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Sobram obstáculos à aquisição da cobiçada EDP Renováveis

Gillian Tan, Dinesh Nair e Kiel Porter

(Bloomberg) -- A divisão de energias renováveis da EDP-Energias de Portugal, que atua tanto no Brasil quanto na Califórnia e na Polônia, é um dos ativos mais cobiçados do momento por empresas do setor e também por investidores privados. A unidade é avaliada em 7,5 bilhões de euros (US$ 8,5 bilhões), mas comprar esse enorme portfólio de energia limpa não será fácil.

Primeiramente, a concorrência é brava. O fundo de infraestrutura da Blackstone Group, ancorado no Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, está empenhado em adquirir a EDP Renováveis inteira ou uma fatia dela, especialmente a carteira de ativos nos EUA, de acordo com pessoas a par do assunto, que relataram que as partes tiveram discussões preliminares no ano passado.

Também há interesse de companhias de eletricidade, segundo essas fontes, que pediram anonimato porque as deliberações ocorrem a portas fechadas. Existe a possibilidade de a Blackstone Infrastructure Partners se aliar às empresas de eletricidade, de acordo com elas.

A francesa Engie está entre as elétricas que estudaram apresentar ofertas pela unidade em junho passado, de acordo com informações obtidas pela imprensa na ocasião. A EDP Energias é dona de 83 por cento da EDPR, que tem ações negociadas em bolsa.

Outro obstáculo é que qualquer acerto depende da concretização de uma transação maior: a compra da EDP Energias pela China Three Gorges (CTG). Os chineses preferem ficar com todo o negócio de energia limpa, mas provavelmente serão forçados a vender ativos nos EUA para obter aprovação regulatória, segundo as fontes.

No entanto, esse acordo aparentemente está no limbo.

A oferta da CTG, de 9,1 bilhões de euros, para ampliar sua fatia de 23 por cento na empresa portuguesa sofre oposição da Elliott Management, firma de investimento que tem perfil ativista. Além disso, o acordo ainda precisa de uma série de aprovações regulatórias, inclusive da União Europeia e do Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA (CFIUS). No anúncio de oferta, em 11 de maio, a CTG admitiu que não poderia descartar aceitar algumas “medidas de mitigação” do órgão regulador americano.

Um representante da EDP afirmou que relatos sobre o interesse da Blackstone eram especulação e que as operações de renováveis são “completamente centrais” ao negócio. Na terça-feira, a empresa afirmou que a energia limpa consumirá três quartos dos investimentos planejados até 2022, ao passo que a companhia aumenta a capacidade nos EUA e em outros mercados.

Representantes da Blackstone e da CTG se recusaram a comentar.

O interesse de empresas de eletricidade e investidores privados em energia renovável se intensifica na medida que projetos eólicos e solares se tornam alternativas de menor custo. A carteira da EDPR nos EUA inclui participações em parques eólicos e solares com capacidade superior a 5.000 megawatts, de acordo com a última demonstração financeira da companhia.

--Com a colaboração de Joao Lima e Aaron Kirchfeld.

Repórteres da matéria original: Gillian Tan em NY, gtan129@bloomberg.net;Dinesh Nair em Londres, dnair5@bloomberg.net;Kiel Porter em N York, kporter17@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Alan Goldstein, agoldstein5@bloomberg.net, ;Dinesh Nair, dnair5@bloomberg.net, Amy Thomson, Joao Lima

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