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Sonda da ESA adota novos limites para buscar gases biomarcadores em Marte

·3 minuto de leitura

O orbitador Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia (ESA), tem como objetivo primário a busca de biomarcadores em Marte, compostos que podem sinalizar a ocorrência de vida por lá. Um desses compostos é o metano, um gás que, na Terra, é produzido por processos biológicos ou por meio da atividade geológica — e, talvez, algo semelhante ocorra no Planeta Vermelho. Agora, a equipe da sonda decidiu estabelecer novos limites para a busca deste e outros gases, cujas discrepâncias na ocorrência vêm intrigando pesquisadores.

O grande mistério envolvendo o metano são as descobertas feitas por diferentes missões, que trouxeram resultados contraditórios sobre a presença do gás. Dados coletados pela Mars Express, da ESA, e rover Curiosity, da NASA, identificaram picos súbitos do gás na atmosfera de Marte, seguido de flutuações na quantidade em órbita e na superfície ao longo das estações do ano. Por outro lado, houve momentos em que não houve sinal do gás encontrado no planeta.

O rover Curiosity segue explorando a cratera Gale desde 2013, e detectou metano por lá (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)
O rover Curiosity segue explorando a cratera Gale desde 2013, e detectou metano por lá (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Na Terra, o metano ocorre a quase 2.000 partes por bilhão de volume (ppbv). Já em Marte, as missões em solo mostraram que o gás está presente de 0,2 a 30 ppbv, o que indicaria a presença de até 30 moléculas de metano a cada bilhão. Entretanto, dados da TGO reportados em 2019 não mostraram sinais do gás — e, se existisse, os cálculos mostraram que o metano estaria na concentração máxima de apenas 0,05 ppbv. Agora, após coletar dados por quase três anos terrestres, a equipe da TGO decidiu alterar o limite superior da detecção do gás para refinar as buscas.

Franck Montmessin, co-investigador principal do instrumento Principal do Atmospheric Chemistry Suite (ACS) e principal autor de três novos artigos sobre biomarcadores em Marte explicou a mudança. “Não encontramos nenhum sinal do gás, o que sugere que a quantidade de metano em Marte é, provavelmente, ainda menor do que as estimativas anteriores”, disse. Para completar, os instrumentos da TGO não encontraram o gás na cratera Gale, que é onde o rover Curiosity o detectou. Essa possível diferença pode estar relacionada à diferença entre as detecções em solo, feitas pelo rover, e na órbita, pela sonda.

Contudo, outras investigações da presença deste e de outros gases, feitas com outro instrumento da TGO, resultaram em novas perguntas. “Não encontramos nenhum sinal de metano em Marte, e estabelecemos um limite de 0,06 ppb”, explicou Elise Wright Knutsen, principal autora do artigo. Elise e seus colegas tentaram encontrar o metano, etano e etileno, compostos que ocorrem depois de o metano ser “separado” pela ação da luz solar e que são ótimas rastreadoras de possíveis atividades biológicas ou geológicas. “Também não detectamos nenhum dos dois e, portanto, definimos limites maiores para o etano e etileno”, disse ela. O orbitador também segue em busca da fosfina, que é produzida biologicamente na Terra e, por enquanto, não foi identificada em Marte.

Os novos limites adotados pela TGO na busca pelos gases (Imagem: Reprodução/ESA)
Os novos limites adotados pela TGO na busca pelos gases (Imagem: Reprodução/ESA)

De qualquer forma, a busca por formas de vida — caso tenham existido — ou por assinaturas deixadas por elas deverá continuar. “Sejam detectados ou não, as descobertas dos biomarcadores são importantes para a compreensão de quais processos ocorrem, e quais não, na atmosfera marciana”, comentou Håkan Svedhem, cientista de projeto da TGO. “Será emocionante continuar trabalhando em colaboração com outras missões, como os rovers Curiosity e Rosalind Franklin”, conclui. Este último também faz parte da missão ExoMars, e será mais um aliado na busca por biomarcadores. O rover Rosalind Franklin já finalizou os primeiros testes, e tem lançamento estimado para 2022.

Os artigos com os resultados dos estudos foram publicados nas revistas Astronomy & Astrophysics e Icarus, e podem ser acessados clicando aqui, aqui e aqui.

Fonte: Canaltech

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