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Startup de roupas usadas, Repassa cresce 80% durante pandemia

Matheus Mans
·4 minutos de leitura
Ricardo Almeida, fundador do Repassa (Foto: Divulgação)
Ricardo Almeida, fundador do Repassa (Foto: Divulgação)

O publicitário Tadeu Almeida estava cansado de sua profissão. Apesar de ser bem sucedido, já não ficava mais empolgado com projetos ou desafios. Por isso, em 2015, mudou o rumo de sua vida. Fundou a Repassa, brechó online de roupas usadas que se vale de uma boa dose de tecnologia para circular por aí. Deu certo. Hoje, a empresa é a maior startup do setor e coleciona bons números e crescimento de 80% durante a pandemia.

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“O Repassa existe para aumentar o ciclo de vida das roupas que não estão mais sendo usadas. Com isso, diluir o impacto ambiental gerado na produção delas e também gerar recursos para projetos sociais”, explica Tadeu ao Yahoo! Finanças. “Temos dados de que, cada peça usada que vende, abate 82% do impacto ambiental gerado na produção dessa peça. Como a indústria têxtil é uma das mais poluentes, essa diluição é muito significativa”.

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Como funciona?

O grande diferencial da Repassa em comparação com outros brechós online está em um sistema próprio da empresa, colocado no mercado em 2017. Nele, a pessoa que quer vender alguma peça de roupa usada entra no site da Repassa e pede uma Sacola do Bem por R$ 25. Assim, depois de receber a sacola, a pessoa coloca ali até 35 produtos que não usa mais e quer se livrar. Manda de volta pra Repassa, que também faz coleta domiciliar.

Depois, quando as roupas chegam na central da Repassa, todas as peças entram em um controle de qualidade. Não pode ter defeitos, rasgos, furos ou marcas de uso, por exemplo. Após aprovado, o item é cadastrado no e-commerce da empresa, higienizado, fotografado e depois armazenados até a venda. Por fim, quando a peça finalmente é vendida por valores até 90% menores do que em lojas, o vendedor recebe 60% do valor em uma carteira digital.

Assim, com esse dinheiro acumulado, ele pode comprar na plataforma com 10% de desconto, comprar em parceiros da empresa, sacar pra conta bancária ou doar para ONGs.

“[Esse modelo resolve a dor] de que ninguém tem tempo e paciência para vender uma peça online. 70% das roupas ficam paradas no guarda-roupa das pessoas, sem uso, e não são trazidas de volta para a economia para ter mais ciclo de vida gerando recursos para essas pessoas”, afirma o executivo. Anteriormente, a plataforma era apenas um marketplace onde as pessoas vendiam para outras pessoas. Com o novo modelo, veio o diferencial.

Bons resultados

Há três anos trabalhando com esse modelo, a Repassa já tem bons números para mostrar ao mercado. A startup cresceu mais de 80% entre maio, junho e julho, 81% no pedido de sacolas do bem e 70% no volume de faturamento dentro desse período em relação ao período anterior. “Acredito que, além de mais tempo em casa e de ter acontecido uma digitalização, foi também um período de reflexão e ganho de consciência”, explica Tadeu.

Além disso, a Repassa anunciou, na última semana, um aporte de R$ 7,5 milhões. O objetivo, com isso, é focar na estruturação do complexo onde funciona a nova sede da empresa; desenvolvimento de uma nova plataforma de e-commerce, incrementando o volume de vendas em até 30%; e lançamento do Parceiros do Bem, uma plataforma de soluções e experiências para incluir varejistas de moda no ciclo da economia circular.

Com isso, a startup pode trabalhar em resolver o principal desafio do setor: unir eficiência com qualidade. “O desafio do Repassa é equilibrar essas duas frentes: entregar uma experiência sem igual e, ao mesmo tempo, ter eficiência de custo, uma vez que todo o custo de operação está diluído em uma única peça (não tem grade de estoque, tamanhos etc), diferente de um e-commerce tradicional”, explica Almeida sobre os desafios da empresa.

Com isso, os panoramas da Repassa navegam num mar de positividade. “Buscamos ser líder no mercado nacional de moda de segunda mão e internacionalizar no futuro. Mas ainda temos um caminho muito grande para percorrer no Brasil”, afirma Tadeu Almeida. “A meta é crescer 100 vezes nos próximos cinco anos. Esse número está alinhado com o que alcançamos, uma vez que crescemos 3,5 vezes ao ano ao longo de toda nossa história”.

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