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Startups de telemedicina crescem na pandemia, mas temem futuro

Matheus Mans
·4 minutos de leitura
Foto: Getty Images
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Por Matheus Mans

Durante a pandemia do novo coronavírus, a telemedicina surgiu como uma importante aliada. Com hospitais lotados, as consultas à distância ajudaram a desafogar filas e a evitar possíveis fatalidades. As startups do setor registraram crescimento, mas o bom momento ainda não garante o futuro delas.

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A legalização da telemedicina pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) foi apenas provisória. A percepção das 37 startups que atuam neste ramo é de que tudo pode voltar à estaca zero assim que a situação se normalizar no Brasil.

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“O Brasil é o maior mercado de saúde da América Latina e o sétimo maior mercado de saúde do mundo com mais de US$ 42 bilhões gastos anualmente em cuidados de saúde privados”, resume o diretor executivo da Abstartups, José Muritiba.

Consolidação

Apesar das incertezas, a sensação é de avanço. A Telavita, por exemplo, é uma das mais consolidadas no segmento. Na ativa desde 2017, quando "tudo era mato", a plataforma, além de oferecer conexão entre pacientes, psiquiatras e psicólogos, também conta com uma estrutura tecnológica para garantir a segurança dos atendimentos.

Lucas Arthur, Milene Rosenthal e Andy Bookas, cofundadores da Telavita (Foto: Divulgação)
Lucas Arthur, Milene Rosenthal e Andy Bookas, cofundadores da Telavita (Foto: Divulgação)

A startup viu o número de consultas saltar 10 vezes no último semestre, em comparação com 2019. “Foi um período com muitos desafios, mas muito gratificante. A gente deslanchou”, resume Andy Bookas, CEO da Telavita. “Vimos um crescimento consistente no último trimestre, com mais clientes e muito mais pacientes.”

Outra empresa consolidada do setor, a VidaClass viu seus números darem um salto no período. A startup, lançada ao público em 2016, funcionava como uma espécie de marketplace para conectar profissionais da saúde e pacientes, inclusive com uma plataforma de telemedicina. Na pandemia, os teleatendimentos praticamente dobraram.

“Depois da liberação da telemedicina pelo Ministério da Saúde durante a pandemia do Covid-19, o site da empresa contabilizou aumento de mais de 40% de acessos diários”, complementa Vitor Moura, CEO da startup. “Com isso, hoje, temos mais de 25 mil prestadores [de serviços de saúde] cadastrados em mais de 1.200 cidades brasileiras”.

Protagonismo

Durante o período, não foram só as startups focadas em telemedicina que cresceram. Outras empresas, que tinham o atendimento à distância como uma opção, também viram seus números darem um salto e a telemedicina se cristalizar em suas funções. É o caso da Docway, que busca facilitar o acesso à saúde com atendimentos domiciliares e virtuais.

Na pandemia, a startup de Fábio Tiepolo saiu dos 1 mil atendimentos mensais para aproximadamente 100 mil atendimentos. O número de médicos foi de 80 para 800.

"Acredito que a telemedicina mostrou seu potencial como ferramenta, não só evitando a exposição do paciente, mas sendo um aliado importante à pratica médica, em um cenário onde muitos tiveram suas receitas impactadas”, afirma Tiepolo.

A Cuidas também cresceu.Ao invés de focar só em saúde mental, a startup oferece um serviço corporativo de medicina preventiva. Por meio da plataforma, a empresa conecta médicos de família com funcionários das empresas clientes, levando o atendimento primário para dentro da rotina de trabalho das pessoas, facilitando a prevenção de doenças.

Momento certo para começar

A startup OnDoctor chegou ao mercado no momento certo. A plataforma de telemedicina da empresa, que conecta pacientes a profissionais de saúde certificados, foi ao mercado no primeiro trimestre de 2020. Ainda estava se estruturando, de alguma maneira, quando veio a pandemia. No meio de um furacão, mas se saiu bem: o crescimento exponencial está em cerca de 400% por mês, de acordo com números divulgados pela própria startup. Com isso, devem finalizar o ano com 10 mil pacientes na plataforma.

“Além de ampliar o acesso, a digitalização da medicina pode também reduzir custos e aumentar a eficiência. Nesse contexto, são grandes as oportunidades [para o setor]”, explica CEO da startup, Alexandre Gattaz.

Essa visão de futuro, obviamente, não é compartilhada apenas por Gattaz. Todos os entrevistados indicaram benefícios similares da teleconsulta: atendimento mais rápido, menos filas em hospitais, facilidade de prevenção de doenças, maior acessibilidade. Todos, também, torcem para que o CFM entenda o potencial alcançado por essa modalidade.

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