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Sonda europeia em Marte ajudará rover chinês Zhurong a enviar dados para a Terra

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Em maio, a China pousou o rover Zhurong na superfície de Marte e, desde então, o veículo segue explorando a região ao seu redor, coletando dados importantes sobre o clima, a superfície e o interior do Planeta Vermelho. Como a transmissão dessas informações para a Terra não é uma tarefa fácil, o veículo chinês poderá receber ajuda "internacional" vinda da órbita. A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou que conduzirá alguns testes para tentar estabelecer comunicação entre o rover e o a sonda orbital Mars Express.

Desde o pouso, a equipe do Zhurong segue usando a sonda orbital da missão Tianwen-1 para transmitir os dados, mas é sempre bom ter formas alternativas de transmissão. Uma alternativa para enviar grandes quantidades de dados científicos seriam equipamentos dedicados a isso, mas estes dispositivos são grandes e pesados e é inviável enviá-los “de carona” nas missões a Marte. Então, para resolver o problema, os landers e rovers no Planeta Vermelho contam com rádios de curto alcance.

Representação da sonda Mars Express (Imagem: Reprodução/ESA)
Representação da sonda Mars Express (Imagem: Reprodução/ESA)

Já as sondas na órbita de Marte têm rádios semelhantes, permitindo que os rovers transmitam dados à órbita, que, depois, são enviados à Terra com um transmissor mais potente a bordo do orbitador, até que os dados cheguem a estações em solo. No caso do Zhurong, a ideia é usar o orbitador Mars Express, que tentará receber dados do veículo a longo de cinco testes e, depois, enviá-los ao ESOC Operations Centre, da ESA. A má notícia é que os sistemas de rádio da sonda e do rover são incompatíveis, mas isso não torna a operação impossível.

Apesar de o Zhurong não conseguir receber as frequências usadas pela Mars Express (o que o impede de responder os sinais enviados pelo orbitador para iniciar a comunicação), o veículo chinês pode transmitir uma frequência compatível com aquela da sonda europeia. Assim, quando o orbitador passar pelo local de pouso do Zhurong, irá ativar seu sistema para começar a "escutar" os sinais — se detectar algum sinal, o rádio ficará travado naquela frequência e começará a registrar possíveis dados que receber.

Tudo dando certo, a janela de comunicação será encerrada e a Mars Express ficará voltada para a Terra, para enviar os dados da mesma forma como faz com outras missões. Quando as informações chegarem ao ESOC, elas serão encaminhadas à equipe do Zhurong, que vai analisá-las. Esta técnica de envio de dados “às cegas” já existe há mais de uma década, mas ainda não foi usada em outro planeta. Assim, essa é uma boa oportunidade para os times envolvidos testarem um método alternativo de comunicação.

O sistema de comunicação Melacom, da Mars Express, criado especialmente para "ouvir" sinais específicos transmitidos às cegas por um rover e verificar se há dados neles (Imagem: Reprodução/QinetiQ)
O sistema de comunicação Melacom, da Mars Express, criado especialmente para "ouvir" sinais específicos transmitidos às cegas por um rover e verificar se há dados neles (Imagem: Reprodução/QinetiQ)

Inicialmente, os dados serão transmitidos do rover ao orbitador a apenas 8 Kbps, e a velocidade será aumentada gradualmente até alcançar 128 Kbps. Os testes acontecerão ao longo do mês de novembro e, antes de iniciá-los, as equipes vão realizar alguns procedimentos em solo para garantir que a Mars Express e o Zhurong conseguirão “conversar”. Os resultados destes testes devem ser liberados em breve.

Fonte: Canaltech

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