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Solidário, Paulo Gustavo ajudava mais carentes, amigos e instituições; histórias vieram à tona após a morte do ator: veja

·5 minuto de leitura

É inegável. O lado artístico, bem-humorado e de riso fácil é conhecido nos quatro cantos do país. Mas, para além dos palcos, da TV e até mesmo das sacadas engraçadas nas redes sociais, havia outra faceta que pouca gente sabia. Paulo Gustavo possuía olhar atento às pessoas e, em sua intimidade, dedicava-se em ajudar o próximo. Algumas dessas histórias, que permaneceram privadas até recentemente, vieram à tona após a partida do artista, de 42 anos, na última terça-feira, em decorrência de complicações da Covid-19. Relatos de gente que queria trazer luz às ações anônimas do astro famoso. Isso para homenagear o comediante, mas, sobretudo, o ser humano.

Paulo Gustavo, por exemplo, doou um total de R$1,5 milhão para as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em Salvador, na Bahia. A paixão do ator veio depois de ele assistir ao filme dedicado às obras dela e sobre como ela ajudava as pessoas mais pobres. O espaço para atendimento de pacientes com câncer foi construído com o valor de R$ 600 mil doado por Paulo. Em outra ocasião, deu a quantia de cerca de R$ 386 mil para a aquisição de monitores cardíacos para um hospital de responsabilidade da OSID.

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Já em período de pandemia, outra das doações foi o valor de cerca de R$ 500 mil para compra de equipamentos e testes rápidos para o coronavírus. Devoto de Irmã Dulce, ele chegou até a visitar obras que eram realizadas pela instituição em 2017. O feito foi também citato por Padre Julio Lancellotti.

Não para por aí. Depois da morte de Paulo Gustavo, Susana Garcia, diretora e grande amiga do artista, também citou algumas benfeitorias realizadas. Num post de despedida, ela prestou uma homenagem e relatou que o ator, mensalmente e durante três meses, depositou a quantia de R$ 1 mil para as pessoas que trabalharam nos filmes que os dois fizeram juntos. “Mandou um e-mail para todo mundo das equipes perguntando quem estava precisando de ajuda. E as pessoas foram tão corretas, que várias falaram que estavam conseguindo segurar e que não precisavam. Mas a maioria recebeu essa ajuda”, consta do relato de Susana.

Ainda de acordo com ela, Paulo também doou cerca de meio milhão de reais para o Amazonas, com o objetivo de comprar cilindros de oxigênio, que estavam em falta na época. “Nunca divulgou nada. Lembro um dia, antes de ser intubado, que (ele) me disse que estava sentindo muita falta de ar, mesmo com cateter de oxigênio, e que estava feliz de ter comprado oxigênio para as pessoas”, narra ela.

Além disso, chegou ao conhecimento do público que ele doou mais de 700 cestas básicas a moradores carentes do Morro da Grota, localizado em Niterói, sua cidade natal, no período da pandemia.

O ator e diretor Leonardo Netto também fez questão de destacar a solidariedade de Paulo Gustavo, que lhe socorreu. Os dois se conheceram ainda quando o humorista cursava a escola de Teatro. Tomaram caminhos separados na carreira, não eram próximos. Leonardo acrescenta que, num momento de dificuldade, recebeu ajuda. “Ano passado, no auge da pandemia, quando todas as minhas reservas de dinheiro tinham acabado, quando não tinha possibilidade de trabalho, nem como pagar as contas mais básicas, fui surpreendido com um depósito na minha conta, feito pelo Paulo, que soube da minha situação através da Malu (Valle, amiga em comum de ambos)”, relata ele, através das redes sociais.

Não apenas ele tem o sentimento de gratidão. A cantora Iza não esconde o quanto Paulo foi importante no início de sua carreira. Segundo ela, tudo começou quando o ator compartilhou um dos vídeos que ela postava na internet cantando. Horas depois, ela já havia conseguido cerca de 70 mil seguidores, contra os sete mil que possuía. Não parou por aí: o novo amigo ainda a convidou para se apresentar numa festa promovida por ele.

“Paulo me pagou adiantado. Vocês têm noção do que é isso para um artista novo e independente como eu era? Estava me sentindo megaprofissional... Sei lá, ele me tratou de um jeito que achei que nem merecia ser tratada naquela época”, diz a cantora.

E o impacto de Paulo Gustavo na vida das pessoas foi além. Gay, casado com o médico Thales Bretas, com quem teve dois filhos, Romeu e Gael, ele inspirou pessoas a viverem suas verdades. Coisa que já fazia há anos em prol da diversidade. Em 1999, quando tinha 21 anos, estampou a capa de uma revista beijando outro homem, sem medo de ser quem é, e sem receio algum de si próprio. A publicação, na época, chegou a ser censurada e chegou às bancas dentro de um saco preto.

São fatos que enchem a mãe do ator, Déa Amaral; a irmã, Ju Amaral; e o pai, Júlio Márcio Monteiro, de orgulho. Em entrevista a Pedro Bial, dona Déa, inspiração para a criação da personagem Dona Hermínia, de “Minha mãe é uma peça”, disse que estava feliz com o homem que Paulo havia se tornado: “Ele é um filho maravilhoso para a família inteira, não só para mim. Isso é o que mais me enche de orgulho. Não é o comediante ou o artista. Ele é cumpridor dos seus deveres e tem uma responsabilidade. Um amor no coração”. Ficam a saudade e seu legado de alegria e solidariedade.