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Sophie Scholl: a corajosa estudante alemã que resistiu a Hitler e foi condenada à morte

·5 minuto de leitura
Sophie Scholl
Inicialmente, ainda adolescente, Sophie Scholl apoiou Hitler, mas suas opiniões mudaram

Seu nome não é muito conhecido fora da Alemanha, mas Sophie Scholl é uma figura icônica em seu país natal e sua história, extraordinária.

Neste fim de semana, muitos vão comemorar o 100º aniversário do nascimento de uma jovem que enfrentou Adolf Hitler e pagou por isso com a vida.

Sua resistência é recontada inúmeras vezes em livros, filmes e peças de teatro. E continua a inspirar as pessoas hoje.

Sophie Scholl nasceu em 1921 em um país turbulento. Mas sua infância foi segura e confortável.

Seu pai era prefeito da cidade de Forchtenburg, no sudoeste (embora a família mais tarde se mudasse para Ulm) e Sophie, junto com seus cinco irmãos e irmãs, foi criada em uma família luterana na qual os valores cristãos eram importantes.

Mas quando ela chegou à adolescência, Adolf Hitler estava governando o país.

'Não me diga que é para a pátria'

No início, Sophie e seu irmão mais velho Hans apoiaram o Partido Nacional Socialista. Como muitos outros jovens, ele se juntou ao movimento da Juventude Hitlerista do partido e ela à sua organização irmã, a Liga das Meninas Alemãs.

Estudantes alemães Hans Scholl (1918-1943, à esquerda) e sua irmã Sophie (1921-1943), por volta de 1940
Esta foto mostra Hans e Sophie Scholl como estudantes por volta de 1940

Seu pai, um crítico fervoroso de Hitler, ficou horrorizado com o entusiasmo inicial deles. E a influência da família e dos amigos gradualmente começou a fazer efeito.

Os irmãos, finalmente incapazes de reconciliar suas próprias inclinações liberais com a política do Terceiro Reich, e percebendo a forma como os conhecidos e artistas judeus eram tratados, começaram a ver o regime com olhos cada vez mais críticos.

E na época em que Hitler invadiu a Polônia, Sophie já fazia oposição ao führer.

Enquanto jovens alemães eram enviados para lutar, ela escreveu, com amargura, a seu namorado Fritz Hartnagel, que também era soldado: "Não consigo entender como algumas pessoas continuamente arriscam a vida de outras. Nunca vou entender e acho que é terrível. Não me diga que é para a pátria. "

Sophie seguiu os passos de seu irmão Hans e ingressou na universidade de Munique, onde ele estudava medicina.

Os irmãos tinham o mesmo grupo de amigos, que diziam ter se unido pelo apreço mútuo pela arte, cultura e filosofia. Sophie, que estudou medicina e biologia, gostava de dançar e tocar piano, e era uma pintora talentosa.

Mas aqueles eram tempos violentos. Eles viviam em uma ditadura e estavam determinados a resistir.

'Não seremos silenciados'

Havia apenas seis membros do grupo Weiße Rose (Rosa Branca, em português), originalmente fundado pelo irmão de Sophie, Hans Scholl, e seu amigo Alexander Schmorell. A eles, se juntaram Sophie, Christoph Probst e Willi Graf, e um de seus professores, Kurt Huber.

Filme A Rosa Branca
Filme alemão de 1982 contou história de Sophie Scholl, seu irmão Hans e os outros quatro membros do grupo

Apoiados por uma rede de amigos e simpatizantes, o grupo imprimia e distribuía folhetos, incentivando os cidadãos a resistir ao regime nazista, denunciando o assassinato de judeus e exigindo o fim da guerra.

"Não seremos silenciados", diz um planfleto, "nós somos sua consciência pesada, a Rosa Branca não o deixará em paz."

O grupo produziu seu sexto panfleto no início de 1943.

"O nome alemão ficará para sempre danificado se a juventude alemã não se sublevar, vingar e pedir perdão ao mesmo tempo, esmagar seus algozes e encontrar uma nova Europa espiritual."

Seria o último.

Vista do interior do átrio da Universidade Ludwig Maximilian onde Sophie Scholl distribuiu folhetos em Munique, Baviera, Alemanha, 04 de maio de 2021
Sophie Scholl jogou panfletos do último andar da Universidade Ludwig Maximilian em Munique

Em 18 de fevereiro de 1943, Hans e Sophie distribuíam os panfletos na universidade.

Não está claro por que Sophie subiu até o último andar que dava para o átrio arejado do prédio principal da universidade e jogou uma pilha de panfletos sobre a balaustrada. A maioria presume que ela queria que o maior número possível de alunos os visse.

Mas, enquanto os papéis caíam no chão, ela foi observada por um zelador que a entregou à Gestapo - a polícia secreta nazista.

Ela e o irmão foram interrogados e, após um julgamento-espetáculo, condenados à morte. Eles se recusaram a trair o restante do grupo, mas as autoridades os rastrearam de qualquer maneira. Em poucos meses, todos os membros foram executados.

Conhecido como juiz de Hitler, Roland Freisler (à direita) sentenciou Sophie e Hans Scholl e Christoph Probst à morte em fevereiro de 1943
Conhecido como juiz de Hitler, Roland Freisler (à direita) condenou Sophie e Hans Scholl e Christoph Probst à morte em fevereiro de 1943

Na manhã em que foi para a guilhotina, Sophie, de 21 anos, disse:

"Um dia tão lindo e ensolarado, e eu tenho que ir... O que importa a minha morte, se através de nós, milhares de pessoas são despertadas e movidas para a ação?"

Essas palavras, sua bravura, ainda hoje são honradas na Alemanha, onde escolas e estradas levam seu nome e o de seu irmão. É motivo de pesar para alguns que os outros membros do grupo Rosa Branca sejam homenageados de forma menos proeminente.

Uma cópia das sentenças contra os membros da Rosa Branca mostrada na frente de suas fotos
Os nomes de Sophie e Hans Scholl são bem conhecidos na Alemanha, mas os de Alexander Schmorell, Christoph Probst, Karl Huber e Willi Graf, menos

E seu nome é facilmente explorado.

Houve indignação quando, há alguns anos, o partido de extrema direita AfD publicou o slogan "Sophie Scholl teria votado no AfD". Em um comício contra as medidas da covid em Hanover em novembro passado, uma jovem pulou no palco e se comparou a Sophie Scholl.

Mas, no que seria seu 100º aniversário, a casa da moeda alemã está emitindo uma moeda comemorativa, haverá serviços religiosos dedicados e há um novo canal no Instagram dedicado à vida dela.

Muitos alemães refletirão serenamente sobre a vida de uma jovem cuja coragem e convicção ainda movem corações e mentes hoje.

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