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Startups de energia ganham força na pandemia e passam de 180 no Brasil

Matheus Mans
·4 minutos de leitura
Foto: Getty Images
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Ainda que soe extremamente burocrático e engessado, o setor de energia elétrica também está encontrando seu espaço para inovação. Ao longo dos últimos anos, startups começaram a pipocar no setor, espalhadas pelo Brasil, e com os mais diferentes objetivos. O cenário de ascensão já conta com 189 startups mapeadas pela consultoria Liga Ventures. Assim, tudo indica que a energia elétrica no País passará por uma transformação.

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“O setor de energia é bem amplo e, como tal, temos alguns setores mais evoluídos do ponto de vista do surgimento e maturidade de startups, como soluções de gestão da eficiência energética e data analytics para medição de energia e controle de faturas, e outros com oportunidades a serem exploradas, como no campo das energias sustentáveis”, explica João Fellype Barros de Lima, editor de inteligência e estudos de mercado da Liga Ventures.

Gestão e controle de energia

Dentre as 189 empresas destacadas no estudo, são 11 as áreas sublinhadas. Atualmente, a de gestão de consumo é a terceira maior, com 30 startups mapeadas — gestão compartilhada e eficiência energética completam a trinca do mapa. E uma das empresas que mais chamam a atenção é a Electrowave, que desenvolveu um dispositivo próprio conectado, no melhor sentido “internet das coisas".

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Funciona assim: a pessoa ou empresa adquire o produto da Electrowave e o coloca na tomada, como se fosse um repetidor de sinal Wi-Fi, e o conecta com o aplicativo. A partir daí, é possível fazer uma medição precisa da qualidade da energia que chega à residência para evitar e controlar falhas que podem vir a acontecer com descargas elétricas, por exemplo.

Dentre outros clientes, a startup atende a Porto Seguro, que monitora a qualidade da energia que chega à casa dos segurados em áreas estratégicas. Já o Instituto de Câncer Dr. Arnaldo usa a solução da empresa para monitorar geladeiras que armazenam remédios quimioterápicos que não podem ficar sem refrigeração.

Uma outra empresa nessa mesma área desenhada pelo estudo da Liga Ventures é a CUBi, de gestão e monitoramento de energia para empresas. Com ela, os clientes podem saber como se consome energia e identificar oportunidades de economia. Entre os clientes, estão indústrias como Camargo Corrêa e M. Dias Branco.

Com essa proposta, a startup tem negócios em 18 estados do Brasil e em outros países da América Latina. Isso sem financiamento, apenas com o dinheiro dos serviços prestados.

“A CUBi é uma empresa de serviços focada em tecnologia para energia elétrica”, resume Rafael Turella, co-fundador da CUBi. “Prestamos um serviço de gestão de energia. A gente dá para essas empresas uma ferramenta para gerar informações sobre processos para que, com isso, a gente possa fazer um otimização em cima de dados. Conseguimos dizer, afinal, o que o cliente é agora e qual o ganho financeiro que pode ter com ações específicas”.

Mercado livre

Um outro segmento que está em franca ascensão é o de mercado livre de energia, quando consumidores podem comprar energia diretamente dos geradores ou outras empresas do setor. Segundo dados da consultoria ePowerBay, destacados pelo estudo do setor da Liga Ventures, este mercado livre de energia movimentou 82,8% dos 10,8 gigawatts em capacidade de outorgas da Aneel em 2019.

Entre os destaques do setor, a Enercred conecta usinas de energia renovável com consumidores residenciais. De um lado, oferecem serviços para a usina, como captação e gestão de clientes. Para os consumidores, disponibilizam energia limpa com economia de 10 a 15%, comparado com a energia comum da concessionária.

Em 2019, a empresa tinha 200 clientes. Agora, já são 9 mil usuários. O plano para 2021 é chegar em 100 mil clientes em diversos estados no Brasil.

“O mercado de energia passa por uma onda de digitalização e empresas rápidas e inovadoras terão grandes oportunidades pela frente”, destaca José Otávio Carneiro Bustamante, fundador e CEO da Enercred. “Grandes empresas, como a própria EDP e a Safira Energia, enxergam este cenário e oferecem programas de aceleração e estímulos de capital através de seus braços de investimento para startups de destaque”.

Futuro da energia

De olho nessas transformações e nos bons números das empresas, há uma concordância de que essa onda de startups de energia deve se intensificar ainda mais nos próximos anos. “Hoje em dia, é comum ver inclusive empresas de outros países vindo até o Brasil em busca de soluções. Conforme a energia se torna uma discussão do dia a dia, mais forte fica o apelo para o crescimento”, diz Turella, da CUBi.

João Fellype Barros de Lima, da Liga Ventures, destaca tecnologias que podem surgir. “Há uma série de tendências que vêm sendo discutidas no terreno da inovação”, explica o executivo. “Uma destas tendências envolve a compra de energia por aplicativos e sistemas pré-pagos e o uso de apps para gestão de custos e produção energética. Outra vertente que pode ser explorada pelas startups envolve o apoio, por meio de inovação, dos consumidores que passarão a comercializar o excedente de sua produção energética”.

O fundador e CEO da Enercred, José Otávio Carneiro Bustamante, destaca a importância dessas empresas no cenário ambiental. “No cenário pós-pandemia, o grande desafio que todos nós enfrentaremos será frear o aquecimento global”, diz. “Com isso os temas de sustentabilidade e eficiência energética ficarão cada vez mais em pauta.”

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