérfluos na internet. Você, assim, está transformando profundamente a vida da pessoa”, conclui o empreendedor.