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Startup quer ajudar em processos contra companhias aéreas

Mulher estressada em aeroporto (Foto: Getty Images)

Por Matheus Mans

O estudante Pedro Hemerly estava prestes a passar suas férias na Costa Rica, no final de 2018, quando um imprevisto aconteceu: a companhia aérea atrasou um dos voos e gerou um efeito dominó de problemas na vida do capixaba. Após muita dor de cabeça, ele acabou processando a empresa. E deu muito certo: um mês depois, recebeu R$ 7 mil de indenização pelos problemas enfrentados.

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Quem está por trás do caso de Hemerly na Justiça, e tentando criar essa cultura das indenizações por descasos de companhias aéreas no Brasil, é a startup Liberfly. Fundada em 2016, a empresa dá suporte às pessoas que enfrentam problemas como o do estudante. Atrasos e cancelamentos são o escopo da Liberfly, que já tem mais de 5 mil clientes no Brasil e apresentou um crescimento de 240% no primeiro semestre de 2019.

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“A startup surgiu a partir da regulação de companhias aéreas na Europa. Percebemos em trazer esse precedente ao Brasil, já que o consumidor fica muito desamparado em descasos nesse setor”, conta Ari Moraes Jr., CEO da startup. “Nossa empresa surgiu pra dar acesso à informação, por parte do cliente, e desburocratizar os processos de indenização desse tipo. Queremos mostrar para as pessoas que é possível fazer Justiça”.

Para entrar com um caso de indenização com a Liberfly, é preciso seguir alguns passos. Primeiramente, o consumidor que se sentir lesado preenche um breve formulário no site da startup — que é amparado por inteligência artificial e um sistema de algoritmos.

A própria plataforma faz uma triagem de casos. Ausência de documentos que comprovem a falha da companhia aérea, por exemplo, já são logo descartados. Enquanto isso, os outros casos são analisados detalhadamente por um especialista. Depois, se aceito, ele passa a ser trabalhado na Justiça pela startup em parceria com o escritório de advocacia Nelson Wilians. “O consumidor não precisa fazer mais nada”, explica o CEO.

Se o processo for bem sucedido, a Liberfly cobra 30% em cima do valor indenizado, que geralmente varia entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil. Pedro Hemerly, por exemplo, estava com tudo rigorosamente documentado e conseguiu comprovar passo a passo do que aconteceu após o atraso entre as conexões. Caso haja falhas no processo, o caso pode não ir adiante. Atualmente, 98% dos casos atendidos pela startup são bem-sucedidos no tribunal.

Corrida nos céus

Há três anos no mercado, a Liberfly começa a enfrentar agora o seu primeiro concorrente. Em julho deste ano, a chinesa AirHelp oficialmente chegou ao Brasil após uma bem-sucedida empreitada na Europa. A startup estrangeira apresenta um modo de operação muito semelhante ao da Liberfly. Com o diferencial de que estão se adaptando à legislação brasileira com a ajuda de advogados locais.

Ari Moraes Jr., porém, parece não estar preocupado com essa corrida aos céus. Segundo ele, pelo menos 15% dos 103 milhões de passageiros pagantes no Brasil enfrentaram algum problema de atraso ou cancelamento. Desses, só 2% entraram com pedido de indenização na Justiça. “É um mercado tão gigante, que concorrentes nem atrapalham”, afirma o executivo da Liberfly. “Queremos atender o máximo de pessoas. Isso que importa”.

O próximo passo da startup brasileira é acirrar ainda mais a briga com a empresa internacional. “A gente cresceu muito, adquirimos conhecimento e agora estamos transformando tudo em dados para alcançar um número muito grande de pessoas”, explica o executivo da empresa. “Queremos crescer e replicar nosso modelo de negócios pra outros países. Para isso, já temos um time focado para levar nossa empresa pra Europa”.