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Sondas da NASA detectam tremores após choque de meteoritos em Marte

Apesar de o lander InSight ter sido projetado para detectar atividade sísmica em Marte, ele é capaz também de identificar tremores causados por meteoritos se chocando contra o Planeta Vermelho. A descoberta vem de um novo estudo liderado por Raphael Garcia, da Universidade de Toulose, em que pesquisadores combinaram dados do lander InSight com informações obtidas pela sonda orbital Mars Reconnaissance Orbiter e descobriram quatro impactos de rochas espaciais no planeta.

A InSight pousou em Marte em 2018 e, desde então, mudou o jogo do que se sabia sobre Marte, mostrando que este nosso planeta vizinho é mais geologicamente ativo do que se pensava. Isso indica também que o lander está em uma posição privilegiada para detectar as vibrações de meteoros (nome dado quando algum objeto entra na atmosfera de algum planeta a alta velocidade) explodindo na atmosfera marciana, alguns instantes antes de seus meteoritos chegarem à superfície.

Esquema da trajetória, explosão e impacto de um evento ocorrido em setembro do ano passado, e como os dados foram interpretados pela InSight(Imagem: Reprodução/Garcia et al., Nat. Geosci., 2022)
Esquema da trajetória, explosão e impacto de um evento ocorrido em setembro do ano passado, e como os dados foram interpretados pela InSight(Imagem: Reprodução/Garcia et al., Nat. Geosci., 2022)

Com dados acústicos e sismológicos da InSight, Garcia e seus colegas identificaram quatro diferentes impactos em Marte, todos ocorridos entre maio de 2020 e setembro de 2021, em um raio de 300 km do lander. A chegada das ondas acústicas e sísmicas na InSight permitiram que eles determinassem onde os impactos aconteceram, enquanto as crateras foram encontradas em imagens da MRO. "Uma forte ligação entre ondas sísmicas e acústicas, e determinada cratera de impacto, nunca foi conseguida antes em outro planeta", observaram os autores.

Quando rochas espaciais de grandes dimensões entram na atmosfera de um planeta, elas geram primeiro ondas de choque. Depois, conforme o meteoro cai, ele explode no ar, gerando ainda mais ondas de choque. Se tiver tamanho o suficiente, grandes partes da rocha caem no solo, formando outras ondas.

O esperado era que estes tremores decaíssem em ondas acústicas e sísmicas, detectáveis por instrumentos sensíveis — tanto que, antes mesmo de a InSight ser lançada, Garcia e seus colegas já suspeitavam que ela poderia identificar explosões de meteoros no ar. Os impactos de meteoritos em Marte podem afetar a geologia e atmosfera do planeta, ajudando também os cientistas a caracterizar melhor o interior marciano.

Impactos observados da órbita de Marte pela MRO (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/MSSS/U Arizona)
Impactos observados da órbita de Marte pela MRO (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/MSSS/U Arizona)

A InSight está com tanta poeira em seus painéis solares que sua equipe acredita que ela está perdendo a capacidade de se manter ativa, e que ela poderá se "aposentar" a qualquer momento entre outubro deste ano e janeiro de 2023. Por outro lado, os autores destacam que as descobertas são promissoras, e demonstram a capacidade de a sismologia planetária para identificar fontes sísmicas de impactos. "Estamos aprendendo mais sobre o próprio processo de impacto: agora, podemos corresponder diferentes tamanhos de crateras a ondas sísmicas e acústicas específicas", disse Garcia.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.

Fonte: Canaltech

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