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Starlink: saiba tudo sobre a megaconstelação de satélites de internet da SpaceX

·7 minuto de leitura

Em maio de 2019, a SpaceX deu início a um dos projetos mais ambiciosos já elaborados pela empresa: um foguete Falcon 9 foi lançado levando consigo os 60 primeiros satélites da megaconstelação Starlink, criada para fornecer conectividade de alta velocidade e baixa latência a usuários em todo o mundo — e que, hoje, já passa das 1.700 unidades em operação na órbita da Terra. A meta da SpaceX é expandir esse número para pelo menos 30 mil unidades, e já está trabalhando na segunda geração dos satélites.

Apesar de o primeiro lançamento oficial do projeto ter acontecido há mais de dois anos, a megaconstelação já fazia parte dos planos da empresa muito antes — em 2015, Elon Musk, fundador e CEO da SpaceX, anunciou que a empresa havia protocolado documentos com reguladoras internacionais para posicionar cerca de 4.000 satélites na órbita baixa da Terra. “Estamos realmente conversando sobre algo que, a longo prazo, será como reconstruir a internet no espaço”, afirmou ele na ocasião.

Já em 2018, dois satélites de testes foram lançados. Tudo correu bem, e a SpaceX usou os dados iniciais obtidos para solicitar autorização regulatória para operar a constelação em altitudes menores — durante o lançamento realizado em 2019, os primeiros 60 satélites à órbita alcançaram a altitude operacional de 550 km. Essa altitude permite que sejam puxados para a Terra através do puxão atmosférico em alguns anos e, assim, evitará que se tornem lixo espacial.

A rede foi projetada para fornecer conectividade de qualidade para pessoas em todo o mundo — incluindo regiões rurais e remotas —, mas seu potencial vai além: como Musk já sugeriu que a conexão total no mundo poderia gerar receita de US$ 1 trilhão, ele propôs direcionar cerca de 5% deste valor para impulsionar o objetivo de transformar a humanidade em uma espécie multiplanetária. "Consideramos que este é um passo essencial em direção ao estabelecimento de uma cidade autossustentável em Marte e uma base na Lua", disse o bilionário em relação ao Starlink. "Acreditamos que podemos usar a receita do Starlink para financiar o Starship", comentou.

Em sua fala, Musk se referiu ao veículo reutilizável que a SpaceX segue desenvolvendo para levar até 100 passageiros a Marte e a outros destinos distantes. Assim, pensando na ideia de aproveitar parte da receita gerada pelos satélites, ele buscou autorização para expandir a quantidade de unidades da constelação, e conseguiu: a Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora de telecomunicações nos Estados Unidos, autorizou a empresa a levar 12.000 unidades à órbita, e a empresa já se prepara para aumentá-lo ainda mais.

Conjunto de satélites prestes a ser liberado em órbita (Imagem: Reprodução/SpaceX)
Conjunto de satélites prestes a ser liberado em órbita (Imagem: Reprodução/SpaceX)

É verdade que a SpaceX não está sozinha no mercado de satélites de internet — o setor conta com outros players que seguem trabalhando em projetos que oferecem propostas parecidas. A Amazon, por exemplo, tem o Projeto Kuiper, que espera levar mais de 3.200 satélites na órbita terrestre para oferecer internet de alta velocidade a qualquer lugar, mas nenhum deles foi lançado até o momento. Já a OneWeb espera montar uma frota para atender usuários no solo, no mar ou no ar, e já conta com 254 unidades lançadas; segundo a empresa, essa quantidade é suficiente para começar a oferecer serviços comerciais a usuários em algumas regiões.

Como (e onde) a conexão Starlink funciona

Quem mora nos grandes centros urbanos, onde há internet ou fibra óptica por cabo oferecida por várias operadoras, pode não ter tanto interesse na internet via satélite, mas esse tipo de conexão pode fazer toda a diferença para moradores de zonas rurais ou afastadas; afinal, é este público que a SpaceX, bem como as demais empresas que querem oferecer o serviço, planejam atender — e tem planos para ir ir além, já que a SpaceX protocolou documentos para a rede Starlink ser usada também em veículos aéreos, marítimos e terrestres para atender seus clientes independentemente de onde estiverem.

A maior parte dos satélites de internet opera em órbitas a mais de 35 mil quilômetros de altitude para fornecer cobertura a um ponto específico na Terra, mas essa distância causa atrasos significativos na transmissão e recebimento de dados. Já os satélites Starlink ficam bem mais próximos da Terra e operam em conjunto, o que permite o envio de grandes quantidades de informações rapidamente a qualquer lugar do planeta; de acordo com Elon Musk, 400 satélites seriam suficientes para proporcionar cobertura mínima quando o serviço estiver operacional.

A empresa promete entregar internet de alta velocidade e baixa latência em qualquer lugar do mundo; para utilizá-la, os usuários interessados precisam desembolsar US$ 499 para adquirir um kit com antena para receber o sinal, um tripé e um roteador. Essa antena foi projetada com uma espécie de aquecedor interno, que permite manter o funcionamento mesmo em lugares onde neva ou há umidade demais; para isso, ela derrete eventuais pedaços de gelo que estejam sobre sua estrutura — mas, mesmo assim, a SpaceX recomenda que os usuários mantenham o componente limpo para evitar interferências no sinal.

O kit que os usuários recebem para acessar a rede (Imagem: Reprodução/SpaceX)
O kit que os usuários recebem para acessar a rede (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Fora isso, os clientes pagam uma taxa mensal de US$ 99, que cobre os custos do serviço durante o programa “Better Than Nothing Beta”, um teste beta gratuito que começou atendendo apenas usuários convidados em algumas regiões. A empresa avisa em seu site que, durante essa etapa, os usuários podem perceber variações na velocidade de dados, que pode variar entre 50 Mbps e 150 Mbps, com latência de 20 ms a 40 ms e possíveis períodos sem sinal — mas, conforme novos satélites forem lançados, isso irá melhorar. Segundo um tuíte recente de Musk, a fase de testes beta poderá chegar ao fim em outubro.

A SpaceX afirma que já enviou mais de 100.000 terminais aos seus clientes, e segue em expansão para levar o serviço a outras regiões — incluindo o Brasil. Caso os interessados na rede queiram prioridade para usá-la quando ficar disponível em suas regiões, basta fazer um depósito de outros US$ 99 para, assim, conseguir acesso prioritário quando estiver disponível na localização em questão. No caso do nosso país, a Anatel ainda não autorizou o funcionamento da Starlink, de modo que o serviço ainda não pode ser prestado por aqui; por isso, pagar a taxa não significa, necessariamente, o acesso à rede.

Impactos e preocupações

Mal haviam passado alguns dias desde o lançamento do conjunto dos primeiros 60 satélites e observadores notaram um "trem" de objetos brilhantes no céu. "Eles eram mais brilhantes do que eu esperava", comentou Marco Langbroek, rastreador de satélites que vive na Holanda. Além dele e de outras pessoas que viram as luzes, os astrônomos também ficaram surpresos e preocupados. É que os satélites que formam as megaconstelações de internet podem refletir a luz do Sol e, como resultado, interferem nas observações astronômicas e estudos de áreas variadas, como a física fundamental, cosmologia e até de asteroides que podem ameaçar a Terra.

As linhas diagonais são a luz refletida pelos satélites (Imagem: Reprodução/Victoria Girgis/Lowell Observatory)
As linhas diagonais são a luz refletida pelos satélites (Imagem: Reprodução/Victoria Girgis/Lowell Observatory)

Apesar dos benefícios proporcionados pela conexão a locais que, normalmente, têm dificuldades no acesso à internet, a SpaceX vem recebendo inúmeras críticas do projeto e parte delas vem da comunidade científica — em 2019, a International Astronomical Union reuniu em um comunicado os riscos que as constelações de satélites podem oferecer às estruturas astronômicas atuais e futuras e solicitou mudanças. "Pedimos com urgência para que os responsáveis pelo lançamento e projeto, além dos criadores de políticas, trabalhem com a comunidade astronômica em um esforço conjunto para analisar e entender os impactos das constelações de satélites", descreveram no comunicado.

A “bronca” não vale apenas para aqueles lançados pela SpaceX, já que há outras empresas privadas, como a OneWeb, trabalhando em constelações próprias, o que sugere que a poluição luminosa e outros problemas relacionados podem continuar. Essas companhias já estão discutindo com os astrônomos possíveis ações para mitigar os efeitos dos satélites nas observações; a SpaceX, por exemplo, cobriu alguns deles com um revestimento escuro que os torna invisíveis a olho nu, mas não tanto para os telescópios. Vale lembrar que os riscos vão além de efeitos nas observações, e se estendem também para as colisões em órbita, que podem piorar o problema dos detritos espaciais.

Em 2019, a SpaceX foi notificada pela Agência Espacial Europeia em função de uma manobra de desvio que precisou ser feita pelo satélite Aeolus, para evitar que colidisse com um Starlink; já no início de 2021, um Starlink passou perigosamente perto de um satélite da OneWeb, e não colidiram por pouco. Como a empresa segue expandindo a constelação, a expectativa é que esses eventos sejam cada vez mais frequentes. Hugh Lewis, especialista em detritos espaciais na Europa, acredita que quando a SpaceX chegar à marca dos 12.000 satélites iniciais da constelação, 90% das aproximações de risco vão incluir os Starlink.

Fonte: Canaltech

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