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SP seguirá Plano Nacional de Imunização e especialistas temem escassez de doses a grupos prioritários

Ana Letícia Leão
·6 minuto de leitura
Adriana Toffetti/A7Press/Agência O Globo

SÃO PAULO — Em meio à expectativa nacional de início da vacinação contra a Covid-19 na próxima semana, o governo de São Paulo afirmou que deve seguir o calendário previsto, mas ainda não divulgado, do Programa Nacional de Imunização (PNI), vinculado ao Ministério da Saúde. De acordo com a Secretaria de Saúde, o perfil definido do público prioritário (profissionais de saúde, idosos e indígenas) em São Paulo está mantido conforme proposto inicialmente no plano estadual, porém pode haver uma redefinição de subgrupos a depender do número de doses ofertadas ao estado.Entenda:Bolsonaro diz que vacina da Índia vai atrasar 'dois ou três dias'

Com o estado paulista se adequando ao PNI, algumas datas e grupos prioritários sofrem alterações. Uma das mudanças já ocorreria nas primeiras pessoas a serem vacinadas. Pelo plano estadual, os primeiros da fila, a depender do número de doses, seriam todos os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas. Já pelo PNI, além dos trabalhadores da saúde, SP precisaria incluir idosos acima de 75 anos e idosos com mais de 60 que estejam em asilos. Pelo plano paulista atual, eles só seriam vacinados em fevereiro.

Seguindo o PNI, na segunda fase estão brasileiros que têm entre 60 e 74 anos e, na terceira, o público com comorbidades. A quarta fase contempla professores, trabalhadores de forças de segurança e salvamento, além de funcionários do sistema prisional. Nesse caso, São Paulo também se adequaria, porque já havia informado anteriormente que queria vacinar os professores no segundo grupo.Vacinação: Fiocruz e Butantan já apresentaram à Anvisa cerca de 90% dos dados sobre vacina

Ainda sem uma definição exata do público-alvo, o fato é que o Brasil conta hoje com 8 milhões de doses de vacinas, o que imunizaria 4% da população. Seis milhões já estão no Instituto Butantan e duas milhões da AstraZeneca/Oxford estão para chegar em um voo fretado até domingo. Também até o fim de semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve dar uma posição sobre o uso emergencial dos dois imunizantes. As outras 4,8 milhões de doses do Butantan, para completar o total de 10,8 milhões divulgados anteriormente pelo governo, chegaram ao Brasil por meio de matéria-prima e estão em processo de finalização. As 6 milhões já estariam rotuladas, prontas para uso, segundo Dimas Covas, diretor do Instituto.

A expectativa é que o governo de São Paulo, estado com o maior número de casos e óbitos por Covid, receba aproximadamente 20% do total de doses da vacina, número proporcional à densidade demográfica do estado em comparação ao restante do Brasil. Essa quantidade, no entanto, preocupa especialistas. Para Geraldo Reple, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, 1,6 milhão de doses só seria suficiente para imunizar os profissionais de saúde do estado, deixando de lado outros grupos prioritários, como os idosos e indígenas.

— Se a gente for bastante otimista, sabemos que São Paulo tem 20% da população brasileira, então entre as 8 milhões estamos falando que 1,6 milhão viriam para SP. Isso nos permitiria vacinar só a metade dos profissionais de saúde (800 mil) em um primeiro momento, porque são necessárias duas doses — afirmou Geraldo Reple.Leia mais:Amazonas discute com governo federal transferir bebês prematuros para outros estados

Segundo Reple, mesmo que o Instituto Butantan, se tiver a autorização da CoronaVac, consiga produzir 2 milhões de doses por dia, conforme previsto com a inauguração de uma nova fábrica, seriam necessárias mais doses para correr com a imunização.

— A saída hoje é comprar qualquer vacina que estiver disponível. Se falamos em 210 milhões de habitantes, precisamos de 420 milhões de doses. Se o Butantan conseguir fazer 2 milhões de doses por dia, ele precisará de 200 dias, praticamente metade do ano — salientou.Em entrevista nesta sexta-feira, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, já adiantou aos profissionais de saúde que, quando convocados para a vacinação, levem documento com foto, além do holerite ou carteirinha do conselho para evitar transtornos na hora de mostrar que fazem parte do grupo prioritário de vacinação.

Segundo o governador de São Paulo, João Doria, das 6 milhões de doses do Butantan, 4,5 milhões serão enviadas ao Ministério. As outras 1,5 ficarão em SP, para quando começar a vacinação.

— São Paulo faz parte do Brasil, logo nós temos uma parcela de 20% a 25% (das vacinas), que cabe proporcionalmente à densidade demográfica de um estado que tem 46 milhões de habitantes. Não faz sentido encaminhar ao Ministério da Saúde para depois eles encaminharem a São Paulo. As vacinas de São Paulo ficarão em São Paulo, e nós vacinaremos imediatamente. As vacinas que cabem ao Brasil serão encaminhadas ao Ministério — disse Doria.

Em uma campanha nacional de vacinação, é de responsabilidade do Ministério da Saúde definir as datas e os grupos prioritários da imunização. Além disso, é a pasta federal quem adquire as doses, junto aos insumos como seringas e agulhas, e fornece o material aos estados que, por sua vez, são responsáveis por fazer com que as vacinas cheguem a todos os municípios.

Logística

Em São Paulo, por exemplo, a previsão é que o imunizante seja enviado diretamente, por meio de 70 caminhões refrigerados, a 200 municípios com mais de 30 mil habitantes. Outros 25 centros ficarão responsáveis por entregar as doses semanalmente às outras 445 cidades. Nas cidades, fica a cargo das secretarias municipais de saúde fazer a refrigeração e aplicação das doses. A Secretaria de Saúde da capital ainda não informou qual será o esquema de vacinação. Disse, ainda, que aguarda as diretrizes que ainda serão enviadas pelo Ministério da Saúde e pelo governo do estado.

Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) e um dos membros da Câmara Técnica do PNI, existe hoje uma clara dificuldade de definir quem serão os vacinados no próprio grupo prioritário nacional, tendo em vista a escassez de vacinas.

— Não temos todas as vacinas necessárias para o grupo 1. Já começa a ter de escolher a prioridade dentro da prioridade. O que está sendo discutido dentro do grupo é se vamos elencar os profissionais de saúde que são referência no atendimento à Covid-19 e deixar os outros para um segundo momento. Entre um médico que trabalha em consultório, por exemplo, ou um médico que atende Covid, quem deve receber a vacina? Está sendo discutido.

Kfouri explica que quem define esse grupo é o PNI, porém os estados e municípios tem autonomia para fazer como for melhor para aquela região.

— Eles podem, claro, definir. Tem independência para isso. Mas, normalmente, seguem orientação do Ministério da Saúde. Sempre foi assim em anos anteriores. Mas vamos definir isso na segunda-feira (18) porque as vacinas já poderão estar licenciadas.

Mesmo com a definição mais clara do plano de imunização na semana que vem, explica Kfouri, não haverá vacina para a população em geral em janeiro. Segundo ele, o Brasil está longe de ter uma imunização "em massa".

— Não adianta a população já começar a fazer fila, levar carteirinha, colocar a melhor roupa para ir vacinar. Está longe de ter uma vacinação em massa, isso não será nessa leva de 8 milhões de doses. Só os profissionais de saúde de todo o país passam de 5 milhões de pessoas, e são duas doses. - Provavelmente, a vacinação fora dos grandes centros demora cerca de 10 dias para começar, dependendo do estado. De São Paulo a campinas, chega em dois dias, mas para Belém enviar para Alter do Chão vai mais de uma semana — ressalta o especialista.