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Sonda Juno vai ficar pertinho da lua Europa, de Júpiter

No dia 29 de setembro, a sonda Juno vai sobrevoar a lua Europa, de Júpiter, ficando a apenas 355 km de sua superfície. Durante a passagem, ela conseguirá observar uma parte ampla da superfície da lua com suas câmeras, iniciando uma missão focada na busca por bolsões de água sob a crosta congelada que reveste esta lua e investigando algumas de suas características.

A Juno chegou a Júpiter em 2016 por meio de uma missão focada inicialmente em estudos da atmosfera e campo magnético do planeta. Já em 2021, a NASA estendeu a missão da sonda, direcionando-a para estudar algumas das luas jovianas. Ela já visitou Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, e agora será a vez de Europa.

Europa conta com um oceano escondido sob o gelo de sua superfície (Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, SETI Institute, C. Phillips, M. Valenti)
Europa conta com um oceano escondido sob o gelo de sua superfície (Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, SETI Institute, C. Phillips, M. Valenti)

Scott Bolton, principal investigador da Juno, descreve que a visita será como uma “missão de reconhecimento” para a futura missão Europa Clipper, que estudará a habitabilidade de Europa. “Mas, mesmo assim, vamos fazer um grande trabalho científico em Europa”, acrescentou ele. Uma das “peças” essenciais deste trabalho será o instrumento MWR, um radiômetro de microondas projetado para estudos do que há sob as nuvens de Júpiter.

O MWR pode detectar emissões térmicas, e a equipe planeja usá-lo para estudar o gelo da lua. “Agora que estamos observando as luas para nossa missão estendida, ficou óbvio que o radiômetro de microondas funciona incrivelmente bem em corpos gelados e em gigantes gasosos, então acredito que será de grande utilidade na futura exploração planetária”, disse.

Além disso, a Juno pode aproveitar a visita para investigar os gêiseres de água em Europa, cuja origem segue incerta. Em 2021, os cientistas identificaram emissões de vapor suficientes para preencher uma piscina olímpica em minutos, mas não sabem ao certo como o vapor chegou ali. Para Bolton, a Juno precisará de um pouco de sorte para estar “no lugar certo, na hora certa” enquanto eles expelem o vapor.

A Juno pode ajudar a esclarecer a origem do vapor d'água em Europa (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/W. Sparks (STScI)/USGS Astrogeology Science Center)
A Juno pode ajudar a esclarecer a origem do vapor d'água em Europa (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/W. Sparks (STScI)/USGS Astrogeology Science Center)

Se não flagrar nenhuma pluma d’água em ação, a sonda pode então tentar encontrar formações geológicas na superfície de Europa que emitam vapor. O sobrevoo permitirá ainda que a Juno observe os polos da lua pela primeira vez; como ela se move ao redor de Júpiter em uma órbita polar, esta será a única oportunidade para se aproximar de Europa.

A missão estendida da Juno deverá durar até 2025, no mínimo. Depois, os cientistas da missão vão precisar analisar se ela ainda tem propelente suficiente para manter sua antena voltada para a Terra, e se segue em bom estado para manter as operações. Entretanto, um grande obstáculo para isso é a radiação: a cada vez que faz sua aproximação máxima de Júpiter, a sonda recebe grandes quantidades de radiação das partículas na magnetosfera do planeta.

Claro que ela não está desprotegida, e conta com escudos para resistir à radiação. “Mas, eventualmente, nossos escudos podem não aguentar mais, e a radiação vai começar a danificar os sistemas eletrônicos dela”, alertou Bolton. “Imagino que a NASA iria apreciar uma nova extensão [da missão], se a nave estiver saudável”, sugeriu ele.

Fonte: Canaltech

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