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Bolsonaro contradiz Trump e nega que Brasil desvalorize real

Matheus Schuch

O presidente afirmou agora que não tem amizade com o líder americano, mas "um contato bastante cordial” O presidente Jair Bolsonaro minimizou nesta quarta-feira o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre taxação de aço e alumínio brasileiros e afirmou que não irá “dar as costas” ao norte-americano.

Antonio Cruz/ Agência Brasil

“Não tenho idolatria por ninguém, mas tenho uma amizade. Não vou falar amizade. Eu não frequento a casa dele, né? Mas tenho um contato bastante cordial”, afirmou, em relação a Trump. “Não tenho decepção. Não é porque um amigo meu fala grosso em uma situação qualquer que eu vou dar as costas para ele”.

Bolsonaro negou que o Brasil esteja “aumentando artificialmente” o valor do dólar frente ao real. "Nós não queremos aqui aumentar artificialmente, não estamos aumentando artificialmente o preço do dólar", rebateu Bolsonaro. “O mundo está globalizado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influencia o preço do dólar aqui".

O presidente afirmou também que "nós importamos etanol deles [dos americanos], eles querem agora e está bastante avançado mandar trigo para a gente. Mas nós somos os pobres da história. Não sei quantas vezes a economia deles é maior do que a nossa, varias vezes”, afirmou.

Bolsonaro afirmou que o governo já possui, agora, as informações sobre a taxação de aço e alumínio e que o Brasil seguirá em negociação com os Estados Unidos. Questionado se fez contato telefônico com Trump, Bolsonaro disse que não divulgaria a informação. “Vou dar uma dica para vocês. Se eu já liguei para ele ou não vocês não vão ficar sabendo. Isso é uma questão de Estado, não adianta eu dar aqui uma de pavão misterioso”.

O presidente comentou que há um exagero na repercussão do anúncio de Trump. “Existe um certo exagero no que está acontecendo. Por enquanto não foi sobretaxado nada, só tem a promessa dele no Twitter”.

Na última segunda-feira, Trump anunciou pelo Twitter de que voltará a taxar o aço e o alumínio produzidos no Brasil. “O Brasil e a Argentina têm promovido uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para os nossos agricultores. Portanto, de maneira efetiva e imediata, restaurarei as tarifas de todos os aços e alumínio enviados para os EUA a partir desses países”, escreveu o presidente americano.

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Os sul-americanos haviam sido isentos da taxação no ano passado, depois que Trump anunciou tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre o alumínio, como forma de blindar o mercado americano. A retirada de Brasil e Argentina, além da Austrália, dessa lista foi feita por pressão da indústria americana.

O Valor informou nesta quarta que a Europa também ameaça aumentar barreiras à entrada do produto brasileiro na União Europeia. A Eurofer, associação dos produtores siderúrgicos da Europa, diz temer que o aço que o Brasil e a Argentina não puderem mais exportar para o mercado dos Estados Unidos acabe desviado para a Europa, fragilizando ainda mais a já combalida indústria do velho continente.