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Sou um pouco mais cético com aprovação da privatização da Eletrobras, afirma Maia

Raphael Di Cunto

O presidente da Câmara dos Deputados também disse que trabalha para reformular MP para que BNDES possa atender também as grandes empresas O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira que trabalha para modificar a medida provisória (MP) 975, que abre uma linha de crédito para as pequenas e médias empresas, com o objetivo de também atender as grandes empresas que estão negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Najara Araujo/Câmara dos Deputados

A MP 975, afirmou Maia, deve ser votada na próxima semana. “Estamos tentando construir, dentro dessa MP, uma forma do BNDES ajudar as grandes empresas, como o setor aéreo, que até agora não conseguiu o crédito”, disse o presidente da Câmara, ao participar de “live” com a Câmara do Comércio Brasil-França.

Já a MP 944, que criou uma linha de crédito para pagamento da folha de salários das empresas, deve ser votada esta semana. Ele admitiu que houve demora na aprovação, mas afirmou que houve dificuldades na negociação com o governo. O limite de faturamento das empresas que poderão usar o programa será ampliado de R$ 10 milhões para R$ 50 milhões.

Maia afirmou que a Câmara passará a trabalhar, nas próximas semanas, na votação de propostas que possam ajudar a economia após a pandemia da covid-19 e que, entre elas, estarão a recuperação judicial e a lei do gás. A autonomia do Banco Central deve ser votada, mas “mais para frente”. “A privatização da Eletrobras eu sou um pouco mais cético, tem muita resistência no Senado”, comentou.

Para o presidente da Câmara, também é importante que o governo faça uma sinalização de apoio à pacificação entre os Poderes e a defesa do meio ambiente para evitar afastar os investidores.

Auxílio emergencial

Maia afirmou também que o governo precisa prorrogar logo o auxílio emergencial para os trabalhadores informais e fazer uma discussão séria sobre a renda mínima permanente ou o Congresso acabará aprovando os R$ 600 para sempre, o que é inviável para as contas públicas.

“Ou vamos pensar política permanente ou daqui a pouco o Parlamento aprova os R$ 600 de forma permanente”, disse o presidente da Câmara. “Se junto do debate da renovação por mais dois três meses, não entrarmos no debate do que seria uma renda mínima de médio e longo prazo permanente, vamos acabar confundindo os temas e gerando conflito político desnecessário”, comentou.

Para Maia, isso vai gerar uma crise entre os Poderes e a sociedade porque o governo será obrigado a vetar, já que o custo desse programa é inviável. Por isso, ele defendeu que o governo deve sinalizar rapidamente o que pretende fazer sobre a renda mínima para que os debates não sejam misturados.

Ele afirmou que os economistas estão exagerando e que a prorrogação do auxílio em R$ 600 por mais tempo não quebrará o país.