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Startups usam dados para empresas reduzirem custos de saúde

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Em um momento de crise, como a causada atualmente na pandemia de covid-19, é necessário que empresas reduzam todos os tipos de gastos enquanto evitam comprometer a qualidade. No caso de investimentos em saúde, algumas startups especializadas estão trazendo a solução: uso de dados para reduzir esse gasto, o segundo maior de empresas.

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Funciona assim: startups como HealthBit e Pipo constróem um banco de dados parrudo, com informações sobre os funcionários e colaboradores. A partir daí, elas usam tecnologias de análise de dados para compreender faixa etária, problemas de saúde comuns e coisas do tipo. Depois disso, elas focam em planos de saúde para atingir necessidades reais.

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A Pipo, por exemplo, foi fundada em 2019 por Manoela Mitchell (CEO), Thiago Torres (COO) e Vinicius Correa (CTO). A ideia era usar dados para otimizar a contratação e gestão de benefícios pelos RHs, indicando os melhores planos, reduzindo custos e oferecendo a melhor experiência as empresas clientes e funcionários. Tudo sob medida.

“Ao longo dos últimos anos, com os constantes aumentos dos planos de saúde, muitas empresas trocaram de operadora, reduziram a rede credenciada ou aumentaram a coparticipação. [Tudo para] tentar controlar essa despesa”, disse Manoela. “No entanto, tratam-se apenas de medidas paliativas já que a conta do convênio teima em voltar a subir”.

Sem poder revelar o nome das empresas, por contratos de confidencialidade, a Pipo já conseguiu reverter um aumento de 97% no plano de saúde para apenas 16%. O motivo? A startup, por meio de análise de dados, conseguiu observar que houve um pico atípico de um evento extraordinário (uma UTI neonatal). Com isso explicado, houve a queda no valor.

Em outro caso, a Pipo conseguiu reduzir os custos de uma empresa em R$ 12 milhões -- cerca de 55% do total. Para isso, analisaram a localidade dos beneficiários e notaram que 60% da base ficava fora do eixo RJ-SP. Mudando a configuração do plano, veio a redução.

Agora, com um cenário em que as empresas estão se preocupando mais com a saúde, mas mais preocupadas com custos, a Pipo mira um crescimento. Só no primeiro trimestre de 2020, a startup cresceu 400% frente ao último trimestre de 2019. A empresa faz o gerenciamento de benefícios para 3 mil vidas e planeja chegar a 15 mil até o final do ano.

“Podemos ajudar as empresas a reduzirem seus custos sem demissões e sem perder qualidade”, explica a CEO da startup, Manoela Mitchell, ao ser questionada sobre o atual momento do País. “Nós ajudamos as pessoas a entender e navegar os benefícios de saúde que possuem. Assim nós garantimos que eles tomem as melhores decisões sempre”.

Suporte digital

Outra startup que trabalha nesse sentido é a HealthBit. Com mais de 140 empresas como clientes, a startup ainda observou um crescimento de 7% em abril -- sendo que, normalmente, a startup fundada em 2015 cresce mais no segundo semestre. Murilo Wadt, cofundador da HealthBit, também tem boas histórias para contar sobre a sua startup.

O empreendedor compartilha, também com confidencialidade, que um dos clientes gastava cerca de R$ 11 milhões por ano com funcionárias grávidas que desenvolviam problemas de saúde. Mas os valores caíram para R$ 3 milhões depois que a HealthBit percebeu que parte das empregadas não faziam exames pré-natais por ter que pagar parte da consulta. 

Agora, a startup de Wadt está trabalhando para ajudar os clientes nesse momento de crise do coronavírus. Já fechou acordos laboratórios para fornecer testes e, ainda, estão desenhando os protocolos de retomada das atividades. Quando a situação normalizar, a HealthBit poderá ajudar, por meio de seus dados, a organizar as atividades nas empresas.

“Este momento está sendo importante pois essa preocupação com a saúde e com protocolos, principalmente com produtos digitais, está crescendo em todos os níveis”, disse Murilo. “Antigamente, a gente conversava apenas com chefes de recursos humanos. Agora, estamos tratando diretamente com a presidência de empresas. O cenário mudou demais”.

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