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Sonda da NASA descobre "sem querer" buraco negro a 30 mil anos-luz de distância

Daniele Cavalcante

A sonda OSIRIS-REx foi lançada pela NASA em 2016 para estudar de perto e coletar amostras do asteroide Bennu, mas, agora, acabou detectando “sem querer” um buraco negro até então desconhecido pelos cientistas, a cerca de 30.000 anos-luz de distância, na constelação Columba, a Pomba.

Enquanto focava no asteroide, o instrumento REgolith X-Ray Imaging Spectrometer (REXIS) capturou os raios-X emitidos pelo buraco negro. O REXIS foi desenvolvido para medir raios-x emitidos por Bennu ao receber luz solar, mas, em novembro de 2019, uma fonte de raios-x muito além do asteroide praticamente invadiu as análises da sonda.

O principal objetivo do REXIS é preparar a próxima geração de cientistas e engenheiros, dando a eles experiência prática ao trabalharem em uma missão real. Ironicamente, os alunos obtiveram uma das melhores experiências para qualquer astrônomo, que é encontrar algo imprevisto e desconhecido. "Decidimos treinar os alunos a construir e operar instrumentos espaciais", disse Richard Binzel, professor do MIT. "Acontece que a melhor lição é estar sempre aberto para descobrir o inesperado".

Após verificações iniciais, os pesquisadores perceberam que a explosão não se tratava de nenhum objeto catalogado anteriormente, de acordo com Branden Allen, supervisor de estudantes que primeiro descobriu a fonte de raios-X nos dados do REXIS. A explosão de um buraco negro foi confirmada pelo telescópio MAXI do Japão e pelo telescópio Neutron Star Interior Composition Explorer da NASA, ambos a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

Todos esses instrumentos detectaram o mesmo flash, mas há uma vantagem de encontrá-lo através do REXIS. É que a sonda fez a observação a milhões de quilômetros do nosso planeta enquanto orbita Bennu, ao passo em que os demais telescópios estão na órbita baixa da Terra. Isso faz com que essa seja a primeira explosão desse tipo já detectada a partir do espaço interplanetário.

Instrumentos na Terra não são capazes de detectar eventos como este, pois esses raios-X só podem ser observados no espaço. "Detectar essa explosão de raios-X é um momento de orgulho para a equipe do REXIS. Isso significa que nosso instrumento está funcionando como esperado e no nível exigido dos instrumentos científicos da NASA", declarou Madeline Lambert, estudante de graduação do MIT, que projetou as sequências de comando do REXIS.

As emissões de raios-X detectadas ocorreram quando o buraco negro retirou matéria de uma estrela que o orbitava. À medida que a matéria se move como um disco giratório em torno do buraco negro, uma enorme quantidade de energia é liberada no processo, e isso acontece principalmente na forma de raios-X.

Fonte: Canaltech

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