Em SP, negros ganham menos em setores que pagam mais

Os negros (pretos e pardos) ganham pouco mais do que 50% do rendimento pago a não negros (brancos e amarelos) nos setores de serviços e indústria, que são os que melhor pagam na região da Grande São Paulo. Esse cenário é demonstrado pelo levantamento da Fundação Seade/Dieese sobre a região metropolitana, com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) referente a 2011.

No setor de serviços, em que o rendimento médio por hora é de R$ 10,03, os negros ganham R$ 6,77, enquanto os não negros recebem R$ 11,67. Isso significa que o rendimento por hora dos negros representa 58% do rendimento dos não negros.

Esse quadro se repete na indústria, segundo setor que melhor paga, cujo rendimento médio por hora é de R$ 9,76. Os negros ganham R$ 6,75 ante R$ 11,26 dos não negros. Nesse setor, o rendimento médio por hora dos negros representa 59,9% dos não negros.

Por outro lado, no setor de serviços domésticos, em que o rendimento médio por hora é de R$ 4,83, os negros ganham R$ 4,83 e os não negros R$ 4,84, ou seja, o rendimento médio por hora dos negros nesse setor representa 99,8% do rendimento dos não negros.

O coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian, disse que, embora haja essa diferença significativa, os números já foram piores para os negros. Ele mostrou que, em 2002, o rendimento médio por hora dos negros no setor de serviços representava 55,5% dos não negros. Na indústria, esse valor era de 53,2%.

No índice geral, o rendimento médio por hora dos trabalhadores negros era de R$ 5,47 em 2002 e, em 2011, ficou em R$ 6,28. "Isso representa uma alta de 14,8% em termos reais", disse Loloian. No caso dos trabalhadores não negros, o rendimento médio por hora era de R$ 10,01 em 2002 e em 2011 ficou em R$ 10,30, um avanço de apenas 2,9%.

"O crescimento da economia nos últimos anos e seus reflexos positivos no mercado de trabalho da região contribuíram para a melhoria geral do mercado, em especial para os negros. No entanto, o crescimento econômico por si só não é capaz de garantir igualdade de oportunidades", avaliou, acrescentando que é preciso que se atenuem as discrepâncias socioeconômicas e, mais especificamente, o nível de escolaridade.

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