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Solar e eólica não conseguem competir com gás tão barato

Naureen S. Malik e Brian Eckhouse

Este certamente será um ano recorde para o avanço da energia solar e eólica nos Estados Unidos. Os projetos em andamento ou planejados são significativos o suficiente para aumentar a esperança em redes elétricas livres de emissões dentro de uma geração. Se o gás natural não atrapalhar.

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E isso pode acontecer. O gás é tão barato que agora é visto menos como um combustível fóssil-ponte - distanciando o mundo do poluente carvão e abrindo caminho para um futuro de energia limpa - e mais como um obstáculo que poderia atrasar a viagem. Alguns analistas projetam que os preços permanecerão baixos por vários anos, dificultando que estados, cidades e concessionárias de serviços públicos cumpram as metas de emissão zero de carbono na produção de energia até 2050 ou antes.

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“O fato de haver uma abundância de gás dificulta muito a mudança para concluir a descarbonização”, diz Ravina Advani, chefe de energia, recursos naturais e renováveis do BNP Paribas. O gás é um forte concorrente. “É confiável e barato.”

A inundação de gás barato de fato traz uma grande vantagem ambiental, porque coloca mais pressão sobre usinas de carvão que contribuem significativamente para o aquecimento global. Mas também aperta as margens dos reatores nucleares, que são a maior fonte de energia livre de carbono dos EUA. E leva concessionárias a investirem em infraestrutura, o que manteria o gás como peça central da matriz energética por décadas.

Fontes solares e eólicas certamente são vencedoras em muitos mercados em termos de preço. Sem o gás barato, porém, o desenvolvimento de energias renováveis seria mais rápido, diz Cody Moore, diretor de comércio de gás e energia da Mercuria Energy America.

Basta olhar para a maior rede nos EUA, que se estende de Washington a Chicago e atende a mais de 65 milhões de pessoas: a quantidade de energia gerada por gás tem aumentado, enquanto fontes renováveis se expandem a um ritmo mais lento.Essa rede atravessa uma parte do EUA que abriga algumas das reservas de gás natural mais abundantes do mundo. A expansão das perfurações na região e na Bacia do Permiano, no Texas e no Novo México, é uma das razões pelas quais o preço de referência do gás nos EUA é inferior a US$ 2 por milhão de unidades térmicas britânicas.É o preço mais baixo para esta época do ano desde o final dos anos 90. Na Ásia, os preços caíram para um nível recorde, abaixo de US$ 3, este mês em meio ao excesso de oferta global e devido à desaceleração da demanda na China com o surto de coronavírus. Na Europa, o preço de referência nos Países Baixos atingiu o menor nível em uma década.

“Isso não é bom para o mercado de energia nova”, diz Jonathan Bell, gerente de desenvolvimento de negócios da empresa de avaliação de risco DNV. “Isso coloca muita pressão sobre as energias renováveis.”

--Com a colaboração de Vanessa Dezem, Francois de Beaupuy e William Mathis.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Naureen S. Malik em Nova York, nmalik28@bloomberg.net;Brian Eckhouse New York, beckhouse@bloomberg.net

Para entrar em contato com a editoria responsável: Anne Reifenberg, areifenberg@bloomberg.net

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