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'Black fraude'? Startups ajudam a fugir de problemas na Black Friday

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Mesmo após intensa campanha do varejo e melhor aceitação por parte do público, a Black Friday não se livrou totalmente do apelido “Black Fraude”. Clientes e comerciantes ainda acreditam que podem ser enganados durante o evento com descontos falsos, mas startups brasileiras atuam para ajudar a diminuir as fraudes e golpes num dos eventos mais importantes do calendário econômico do comércio brasileiro.

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Segundo enquete realizada pelo site de reclamações ReclameAqui, 29,3% das pessoas já encontraram produtos cujos preços aumentaram antes do evento. Já 16,3% viram frete alto ou acima do normal e 9,7% tiveram contato com sites, lojas e redes sociais falsas tentando enganar os clientes.

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Na Black Friday de 2018, 30,34% dos consumidores ouvidos pela plataforma disseram que não consideraram atrativos os descontos oferecidos no evento.

Uma startup que tem atuado para tentar reverter essa situação é a Promobit. A empresa oferece uma plataforma de compartilhamento de descontos. Ou seja: clientes se ajudam para compartilhar opiniões sobre produtos, serviços e ferramentas. Ainda contam, na plataforma, com um serviço de curadoria feita pela startup. A empresa foi criada em 2014, de olho na Black Friday, e hoje vê o setor mudar bastante por consciência do mercado.

“Quando começamos, era um evento desacreditado pelas promoções de ‘metade do dobro’ e a falta de eficiência do mercado”, disse Fabio Carneiro, um dos fundadores da startup. “A noção das pessoas sobre o evento melhorou bastante, já que o varejo entendeu que estava perdendo oportunidade de vendas. Em 2018, a gente recebeu mais de 8 mil sugestões de ofertas na Black Friday. Mais da metade eram ofertas boas. É um bom cenário no Brasil”.

Tom Canabarro e Milton Tavares Neto, fundadores da Konduto (Foto: Divulgação)

Outra empresa que trabalha na checagem de informações de produtos é a Trustvox. A startup surgiu em 2014, quando os fundadores Tatiana Pezoa e Horácio Poblete notaram um problema num ingrediente da compra digital. “Era difícil encontrar reviews nas páginas dos produtos. Além disso, existe ainda uma indústria de comentários falsos que põe a prova toda a credibilidade das lojas virtuais”, disse Tatiana Pezoa, CEO e cofundadora da startup.

A empresa assegura a veracidade dos reviews em e-commerces e evita que opiniões falsas. Eles já atendem mais de 1,5 mil lojas, como LG, Centauro, Netshoes e Max Milhas, e fez a auditoria de cerca de 5 milhões de reviews — tudo isso por meio de uma inteligência artificial que analisa os comentários e vê a possibilidade de fraude.

Segundo a CEO, as empresas já entenderam a importância do serviço, principalmente em época como a Black Friday. “Estamos na era em que as marcas e empresas precisam entender o comportamento do consumidor e entregar de forma personalizada um determinado serviço.”

Do outro lado

Assim como os clientes, lojistas também precisam enfrentar incertezas durante a Black Friday. E uma empresa que trabalha ativamente para reverter essa situação é Konduto, startup que faz identificação e prevenção de falsificações no ato da compra. Por meio de um algoritmo, o sistema identifica informações da pessoa que está realizando a compra, como navegação imediatamente anterior à finalização e comparação de idade e nível econômico.

Para isso tudo, o processo dura só 0,09 segundo. Caso persista alguma dúvida ou a compra seja de um valor muito alto, uma equipe humana analisa a compra como um todo. Geralmente, a maioria das fraudes provém de roubo de identidade. Mas é sempre preciso ter cuidado com todo o processo para que a experiência da compra não seja prejudicada.

“Com novas formas de pagamentos, o desafio da comprovação de compras está cada vez maior”, disse o cofundador da Konduto, Tom Canabarro. “Nós atuamos de maneira inteligente no mercado para evitar que lojistas sofram fraudes, que podem colocar em risco todos os ganhos da Black Friday, ao mesmo tempo que permitimos uma boa experiência do cliente. Um excesso de barreiras, às vezes, pode acabar jogando o cliente pro concorrente”.