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‘Moqueca Valley’: Espírito Santo busca alavancar inovação no estado

Colaboradores Yahoo Finanças
Liberfly ajuda pessoas a processar companhias aéreas (Foto: Divulgação)
Liberfly ajuda pessoas a processar companhias aéreas (Foto: Divulgação)

Por Matheus Mans

Conhecido pela deliciosa moqueca que permeia suas praias, o Espírito Santo se valeu dessa iguaria culinária para dar o nome ao movimento de inovação que corre por toda a região. O Moqueca Valley, em referência ao Vale do Silício americano, está buscando meios de alavancar a tecnologia capixaba e fazer com que a inovação tome a economia da região.

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De acordo com dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), a capital Vitória está em nono lugar no ranking de densidade de startups — à frente de grandes cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. Assim, já são 119 startups capixabas, que crescem e se consolidam conforme mais casos de sucesso aparecem nessa região.

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“O Espírito Santo sempre teve uma economia muito baseada em agricultura, pecuária, mineração, petróleo e gás natural”, resume Edgar Villa, professor de novas economias na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Agora, o desafio está em levar tecnologia para esses setores e fazer com que o estado use toda a sua experiência acumulada”.

No céu, na sala

Apesar da força que tem no comércio exterior e na agricultura, é grande a variedade de startups que compõe a região -- é possível encontrar empresas de saúde, recursos humanos, finanças. Mas um dos casos que se destaca cada vez mais é a Liberfly, startup jurídica fundada em 2016 que dá suporte às pessoas que enfrentam problemas em voos.

Atualmente, a startup já tem mais de 5 mil clientes no Brasil e apresentou um crescimento de 240% no primeiro semestre de 2019. A startup, inclusive, já transbordou os limites do estado. Além de ter clientes espalhados por todo o País, a Liberfly montou um time focado em processos contra companhias aéreas na Espanha para internacionalizar o serviço.

 Murilo Carvalho, CEO da Luma (Foto: Divulgação)
Murilo Carvalho, CEO da Luma (Foto: Divulgação)

“A cidade em si se adaptou muito rápido ao momento. Tivemos melhorias expressivas em infraestrutura, melhorias tecnológicas, criação de ambientes voltados a inovação, investimentos em pesquisas na área de tecnologia”, contextualiza Ari Moraes Jr., CEO da Liberfly. “Esses fatores foram fundamentais para a modernização da cidade”.

As edtechs, como em todo o País, também marcam presença no ecossistema capixaba. A Luma é uma startup que oferece aulas particulares que se adaptam ao aluno. Hoje, a startup cobra R$ 70 por hora de aula e planeja terminar o ano com 1,5 mil alunos em oito cidades, se dividindo entre estados de Espírito Santo, Minas e, logo mais, Paraná.

Para Murilo Carvalho, CEO da Luma, alguns fatores contribuem para o avanço da inovação.

“Os empreendedores são muito acessíveis. Além de inspirar eles compartilham experiências. Além disso, Vitória possui uma geração engajada com inovação e tecnologia com mindset para encarar grandes desafios. E há acesso a capital de risco. Cases recentes de sucesso educaram o mercado que olha com atenção para esse tipo de investimento”.

Perspectivas

Apesar do número de startup no estado ainda ser baixo -- para efeito de comparação, são mil empresas em São Paulo --, especialistas indicam que o ecossistema capixaba deve crescer exponencialmente ao longo dos próximos anos. Apenas é preciso que os principais problemas da região, parecidos com o de capitais fora do eixo Rio-São Paulo, se resolvam.

“Somos um estado com 4 milhões de pessoas. Como expandir? Como dar escala para o negócio?”, indaga Léo Carrareto, CEO da escola de inovação e empreendedorismo capixaba WIS Educação. “Além disso, há o problema da mão de obra. Os melhores profissionais acabam indo para empresas de fora do estado. Tentamos solucionar isso”.

Villa, da UFES, ainda ressalta que o estado precisa aproveitar sua localização privilegiada. “O Espírito Santo sempre foi ótimo para comércio exterior por estar entre duas ricas regiões geográficas e por conseguir produzir muito mais do que precisa”, disse o professor de novas economias. “Seria interessante se startups conseguissem absorver esse bom diferencial”.