Mercado fechado

Sou cético sobre um crescimento sustentável acima de 2%, diz sócio da SPX

Sérgio Tauhata e Julia Lewgoy

Para Rogério Xavier, economia terá que contar com um impulso do setor privado muito superior à média registrada nos últimos 15 anos A contribuição do setor público para o PIB atualmente é zero ou próxima de negativa e deve se manter nesse patamar nos próximos anos, afirmou o sócio da SPX, Rogério Xavier, durante evento da XP em São Paulo.

Segundo o gestor, para manter um crescimento acima de 1%, “o setor privado terá de ter uma contribuição ainda maior do que a que teve nos últimos 15 anos”.

De acordo com o gestor da SPX, a contribuição do setor privado para o crescimento do PIB tem sido em torno de 1% na última década e meia.

“Dependemos efetivamente do setor privado para o PIB crescer.” Devido a esse cenário, Xavier afirmou ser “cético sobre a possibilidade de o país começar a crescer acima de 2%”.

De acordo com o gestor, no ano que vem “teremos a liberação do FGTS, a aceleração do crédito por conta das baixas taxas de juros e uma retomada do setor imobiliário, o que vai trazer uma contribuição adicional” e levar o PIB a uma expansão em torno dos 2%. “Mas não vejo como um movimento que se perpetue ao longo do tempo.”

Conforme Xavier, os juros baixos devem se manter “por mais tempo”, mas não devido a uma estabilidade da economia. “Será por uma deficiência de capacidade de crescimento, porque o hiato que temos de 4% a 5% será suficiente para não gerar pressões inflacionárias.”

De acordo com o gestor da SPX, “dificilmente vamos ter algum fator que faça o Banco Central reverter rapidamente a política monetária.” Ele acredita em manutenção do juro no patamar mínimo que for alcançado pelos dois anos seguintes.

Diante do cenário de fraqueza econômica e inflação abaixo da meta, “para mim o BC errou na condução da política monetária”. Conforme Xavier, “falei para o Roberto Campos Neto: acho que você está sofrendo da síndrome do presidente do BC que acabou de entrar e tem de mostrar que é ‘hawkish [menos inclinado ao afrouxamento monetário]’’”.

Na visão do gestor, “o fato é que a inflação está caminhando para um patamar muito baixo e o BC reagiu a isso defasadamente.”