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Startups de gestão pública devem 'bombar' em 2021

·5 min de leitura
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O cenário político e econômico no Brasil está repleto de incertezas. A marcha lenta da vacinação, o lento avançar da economia e a persistência da pandemia fazem com que os investimentos se tornem mais cautelosos. No entanto, ainda assim, as startups voltadas para melhorias de gestão pública (govtechs) estão mirando um horizonte positivo em 2021.

Afinal, com as dificuldades políticas e econômicas enfrentadas em vários níveis do governo, espera-se que inovações e agilidade substituam papeladas, burocracia e a morosidade do setor público. Com isso, prefeituras, governos estaduais e governo federal devem buscar os novos caminhos oferecidos por empresas tecnológicas, juntando economia com agilidade.

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Além disso, o chamado Marco Legal das Startups deve favorecer a entrada de empresas do tipo na máquina governamental. As cerca de 40 govtechs no País, de acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), podem ganhar espaço com o Projeto de Lei 249/20, que quer um melhor ambiente de negócios e simplificar a criação de mais startups.

“Nós estamos em tempos bicudos, mas que propiciam a entrada de inovação no coração de governos e na máquina pública”, afirma Edgar Souza de Lima, pesquisador de tecnologia e inovação em setores públicos. “Afinal, estamos com gastos apertados, necessidade de tirar pessoas das ruas, urgência em processos. Ou inovamos ou patinamos no mesmo lugar”.

Digitalização da papelada

Uma startup do setor de olho na movimentação é o AprovaDigital. A empresa, de 2017, tem como objetivo digitalizar processos burocráticos das prefeituras. Assim, presente em 26 municípios, a plataforma quer colocar mais eficiência, transparência e rapidez em processos como licenciamento de obras e reformas, licenciamento ambiental e abertura de empresas.

“Antigamente, para a tramitação de um licenciamento de obra, era necessário imprimir as imensas pranchas do projeto, levá-lo para verificação e esperar que esse fosse protocolado e avaliado pela secretaria”, conta Henrique Mecabô, diretor de relações institucionais do AprovaDigital. Esse processo levava meses e, ainda, poderia surgir alterações no caminho.

Agora, de acordo com Mecabô, as coisas são diferentes. “Não há burocracia em excesso, pilhas de papéis nas salas dos servidores, aceitação pela prefeitura de processos incompletos ou espera de meses para ver se o licenciamento de obras será, de fato, aprovado. Reduzimos o prazo de 120 dias para 15 em Mogi das Cruzes (SP), por exemplo”.

Com esses números, o AprovaDigital está em cidades como São Paulo e Joinville, com 20 milhões de cidadãos impactados todo ano. “A adoção da plataforma causa redução de até 5x no tempo de aprovação de processos municipais”, diz. “Economizamos mais de R$ 10 milhões por ano das prefeituras em papel, impressões, arquivo, e atendimento presencial”.

Por fim, para ele, a pandemia acelera a área. “Digitalizar e desburocratizar eram tendências que vinham se fortalecendo ao longo do tempo no setor público, mas a pandemia torna ainda mais crucial que os munícipes não tenham que se deslocar repetidamente até as prefeituras e que o trabalho dos servidores possa ser tornado digital”, finaliza Henrique.

Controle de vias

Outras empresas, ainda que não sejam govtechs em sua essência, também estão se beneficiando desse movimento. O Zul+ é uma autotech que auxilia no pagamento remoto de multas, pedágio, zona azul, IPVA, etc. Hoje, já processaram 35 milhões de tickets de estacionamento e mais de 25 milhões de pagamentos já realizados no aplicativo da startup.

André Brunetta, CEO do Zul+, também compartilha da visão do mercado em crescimento. “Embora o mercado de govtechs seja relativamente pequeno, houve um crescimento muito grande do setor nos últimos 3, 4 anos. Naquela época, não se falava sobre govtechs no Brasil. Hoje, já existem soluções inovadoras, de baixo custo e impacto profundo”, diz André.

Em 2021, a startup quer estar no celular de todo motorista enquanto mantém a qualidade — afinal, hoje, eles já contam com a aprovação de mais de 2 milhões de motoristas Brasil afora. Em 2022, o Zul+ quer dobrar a base. Com isso, devem também entrar em 70 novas cidades com a função de estacionamento rotativo, ampliando ainda mais seu alcance geral.

E quais os desafios que persistem no setor? O executivo responde. “No meu ponto de vista, há dois grandes desafios que as govtechs enfrentam no Brasil: a burocracia e o lobby político”, diz. “Esses dois fatores freiam a implantação de boas ideias na gestão pública de prefeituras e governos. E o pior de tudo isso é que quem sai perdendo é a sociedade”.

Níveis governamentais

Hoje, a grande maioria das empresas segue o estilo do Zul+ e do AprovaDigital, trabalhando com prefeituras — afinal, há menos burocracia e problemas mais “pé no chão”, com trânsito, iluminação, licenças no geral e coisas do tipo. Dessa forma, há uma dificuldade maior em entrar nos níveis estadual e federal por conta da alta burocracia.

Uma fonte disse ao Yahoo! Finanças que a penetração e a presença de startups a nível federal é quase inexistente. Governos estaduais, enquanto isso, acabam jogando a responsabilidade pra cima das prefeituras. “Quanto maior a esfera, maior a dificuldade das startups”, disse a fonte. “O Marco Legal deve ajudar, mas não solucionar todo o problema”.

Edgar Souza de Lima, enfim, acredita que o avanço das govtechs é uma jornada como outra qualquer. “Não adianta as pessoas, executivos e empresas se frustrarem em ter só a atenção de governos municipais”, diz. “Fazendo uma metáfora pobre, mas correta, este é o primeiro passo da jornada. Não dá pra esticar a perna num passo maior que o possível”.

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