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Sonda InSight mostra que núcleo de Marte pode ser menor do que se pensava

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Em 2018, a sonda InSight, da NASA, pousou em Marte para estudar o que acontece no interior do Planeta Vermelho. Com os dados da energia sísmica se movendo pelo interior do planeta, uma equipe de cientistas pôde conhecer melhor o núcleo de Marte: as informações obtidas pela sonda sugerem que, na verdade, o núcleo do nosso vizinho é menor e menos denso do que se pensava até então. O estudo foi apresentado virtualmente na quinta-feira (18), durante o evento Lunar and Planetary Science Conference.

Em linhas gerais, os planetas rochosos — como é o caso da Terra e Marte — têm suas estruturas divididas em crosta, manto e núcleo. Por isso, os cientistas precisam conhecer as dimensões dessas camadas para entender como os planetas se formaram e evoluíram. É aqui que entra também o trabalho da sonda InSight, cujas medidas coletadas contribuem para sabermos como o núcleo de Marte, rico em metal, se separou do manto enquanto o planeta se resfriava.

A sonda InSight junto do instrumento SEIS, seu sismógrafo(Imagem: Reprodução/NASA)
A sonda InSight junto do instrumento SEIS, seu sismógrafo(Imagem: Reprodução/NASA)

O estudo foi feito a partir de descobertas anteriores da InSight, que revelaram que a crosta marciana possui camadas: “agora, começamos a definir uma estrutura profunda, que vai até o núcleo”, disse Philippe Lognonné, líder da equipe do sismômetro da InSight. O lander fica próximo do equador marciano à espera de abalos sísmicos chamados de “martemotos”; quando estes tremores acontecem, a InSight mede dois tipos de ondas sísmicas: aquelas que passam perto da superfície, seguindo em uma linha relativamentre reta entre o abalo sísmico e o lander, e aquelas que seguem ricocheteando no interior do planeta, até chegarem aos detectores.

Até o momento, a InSight já registrou 500 deles. Isso mostra que Marte é menos sismicamente ativo que a Terra, mas ainda é mais ativo que a Lua. Quase metade dos martemotos registrados teve magnitude de 2 a 4 pontos, forte o suficiente para trazer informações do que está ocorrendo no interior do planeta. Assim, com estas informações, os cientistas conseguiram calcular a profundidade da fronteira que divide o núcleo e o manto do planeta, de modo que foi possível estimar o tamanho do núcleo de Marte.

Os dados obtidos sugerem que Marte tem um núcleo com raio de 1810 km a 1860 km, que equivale a metade das dimensões do núcleo da Terra. A medida é maior do que era proposto por outras estimativas, e sugere que o núcleo de Marte é composto por elementos mais leves, como o oxigênio, somado ao ferro e enxofre. Além disso, os dados sísmicos sugerem que o manto superior, que se estende de 700 km a 800 km para baixo da superfície, tem uma zona de material mais espesso, que faz com que a energia sísmica viaje de forma mais lenta.

Simon Stähler, cientista que apresentou o estudo durante o evento, explica que ainda não foi possível observar o núcleo de Marte, mas que agora eles sabem onde e o que observar com o sismógrafo: "podemos procurar por sinais de um potencial, se importável, núcleo interno que seja sólido", disse. Por outro lado, as medidas coletadas pelo lander até agora correspondem a um núcleo derretido.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado em formato pré-print, e pode ser acessado aqui. Futuramente, a equipe planeja enviá-lo para publicação em uma revista, com revisão de pares.

Fonte: Canaltech

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