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Sonhos da imobiliária Evergrande viram pesadelo para os compradores chineses

·3 minuto de leitura
Manifestantes protestam diante da sede da Evergrande em Shenzhen (AFP/Noel Celis)

As noites sem dormir viraram uma rotina para Ji Wenchen, meio ano depois de pagar um depósito de 100.000 dólares à gigante chinesa do setor imobiliário Evergrande, que enfrenta uma grave crise, por um apartamento que ainda não foi concluído.

Em março ele entregou o dinheiro ao grupo, mas ainda não recebeu os documentos que a certificam como proprietária.

"Mal consigo comer ou dormir", afirma a mulher de 30 anos.

"Meu nome ainda não está registrado no apartamento, o que significa que a Evergrande ainda não entregou meu dinheiro ao governo local. A regra é que deveria ter feito em um mês", explica.

Ji é uma das dezenas de milhares de investidores que têm o futuro financeiro atado ao destino da Evergrande, a maior imobiliária da China, afundada em uma dívida superior a 300 bilhões de dólares.

Analistas da Capital Economics calculam que o grupo tem 1,4 milhão de imóveis por terminar.

Mas os projetos, assim como o retorno da dívida, estão em dúvida diante dos problemas que a Evergrande tem para vender seus imóveis e ativos e para obter liquidez.

Nesta terça-feira, a empresa reconheceu que está sob "tremenda pressão e que não há garantias de que o grupo conseguirá cumprir com suas obrigações financeiras".

- Restrição do crédito -

A Evergrande, que cresceu durante o frenesi imobiliário da China iniciado nos anos 1990, sofre com as novas regras impostas por Pequim no ano passado para limitar os créditos e forçar as empresas a reduzir sua dívida.

Muitos ofereciam incentivos aos compradores para que mudassem para imóveis novos. Agora, os investidores frustrados reclamam nas redes sociais porque as obras estão paradas.

Um deles afirma que comprou um apartamento na cidade de Kunming (sudoeste) com a entrega programada em agosto, mas o edifício ainda não foi concluído e a construção está vazia.

Compradores protestaram diante da sede da Evergrande em Shenzhen nesta terça-feira. Manifestações já haviam sido registradas na segunda-feira e na semana passada.

"Estou preocupado com meu apartamento. Teria que ser entregue até 31 de outubro segundo o contrato", declarou à AFP Kevin, um comprador da província central de Henan.

"Perguntei a Evergrande há alguns dias e responderam que atrasou porque não há trabalhadores suficientes. Não acredito que tenha outra opção a não ser esperar", completou.

A posse de um imóvel virou um importante indicador social na China e, com frequência, é considerado um requisito para um homem antes de casar.

- "Eu acreditava na Evergrande" -

Estabilizar o mercado imobiliário é uma prioridade do presidente chinês Xi Jinping, com o slogan "a casa é para viver, não para especular".

Ao mesmo tempo, o setor é de vital importância para a economia (quase 25% de sua riqueza) e muitas famílias depositaram nele suas poupanças, o que significa que uma queda de preços pode ter consequências importantes.

A restrição do crédito no setor foi "desnecessariamente agressiva" e pode afetar a demanda industrial e o consumo, advertiram especialistas do Bank of America.

Os tremores da Evergrande coincidem com a campanha das autoridades para limitar o poder das gigantescas corporações privadas.

Por este motivo as opiniões divergem sobre se o regime permitirá a queda de um mastodonte como Evergrande, que provocaria importantes consequências para a economia nacional e provavelmente internacional.

"Pequim não permitirá a falência da Evergrande porque minaria a estabilidade do regime", afirmaram analistas do centro SinoInsider, com sede nos Estados Unidos.

Mas um resgate estatal é pouco provável, destaca o economista chefe na Ásia da Capital Economics, Mark Williams. Evergrande "é o símbolo da alavancagem excessiva de um setor onde os governantes querem impor mais disciplina", disse

Sua empresa considera que, em caso de colapso do grupo, o governo vai priorizar a ajuda a compradores como Ji para evitar que o golpe econômico resulte em mal-estar social.

Ela deseja apenas recuperar seu dinheiro, que foi um adiantamento de seus pais para ajudá-la a conseguir uma imóvel, mas teme que será difícil.

"Quando comprei este apartamento, eu acreditava na Evergrande", afirma com decepção.

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