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Sputnik V na Europa Oriental: arma de propaganda ou bênção?

Jan FLEMR
·3 minuto de leitura

A vacina russa Sputnik V criou divisão entre os países do antigo bloco oriental que dependiam de Moscou, alguns dos quais a veem como uma bênção e outros como uma ferramenta de propaganda para o Kremlin.

Os países da região foram particularmente atingidos pelo vírus e estão entre a vacina - agora disponível - de seu antigo aliado e a resistência da União Europeia (UE) à influência russa.

Analistas dizem que as disputas beneficiam a Rússia e seus esforços para semear a discórdia na região desde a queda do comunismo, há mais de três décadas.

"Está claro que o Sputnik V se tornou uma ferramenta de poder para a Rússia", disse à AFP Michal Baranowski, do German Marshall Fund nos Estados Unidos.

"O objetivo político da estratégia (russa) é dividir o Ocidente", disse Baranowski, que chefia o escritório da Fundação de Varsóvia.

O primeiro-ministro da Eslováquia, Igor Matovic, elogiou a vacina, garantindo que "a covid-19 não sabe nada de geopolítica", enquanto o chanceler Ivan Korcok considera a vacina uma "arma híbrida de guerra".

- "Ajudar meu país"-

A vacina tem 91,6% de eficácia contra o coronavírus, segundo estudo recente, e já foi aplicada em vários países.

Ela ainda precisa ser aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para poder ser usada na UE, embora alguns países do leste já tenham começado a aplicá-la.

Países membros da UE, como a Eslováquia, estão insatisfeitos com a lentidão da Europa na campanha de imunização com as vacinas Pfizer/BioNTech, AstraZeneca/Oxford e Moderna.

Os especialistas afirmam que a vacinação rápida é a única maneira de superar a crise do coronavírus que está afetando de maneira particularmente difícil os países da Europa Central e Oriental.

O presidente tcheco, Milos Zeman, perguntou a seu aliado Vladimir Putin por carta no mês passado sobre o fornecimento da Sputnik. "Acredito que vou ajudar meu país dessa forma", disse Zeman.

Quando o ministro da Saúde tcheco se recusou a aceitar uma vacina que não foi aprovada pela EMA, Zeman pediu sua renúncia.

“O uso potencial do Sputnik V na República Tcheca tornou-se exclusivamente uma arma política ... de luta política e propaganda”, diz o analista Jiri Pehe, em Praga.

- O Kremlin "lava as mãos"-

Pavel Havlicek, analista da Associação para Assuntos Internacionais com sede em Praga, diz que, enquanto isso, o Kremlin está "lavando as mãos". "A diplomacia da vacina da Rússia está claramente tentando minar a confiança mútua e a coesão na Europa", disse ele.

O primeiro e até agora único país da UE a aplicar a Sputnik V é a Hungria, cujo ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, a tomou para convencer seus compatriotas.

Em outros lugares da Europa pós-comunista, a Sérvia se tornou um dos vacinadores mais rápidos do mundo, recorrendo às vacinas da Sputnik e do Sinopharm, enquanto a Albânia planeja começar a negociar o fornecimento de ambos.

Bulgária, Croácia, Estônia, Letônia e Romênia, membros da UE, por outro lado, aguardam a aprovação da Sputnik pela EMA, enquanto a Lituânia a descartou. A Polônia também não tem planos de usá-la.

“A Rússia claramente colocou a bandeira russa na vacina Sputnik e na Polônia algo que tem a bandeira russa não será recebido de braços abertos”, disse Baranowski.

burs-frj/dt/af/mis/ap